Se há uma eleição municipal no Espírito Santo em que nem o mais competente astrólogo, vidente ou cartomante pode antecipar o resultado é a disputa pela Prefeitura de Cariacica. A pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada neste sábado (17) mostra, basicamente, um balaio com um monte de gatos recém-nascidos (todos pequenos e todos quase iguais), de dentro do qual pode sair qualquer vencedor no dia 29 de novembro.
A eleição em Cariacica tem 14 candidatos a prefeito (número absurdo por si mesmo). Mas ainda mais “absurda”, nestes tempos de pandemia, é a “aglomeração de candidatos” nas tabelas do levantamento: todos amontoados, muito próximos um do outro.
Na intenção de voto estimulada, o levantamento revela que, do 1º (Euclério Sampaio, com 13%) ao 11° colocado (Adilson Avelina, com 3%), temos 11 postulantes que podem ser considerados tecnicamente empatados. Isso no limite da margem de erro, de 5 pontos para mais ou para menos. A rigor, considerada essa amplitude, Euclério e Avelina poderiam estar empatados, por exemplo, com 8% cada um.
Nunca, em 12 anos escrevendo sobre pesquisas eleitorais, este colunista havia visto um quadro semelhante de “embolação”.
No momento, a única certeza absoluta é que a eleição em Cariacica terá dois turnos. O que já era bastante previsível dada a quantidade desproporcional de candidatos agora se confirma por meio da pesquisa do Ibope. Nesse cenário, não há a mínima possibilidade de um candidato superar metade dos votos válidos já no 1º turno. Teria que surgir um fenômeno eleitoral arrastando tudo, o que, a esta altura, não se desenha no horizonte cariaciquense.
Quanto aos dois candidatos que passarão ao 2º turno, o jogo está absolutamente em aberto. Qualquer um dos 11 pode jogar no 2º tempo ou até alguém que venha ainda mais de trás.