Observando o desenrolar do cenário, o prefeito de Cariacica, Juninho (Cidadania), mantém a prudência e ainda não decidiu quem terá o seu apoio direto na eleição municipal de novembro. O posicionamento de Juninho na sua própria sucessão é um dos enigmas de solução mais aguardada por pré-candidatos, dirigentes partidários e eleitores em Cariacica. Focado nos meses finais de sua administração, o prefeito não nos dá certeza nem se apoiará alguém no pleito. Diz que, dependendo do andamento da disputa, ele pode não declarar apoio a ninguém no 1º turno e talvez manter a neutralidade até no 2º turno.
Mas uma certeza Juninho dá: sua postura de distanciamento do processo mudará na mesma hora se ele perceber que existe, no páreo, uma “ameaça desastrosa” à cidade. Sem precisar quem poderia representar essa ameaça, Juninho é enfático em dizer que, se ela houver, não hesitará em apoiar um candidato para chamar de seu já no 1º turno.
A entrevista do prefeito, publicada integralmente na sequência, dá margem a especulações. Juninho não chega a nominar essa suposta “ameaça”, mas é preciso lembrar que seu adversário figadal na cidade, o deputado estadual Marcelo Santos, não só se mantém apto a entrar nessa disputa eleitoral pelo Podemos como declarou à coluna, em entrevista publicada na manhã desta quinta-feira (16), que tem 50% de chances de se lançar candidato a prefeito. Para isso, busca o apoio do governador Renato Casagrande (PSB) - que não tem relação tão boa com Juninho.
Dentro do polo político liderado por Juninho, existem hoje quatro pré-candidatos a prefeito: o vereador Joel da Costa (PSL, ex-Cidadania, o mais cotado para se tornar o candidato do prefeito), o vice-prefeito Niltinho Basílio (PDT), o ex-deputado Sandro Locutor (PROS) e o pastor Ivan Bastos (MDB).
Confira a entrevista exclusiva de Juninho:
Prefeito, o senhor apoiará alguém na eleição a prefeito de Cariacica? Em caso afirmativo, já decidiu quem?
Com o adiamento dos prazos iniciais das eleições, isso acabou também adiando a minha decisão por um possível apoio a alguma candidatura. Por que estou falando em “possível apoio”? Porque continuo na mesma tecla: tenho que estar focado na administração. Agora, com essa pandemia, que é um fato histórico, mundial, isso nos compromete mais ainda em estarmos focados na gestão da cidade, até porque eu venho mantendo uma gestão equilibrada e que colocou Cariacica como nota A, desde 2017, na avaliação da STN [Secretaria do Tesouro Nacional]. Diferentemente de outros municípios, nós mantemos a nota A da STN. Não peguei a cidade com nota A, mas conseguimos colocar a cidade na nota A e assim nos mantemos até hoje, mesmo tendo passado por diversas crises e mesmo não estando em sintonia com o governo federal e com o governo estadual, como gestões anteriores à minha. Isso quer dizer que, em termos de gestão, atingimos um nível de excelência frente a tamanhos desafios que temos na cidade. E eu não vou deixar isso se perder simplesmente por estar optando, em um momento eleitoral, por um nome A ou B. A primeira coisa é essa. Agora, se nós entendermos, dialogando com servidores municipais e com segmentos da cidade, que devemos nos posicionar eleitoralmente e se tivermos garantia de que isso não vai afetar a gestão, nós nos posicionaremos. Faremos isso de forma muito responsável.
Nesse caso, estamos falando de apoio no primeiro ou no segundo turno?
Estou te falando de apoio na eleição. Se vai ser primeiro ou se vai ser segundo turno, o tempo é que vai nos dizer.
Ou seja, dependendo desses fatores que o senhor listou, o senhor até pode vir a apoiar algum candidato já no 1º turno?
Além do que eu te disse anteriormente, nós vamos levar em consideração se não vamos ver nenhuma ameaça desastrosa à cidade. Se a população solicitar a minha intervenção, com certeza nós o faremos. Agora, se a disputa continuar uma disputa clara, equilibrada, coerente, pode ser que a gente se posicione no 2º turno, assim como pode ser que a gente não se posicione. Então hoje estou numa posição de total atenção com a cidade, primeiro pela gestão municipal e depois pela questão eleitoral. A partir desses posicionamentos, nós vamos analisar nos próximos meses. A cidade em si ainda não está vivendo a eleição. Ela está muito focada no retorno dos serviços, hoje principalmente de saúde e assistência, na conclusão das obras, na questão da segurança. E estamos muito atarefados em manter esse nível. Assim que entendermos, por uma provocação ou outra, que devemos debater esse tema eleitoral, assim faremos. Até para dizer que não vamos nos posicionar eleitoralmente, se for o caso.
No início da sua resposta anterior, o senhor usou o termo “ameaça”. Vamos especificar um pouco? Quem o senhor acha que poderia representar uma ameaça à cidade?
Eu ainda não tenho as candidaturas oficializadas. A hora que eu tiver, eu te falo.