O princípio de rebelião de deputados estaduais contra algumas indicações políticas no governo de Renato Casagrande (PSB) tem duas facetas. Por um lado, temos o esperneio de sempre de deputados que não conseguem emplacar seus próprios indicados em cargos estratégicos nos respectivos redutos eleitorais, ou que perdem os apadrinhados que antes ocupavam tais cargos. Por outro lado, temos a gula do partido do governador, aparentemente insaciável, por preencher os cargos até de escalões inferiores com quadros filiados ao partido.
Dos 11 superintendentes regionais de Educação, nove foram trocados, conforme nomeações publicadas em bloco no Diário Oficial da última terça. Pelo menos dois dos novos superintendentes são filiados ao PSB: Adriana Bonatto Merlo, nova superintendente de Nova Venécia, é filiada ao partido de Casagrande em Boa Esperança.
Já Rurdiney da Silva é filiado ao PSB da Serra. Em 2016, disputou a eleição a vereador, pelo mesmo partido, com o nome de urna “Professor Rurdiney”. Com 1.368 votos, não conseguiu se eleger, mas teve melhor desempenho, por exemplo, que o vereador Basílio da Saúde (PROS), que entrou com 1.315 votos. Com essa votação, o socialista deve tentar de novo em 2020. Ameaça no radar dos adversários locais.
Não por acaso, Vandinho Leite (PSDB) puxou o cordão dos descontentes na Assembleia, secundado por Xambinho (Rede). Ambos querem governar a Serra.
Mas a irmandade do PSB não ajuda muito a facilitar a relação do governo Casagrande com a base na Assembleia. Enquanto os deputados protestam, as nomeações de filiados ao partido seguem se multiplicando no Diário. O bico da pomba do PSB virou bico de gaivota.
Apaes levam à paz
Lelo Coimbra (MDB) e Casagrande assinam um convite casado para ato de entrega de veículos para as Apaes do ES amanhã. Será que vai dar casamento?
CPI de Brumadinho
Presidida pela senadora Rose de Freitas (Podemos), a CPI de Brumadinho foi ampliada e agora investigará todas as barragens com rejeitos de minério.
Segurança pública
O deputado federal Josias da Vitória (PPS) será o coordenador capixaba da Frente Parlamentar da Segurança Pública, instalada ontem no Congresso.
O plano de Erick
O trio Erick Musso, Amaro Neto e Roberto Carneiro (todos do PRB) visitou ontem a nova diretoria da Unimed Vitória, incluindo o novo diretor de Mercado da cooperativa médica, Gustavo Peixoto. Ele foi candidato a deputado federal pelo PTB em 2018, sem sucesso.
Cumprindo a promessa
Na última quinta, Helder Salomão (PT) disse à coluna que, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, manifestar-se-á toda vez que entender que um projeto ou pronunciamento do governo Bolsonaro fira direitos. Não demorou. Ontem, divulgou nota de “profunda repulsa” à declaração do presidente nos EUA, de que a maioria dos imigrantes não tem boas intenções. Depois, a comissão aprovou realização de audiência pública para apurar detalhes do acordo que libera o uso da base militar de Alcântara pelo governo norte-americano.
Favatto: ex-caladão
O deputado Rafael Favatto (Patriota) não foi frequentador assíduo da tribuna da Assembleia no mandato passado. Em 2015, primeiro ano daquela legislatura, Favatto foi o 8º que menos falou em plenário: contando os pronunciamentos durante a fase das discussões de projetos, a fase das comunicações e a dos líderes partidários, ele usou a palavra 26 vezes. Em 2016, foi o 7º que menos falou. Em 2017, subiu para 5º no ranking do silêncio. Entre 2015 e 2017, contando 364 sessões, Favatto só abriu a boca 54 vezes em plenário: média de uma fala a cada sete sessões. Foi o 7º mais caladão nesse triênio, conforme reportagem de A GAZETA publicada em julho de 2018.
Eleição à vista
Agora, na mudança de legislaturas, Favatto parece ter sido mordido por um grilo falante. Tem subido à tribuna regularmente e participado intensamente das discussões de projetos. A assessoria do deputado nunca trabalhou tanto. A coluna apurou que o chefe tem pedido aos assessores um discurso por sessão. Alguém aí tem alguma dúvida de que Favatto prepara candidatura a prefeito de Vila Velha em 2020?
Prego na manteiga
Falando nisso, o prefeito Max Filho (PSDB) passou pelo plenário da Assembleia durante a sessão de terça e conversou com vários deputados. Perguntamos a ele se a candidatura à reeleição está firme. “Firme como um prego na manteiga”, respondeu, escorregadio.
Ainda contra?
O prefeito lembrou que, como deputado federal, votou a favor do fim da reeleição, mas o Senado não levou adiante esse ponto da minirreforma eleitoral.
Cena Política
O governador Renato Casagrande afirmou, em live transmitida na terça diretamente do canteiro de obras da Leitão da Silva, que a aceleração das obras da avenida vai “colocar o comerciante para se animar de novo, pelo sofrimento que estão tendo há mais de quatro anos”. Ninguém deve estar mais “reanimado” do que o prefeito Luciano Rezende (PPS).