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Vitor Vogas

Marcelo Santos: "Tirei um peso das minhas costas"

Após desistir de ser secretário de Esportes, deputado afirma que ajudou governo Casagrande a se livrar de um constrangimento caso Luiz Durão assumisse a sua vaga na Assembleia

Publicado em 10 de Janeiro de 2019 às 21:28

Públicado em 

10 jan 2019 às 21:28
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Marcelo Santos foi reeleito para o quinto mandato como deputado estadual Crédito: Lissa de Paula/Ales
"Tirei um peso das minhas costas." É assim que o deputado estadual Marcelo Santos (PDT), reeleito para o quinto mandato consecutivo, traduz a sua decisão, anunciada na tarde desta quinta-feira (10), de desistir de assumir o comando da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport).
Convidado pelo governador Renato Casagrande (PSB), Marcelo aceitou o convite e foi anunciado no dia 24 de dezembro, mas não assumiu o cargo imediatamente. Como foi reeleito, o deputado assumiria o novo mandato no dia 1º de fevereiro e logo depois se licenciaria para poder ser nomeado secretário. O plano mudou, no entanto, com a prisão do deputado Luiz Durão (PDT), no último dia 4, sob a acusação de ter estuprado uma adolescente de 17 anos.
Marcelo Santos, Tirei um peso das minhas costas
Durão segue preso preventivamente. Na eleição de outubro, ele ficou como primeiro suplente da coligação do PDT. Assim, se Marcelo se licenciasse do mandato para se tornar secretário, a vaga dele na Assembleia poderia ser preenchida por Durão. Mesmo que apenas no campo da hipótese, isso já vinha gerando grande desgaste para Marcelo e, sobretudo, para o governo Casagrande, que poderia ser acusado de, indiretamente, permitir o retorno à Assembleia de um deputado acusado de um crime hediondo. 
Foi levando em conta esse desgaste que Marcelo decidiu recuar. 
"Nós teríamos que assumir essa responsabilidade sem termos conhecimento e nada com isso. Eu estava incomodado porque eu estava gerando um desgaste para o governo sem ter nada a ver com isso. (...) Não quero que o governador pague por uma conta que não é dele e muito menos eu."
Confira, abaixo, a entrevista completa de Marcelo Santos:
Ao desistir de assumir o cargo de secretário estadual de Esportes, o senhor considera ter ajudado o governo Casagrande a se livrar de um constrangimento? 
Claro! Ajudei. Eu disse ao governador: ele não tinha que responder por nada que não fosse aquilo que é atribuição do governo, como melhorias na saúde e na educação. Agora, não era certo cobrar do governo uma resposta por causa do caso de Luiz Durão. E nós teríamos que assumir essa responsabilidade sem termos conhecimento e nada com isso. Eu estava incomodado porque eu estava gerando um desgaste para o governo sem ter nada a ver com isso. Me senti muito honrado com o convite, porque seria um desafio novo. Mas agora estou mais tranquilo. Ouvi da rua: "Marcelo, acho que você não deveria ir pra lá"... Me deu uma sensação de eu estar muito mais antenado com este momento atual. Não quero que o governador pague por uma conta que não é dele e muito menos eu. Tirei um peso das minhas costas.
De quem partiu a iniciativa? Foi o senhor quem, espontaneamente, colocou o cargo à disposição, ou o governo diplomaticamente pediu ao senhor para não assumir a secretaria?
A iniciativa foi única e exclusivamente minha. Liguei para o governador na terça-feira (8), dizendo que eu queria bater um papo com ele sobre isso. Disse ao governador que não queria colocar qualquer constrangimento a ele. Em nenhum momento o governador me pediu para não assumir o cargo. Pode ser que, mais para a frente, o governador me pediria: "Marcelo, vamos refletir"... Mas ele não fez isso. Tanto que ele me parabenizou pela sensibilidade, porque realmente é um cenário muito ruim. Eu não queria deixar o governador constrangido para, de repente, mais à frente, ele me chamar e precisar dizer: "Marcelo, tá ruim pra caramba"...
O senhor está ajudando o governo a não sair queimado dessa história. Vai haver alguma compensação ou recompensa política? O governo vai ajudá-lo em algum pleito?
Não. Nenhuma recompensa. O grande mérito do governador e o que vou guardar na lembrança é a honra do convite que ele me fez para ser secretário de Esportes. Eu seria o primeiro secretário estadual vindo de Cariacica. Mas político que não ouvir o clamor das ruas hoje está fadado ao fracasso.
Já está definido quem será seu substituto à frente da Sesport? 
Não sei. Foi uma decisão muito pessoal. Não a comuniquei ao PDT. O governador convidou o PDT para compor o governo, o partido apresentou alguns nomes e o governador me escolheu. 
Por enquanto, a pasta está interinamente sob o comando de Alessandro Comper, também do PDT. O senhor acha que ele será efetivado?
Não sei...
Mas há outro nome?
Acho difícil. Ele já era subsecretário [de Direitos Humanos, no governo de Paulo Hartung]. Só trocou de pastas.
Quais serão os seus próximos passos?
Vou ajudar o governo na construção da eleição da Mesa Diretora da Assembleia. O governador tem ouvido o sentimento dos deputados. E não tem partido na eleição.
O senhor é o atual vice-presidente da Mesa Diretora. Agora, permanecendo na Assembleia, pretende manter o cargo, ou algum outro espaço na próxima Mesa?
Não é a ocupação de um cargo na Mesa que vai me tornar menor ou maior. Quero ajudar. Se eu tiver que fazer parte de alguma comissão, de um espaço na Mesa, tudo bem, mas não estou pleiteando nada. Quero colaborar para a formação de uma Mesa coesa. Estou aqui para colaborar com o governo, acredito no governo do Renato e fiquei muito honrado com o convite para ser secretário. Às vezes na vida alguns gestos valem muito. Esse gesto dele de me convidar teve um peso muito grande na minha vida. E eu não podia devolver esse gesto se não tirando dele esse peso por uma coisa que não era responsabilidade do governo. 
O senhor foi o líder do governo Paulo Hartung na Assembleia no fim de 2018 e ajudou na transição. Agora que ficará na Casa, o senhor pode vir a se tornar líder do governo Casagrande? 
Não debati sobre isso.
O senhor continua cultuando o projeto de ser nomeado para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado?
A partir do momento que houver a vacância do cargo, a gente pode discutir. Até lá eu sigo sem interesse em debater isso. Acredito que nos próximos dois meses a vaga de Valci Ferreira estará aberta.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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