Sem comunicar o movimento a ninguém, o deputado estadual Marcelo Santos mudou de partido: no limite do prazo para mudanças, encerrado no dia 4 de abril, ele trocou o PDT pelo Podemos. Na prática, isso significa que o deputado segue vivo na eleição a prefeito de Cariacica, caso queira concorrer novamente ao cargo hoje ocupado por Juninho (Cidadania).
Antes do vencimento do prazo, Marcelo obteve uma decisão favorável no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). Em 18 de fevereiro, o deputado ingressou com uma ação no tribunal, pedindo o reconhecimento de justa causa para ele poder se desfiliar do PDT sem perder seu atual mandato de deputado estadual.
A decisão favorável a Marcelo foi dada em caráter liminar (provisório) pelo desembargador Carlos Simões Fonseca, relator da ação (que corre em sigilo, a pedido do próprio autor).
Eleito deputado pelo PDT em 2018, Marcelo estava sem espaço no partido em Cariacica e sem nenhuma garantia de receber legenda para disputar a prefeitura. No primeiro semestre de 2019, ele se desentendeu com o deputado federal Sérgio Vidigal, cacique do PDT há mais de década no Espírito Santo. Vidigal passou a presidência do partido em Cariacica, esperada por Marcelo, para o vereador Itamar Freire.
Em agosto de 2019, o PDT ainda filiou o vice-prefeito de Cariacica, Niltinho Basílio, pré-candidato declarado a prefeito. Ou seja, permanecendo no PDT, Marcelo certamente não conseguiria a legenda para disputar o pleito e estaria, de antemão, fora do páreo.
Por isso, o deputado ajuizou a ação no TRE. Sob a alegação de grave discriminação pessoal por parte da direção do partido, o deputado pediu o reconhecimento da justa causa para se desfiliar do PDT sem que a direção do partido possa requerer o seu atual mandato à Justiça Eleitoral.
Segundo o advogado de Marcelo e autor da ação, Gustavo Varella Cabral, o desembargador Carlos Simões Fonseca concedeu a decisão, cautelarmente, antes do dia 4 de abril, por entender que há aparente justa causa para a desfiliação de Marcelo e que havia risco concreto de o deputado ser prejudicado caso não houvesse nenhuma decisão até o fim do prazo para troca de partido.
Se a liminar não tivesse sido dada, Marcelo ficaria preso ao PDT e perderia o prazo para trocar de sigla. Em posse da liminar, ele, sigilosamente, fechou com o Podemos, em cima do prazo, para se garantir, isto é, para se manter em condições de participar do pleito de outubro.
Ao contrário do PDT, o Podemos garante legenda para Marcelo disputar a eleição municipal, caso queira. O partido é presidido no Estado pelo prefeito de Cariacica, Gilson Daniel, um velho parceiro de Marcelo. Ele já assegurou à coluna que daria a Marcelo a legenda do Podemos e seu apoio pessoal caso o deputado conseguisse se desfiliar do PDT.
Agora, a ação de Marcelo ainda precisa ser julgada no mérito pelo Pleno do TRE, o que ainda não tem data para acontecer.