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Vitor Vogas

Marcelo Santos: a volta do que não foi

No médio prazo, o deputado estadual pode até sair ganhando por desistir de assumir secretaria

Publicado em 11 de Janeiro de 2019 às 11:29

Públicado em 

11 jan 2019 às 11:29
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Em primeira análise, ao desistir de ser secretário estadual de Esportes, o deputado Marcelo Santos (PDT) sai perdendo, por motivo óbvio: será lembrado como o secretário que deixou de ser secretário antes mesmo de tomar posse.
Mas essa primeira análise pode ser precipitada. No médio prazo, Marcelo pode até sair ganhando com esse episódio. Ganha pontos junto ao governo Casagrande, que mal começou, e aumenta o próprio capital político, consolidando-se como um aliado da mais alta confiança do governador. Afinal, tomando a decisão de abdicar da secretaria, Marcelo protege a si mesmo, protege o PDT, mas, acima de tudo, protege o governo Casagrande. Permanecendo na Assembleia, ele ajuda o governo a se poupar do enorme constrangimento que seria o retorno de Luiz Durão (PDT) para a Assembleia, o qual poderia ser colocado na conta do governador.
A cobrança com certeza viria (e já estava vindo), sobre Marcelo e sobre o governo recém-iniciado. Para a opinião pública, a conclusão inevitável seria a de que, mesmo que indiretamente, o governo Casagrande teria criado as condições para a volta à Assembleia de um deputado acusado de um crime hediondo. E aqui cabe uma contextualização.
Convidado por Casagrande para chefiar a Secretaria de Esportes, Marcelo aceitou o convite e foi anunciado em 24 de dezembro. Como foi reeleito, o deputado assumiria o novo mandato (seu 5º consecutivo na Casa) no dia 1º de fevereiro. Logo depois se licenciaria para poder ser nomeado secretário. O plano mudou, contudo, com a prisão de Durão, no último dia 4, sob a acusação de ter estuprado uma adolescente de 17 anos.
Durão segue preso preventivamente. Na eleição de outubro, ele ficou como 1º suplente da coligação do PDT. Assim, se Marcelo se licenciasse do mandato para se tornar secretário, a vaga dele na Assembleia poderia ser preenchida por Durão. Mesmo que apenas no campo da hipótese, isso já vinha gerando imenso desgaste para Marcelo e, sobretudo, para o governo Casagrande.
Foi levando em conta esse desgaste que Marcelo decidiu recuar – iniciativa que, segundo o deputado, partiu dele próprio, versão confirmada pelo Palácio Anchieta.
Segundo Marcelo, sua sensação foi a de ter tirado um grande peso das costas. Ao mesmo tempo, ele reconhece ter ajudado o governo a também se livrar de um fardo e a se safar de um constrangimento de potencial devastador logo no início. “Claro! Ajudei. Eu disse ao governador: ele não tinha que responder por nada que não fosse aquilo que é atribuição do governo, como melhorias na saúde e na educação. Agora, não era certo cobrar do governo uma resposta por causa do caso de Luiz Durão.”
Na equipe de Casagrande, a atitude de Marcelo é tratada como uma “decisão firme” e um “gesto muito nobre”, de abnegação. Há o entendimento de que, indo para o sacrifício, Marcelo de fato ajuda o governo a não sair queimado dessa história, mas também ajuda a si mesmo, pois o deputado já vinha sendo massacrado ante a mera hipótese de “propiciar” ou “viabilizar” o retorno de Durão.
Até ontem, o convite a Marcelo estava mantido por Casagrande, o que não significa que seria mantido até 1º de fevereiro. Até lá, poderia até chegar o momento em que Casagrande pediria o cargo, até porque o governo entende que a chance de reversão da imagem negativa de Durão aos olhos do público é muito pequena. Mas não foi preciso chegar a esse ponto. Agindo rápido, Marcelo estanca sua sangria e a do governo.
Ganhos políticos
Segundo fonte palaciana, o recuo de Marcelo não passou por nenhuma promessa ou garantia de “compensação política”. Mas, como tudo na política é uma via de mão dupla, Marcelo pode ser recompensado mais à frente. No mínimo, ele se fortalece no relacionamento com o governo e em eventuais pleitos futuros. Volta para a Assembleia como articulador do governo na eleição da Mesa Diretora e se credencia até para ser líder de Casagrande no plenário a partir de fevereiro (durante a transição, foi líder de Hartung, mas já em boa sintonia com Casagrande).
À espera da vacância
Não é segredo para ninguém (nem ele nega) que a grande aspiração de Marcelo é ser nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES). A vaga de Valci Ferreira pode ser aberta nos próximos dois meses. A escolha é dos deputados, mas o patrocínio do governador da vez sempre faz toda a diferença... A questão é que, também no caso de Marcelo se tornar conselheiro, é Durão quem assume a sua vaga na Assembleia, se estiver juridicamente apto. Mas essa é uma outra discussão.
Dayse Lemos no TCES
Marcelo talvez não chegue lá, mas quem já chegou foi Dayse Lemos. Secretária de Gestão e Recursos Humanos no último governo Paulo Hartung, ela foi nomeada pelo presidente do TCES, Sérgio Aboudib, para o cargo comissionado de consultora de finanças públicas, com salário bruto de R$ 5,5 mil.
Me explica isso daí
Defende novas práticas, mas o filho do vice ganha cargo comissionado para receber três vezes mais do que ganhava?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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