O novo presidente do Banestes, Silvio Henrique Brunoro Grillo, goza da ampla confiança do governador Renato Casagrande (PSB). Grillo foi nomeado nesta terça-feira (29) no cargo de presidente interino do Banestes – medida essencial para conter o princípio de crise em torno do banco, após a prisão do então presidente, Vasco Gonçalves, na Operação Circus Maximus, que investiga um esquema de propinas no Banco de Brasília (BRB).
Oficialmente, a indicação de Grillo para a presidência interina partiu da Diretoria do Banestes, formada por oito membros – inclusive Grillo, até então diretor de Tecnologia do banco estadual. Mas, conforme a coluna apurou, o nome do substituto de Vasco também saiu de uma reunião de secretários estaduais das áreas política e econômica do governo, realizada na manhã desta terça-feira, antes mesmo de a Diretoria do Banestes deliberar sobre o assunto.
O nome, portanto, foi indicado pela alta cúpula do governo à Diretoria do Banestes. No fim da manhã desta terça-feira, os diretores do Banestes se reuniram e de fato indicaram Grillo como presidente interino para o Conselho de Administração, que, posteriormente, homologou o nome.
Silvio Grillo foi subsecretário de Administração da Secretaria de Estado da Fazenda no primeiro governo de Casagrande (2011-2014) e diretor de Tecnologia do Banestes durante todo o último governo de Paulo Hartung (2015-2018).
DIRETORIA SERÁ QUASE TODA MUDADA
Mas, além do carimbo do alto secretariado do governo, há outra explicação para a escolha de Silvio Grillo.
Segundo um diretor do Banestes que prefere não ser identificado, a escolha dele para o cargo era "natural", por uma questão básica: Casagrande já informou, internamente, que decidiu trocar quase todos os diretores do Banestes, nomeados no governo passado, por nomes escolhidos por ele. Todos os oito diretores perderão o cargo, com apenas uma exceção. O único diretor que Casagrande já tinha decidido manter era, justamente, Silvio Grillo.
"Quando a Diretoria se reuniu para designar um presidente interino, o mais correto era mesmo escolher o único que vai ficar", afirmou o diretor ouvido pela coluna.
Agora ex-presidente, Vasco Gonçalves havia sido empossado na presidência do Banestes nesta segunda-feira (28). Antes disso, por volta do início de janeiro, ele se reuniu com os atuais diretores e comunicou a todos a resolução de Casagrande de substituir toda a Diretoria do banco, exceto Silvio Grillo.
Dos sete novos nomes escolhidos por Casagrande, só um já foi empossado: Carlos Artur Hauschild, que substituiu Mônica Campos Torres na Diretoria de Riscos e Controle. Assim como Vasco Gonçalves, ele tomou posse nesta segunda-feira (e continua no cargo). Antes de ser nomeado para o Banestes, Hauschild era diretor do BRB, em Brasília.
Os outros seis nomes indicados por Casagrande para a Diretoria do Banestes aguardam parecer do Banco Central, que precisa aprová-los para que eles possam tomar posse.
O PASSO A PASSO DA SUBSTITUIÇÃO
Do ponto de vista técnico, Silvio Grillo já é, oficialmente, presidente interino do Banestes. Casagrande agora tem 90 dias para nomear o novo presidente efetivo. Ele pode efetivar o interino ou optar por outro quadro.
Para ser oficializada, a indicação de Grillo precisou ser aprovada por duas instâncias administrativas do Banestes, nesta ordem: a Diretoria e o Conselho de Administração.
No fim da manhã desta terça, a Diretoria se reuniu e indicou o nome de Grillo para o Conselho de Administração.
O Estatuto do Banestes prevê que, em situações de impedimento de membro da Diretoria (inclusive o presidente do banco), cabe ao Conselho de Administração indicar um presidente temporário, que pode permanecer no cargo por até 90 dias. Esse é o tempo que o acionista controlador possui para nomear um novo presidente efetivo. O "acionista controlador", no caso, é o governo do Estado, representado pelo governador. Quem escolherá o próximo presidente efetivo, portanto, é Renato Casagrande.
Para homologar a escolha de Silvio Grillo como presidente interino, os nove conselheiros de Administração realizaram uma "reunião virtual" na manhã desta terça-feira, conduzida pelo seu presidente, o advogado Stan Stein. Não houve reunião presencial.
Por contatos telefônicos individuais, a Secretaria Executiva do Conselho informou a todos os membros a necessidade da reunião extraordinária. O assunto então foi exposto a cada um. Ainda por telefone, a indicação do nome de Grillo foi submetida aos conselheiros. Eles apreciaram a indicação e apresentaram os seus votos. A indicação de Grillo foi avalizada, à unanimidade, pelos nove integrantes do Conselho. Essas opiniões, então, foram registradas em ata, enviada por e-mail a todos os conselheiros. Todos deram o último ok.
Feito isso, a presidência do Conselho de Administração comunicou a troca no comando do Banestes à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal que regula o mercado de ações – conforme a legislação vigente, toda empresa de capital aberto, como é o caso do Banestes, é obrigada a comunicar à CVM qualquer "fato relvante" sobre a própria empresa que possa interferir em sua cotação no mercado de ações.
A partir do comunicado, Grillo passou a ser, oficialmente, o presidente interino do Banco do Estado do Espírito Santo.