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Superpoderes

O bonde de Amaro, Erick e Pazolini ganha força política no ES

Com eleição do delegado em Vitória, grupo político ascendente abrigado no Republicanos passa a acumular o comando da Assembleia Legislativa com o do Poder Executivo na Capital

Publicado em 04 de Dezembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

04 dez 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

O trem-bala do Republicanos no ES
O trem-bala do Republicanos no ES Crédito: Amarildo
Eleito prefeito de Vitória no último domingo (29), o deputado estadual Lorenzo Pazolini não chega à prefeitura sozinho. Traz consigo um grupo político próprio, que não é o do governador Renato Casagrande (PSB). Tampouco pode-se dizer que seja o grupo liderado no Estado por Paulo Hartung (MDB) – embora alguma influência do ex-governador possa efetivamente ser apontada aqui e e ali, de maneira indireta, na sua campanha e agora na sua equipe de transição. Mas Pazolini não é, em essência, um produto do hartunguismo. Não.
O delegado de polícia representa um terceiro grupo, ao qual se incorporou quando chegou à Assembleia Legislativa. É um grupo que tem cara própria (jovem), ambições próprias e projeto próprio de ascensão política no Estado. É o grupo hoje incubado no partido Republicanos (ex-PRB), do qual também fazem parte o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso; o deputado federal Amaro Neto; o deputado estadual Hudson Leal; e o ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa Roberto Carneiro, presidente estadual do partido, articulador político do grupo e agora coordenador da equipe de transição de Pazolini em Vitória.
Todos eles estão reunidos no Republicanos, ao qual Pazolini filiou-se em abril deste ano, após ter sido eleito deputado em 2018 pelo nanico PRP, extinto no ano seguinte.
Em torno desse mesmo grupo – por assim dizer, num segundo anel –, também gravitam outros deputados jovens, não filiados ao Republicanos, como Vandinho Leite (PSDB) e Alexandre Xambinho (PL), que por muito pouco não se filiou ao partido de Amaro em março, mas desistiu por uma questão circunstancial, quando Amaro transferiu o título eleitoral para a Serra.
De quebra, aumentando sua “taxa de popularidade”, o Republicanos também exibe hoje em seus quadros o atual prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli, também filiado em meados de março, como aposta do partido para a reeleição. Este já não é assim tão jovem, na verdade é como um “eterno jovem”, do alto de seus 64 anos não aparentados.
Mas em agosto Amaro decidiu não concorrer à Prefeitura da Serra. No mês seguinte, foi a vez de Meneguelli anunciar que não tentaria a reeleição em Colatina. E assim o Republicanos de repente viu-se desfalcado de duas de suas principais apostas eleitorais para crescer e ganhar terreno político nesse pleito municipal.
Ainda assim, após ter filiado muitos prefeitos em fim de mandato e articulado chapas por todo o interior do Estado, o partido conseguiu lançar quase 30 candidatos a prefeito, ficando atrás, nesse quesito, apenas do PSB, o partido que governa hoje o Estado, com seus 39 candidatos.
No 1º turno, o Republicanos foi bem, tendo conseguido eleger nove prefeitos no Espírito Santo. Mas, a bem da verdade, nenhum em uma cidade que enchesse os olhos pelo tamanho e importância econômica e política. A ausência de Amaro e Meneguelli no páreo fez falta. No 2º turno, contudo, o W.O. na Serra e em Colatina foi compensado com sobras pela vitória irrefutável de Pazolini na capital do Estado.
O partido assim não apenas completou dez prefeituras em solo capixaba (o seu número de urna). A chegada do Republicanos à Capital faz o grupo político abrigado no partido pular alguns degraus nessa rápida subida rumo a futuras eleições majoritárias estaduais (Senado e Palácio Anchieta). No cômputo geral, essa eleição deu um resultado excelente ao grupo de Erick, Roberto e Amaro, que sai dela muito fortalecido e, definitivamente, pode começar a sonhar mais alto no cenário político estadual.
Em entrevista concedida no dia 28 de outubro ao podcast Papo de Colunista, Meneguelli mencionou o próprio Erick como possível candidato ao governo do Estado em 2022, enquanto ele mesmo já não descarta disputar a vaga para o Senado.
Não é demais lembrar que, desde o início de 2017, com a chegada de Erick Musso à presidência da Assembleia (com o apoio do então governador Paulo Hartung), esse grupo político é quem dá as cartas no Poder Legislativo estadual. O cidadão comum não deve nem desconfiar, mas o jovem deputado é o segundo homem mais poderoso do Espírito Santo, do ponto de vista político.
Agora, com a chegada à Prefeitura de Vitória, esse mesmo grupo pode acumular o controle do Legislativo estadual com o do Executivo da Capital. Então perceba: não é que esse grupo tenha se encorpado, ganhado “musculatura política”... Ele ficou anabolizado!
Finda a eleição municipal, já começam os preparativos para outra que, a partir desse resultado em Vitória, passa a ser ainda mais importante para o grupo do governador Renato Casagrande: a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa no próximo biênio, que já é logo ali na esquina, em 1º de fevereiro.

IMPORTÂNCIA REDOBRADA

Essa eleição da Mesa Diretora, que já seria importantíssima para o governo em quaisquer circunstâncias, adquire agora gravidade ainda maior para Casagrande e seu núcleo político: pensando em 2022, talvez não lhe interesse tanto esse acúmulo de poder de um grupo ascendente que não é o dele, pelos próximos dois anos.
Por isso é possível que, dessa vez, o governador prefira entrar mais diretamente no processo para buscar emplacar um nome alternativo ao de Erick, em vez de novamente assistir à recondução do deputado de Aracruz à presidência, quase por aclamação, como em 2019.
Líder do governo Casagrande, o deputado Dary Pagung (PSB) já começa a se movimentar. Também muito aliado do governador, o coronel Alexandre Quintino (PSL) queimou a largada e, já no mês de março, declarou à coluna que é pré-candidato à presidência. Erick não revela interesse, mas negar a esta altura faz parte do jogo, e tudo indica que é candidatíssimo.
Até porque, falando em “queimar a largada”, Erick chegou a antecipar sua reeleição para 27 de novembro do ano passado, naquela votação muito polêmica e posteriormente revogada. Se, em novembro de 2019, já queria tanto ser o presidente no biênio 2021/2023, por que não haveria de ser candidato agora, disputando na data “normal”?
Por tudo isso, será especialmente interessante acompanhar como vai se posicionar o governo Casagrande nesse processo interno (mas nunca tão “interno” assim) da Assembleia, no decorrer de dezembro e janeiro.

PUXADOR DE VOTOS? NÃO, DO TRIO!

Para Erick, em especial, a vitória de Pazolini em Vitória foi muito importante e pode ser considerada uma vitória pessoal também para ele. O tamanho da importância que o presidente da Assembleia deu à eleição do colega pode ser medido por seu empenho pessoal na campanha.
Após ver a derrota de seu candidato, o vereador Alcantaro (PSD), em sua própria casa, Aracruz, Erick mergulhou de cabeça na campanha de Pazolini: em carretas pelas ruas de Vitória, era ele quem ia na frente, segurando o megafone e animando o cortejo.

GANHOU TAMBÉM EM CARIACICA

Em tempo: Erick acabou saindo com saldo bem positivo dessas eleições municipais, pois também ganhou com Euclério Sampaio (DEM), apoiado por ele desde o início do 1º turno, em Cariacica.

ERICK VAI A CASAGRANDE

Erick foi ao encontro de Casagrande nesta quinta-feira (3) e, por cerca de meia hora, conversou a sós com o governador, como publicou o colega Leonel Ximenes. Foi saudar o chefe do Executivo estadual por seu aniversário de 60 anos e lhe deu um presente (que parecia uma garrafa de vinho). Oficialmente, falaram sobre a pauta da Assembleia neste fim de ano, que ainda inclui a votação do orçamento estadual para 2021. Mas, de novo: a eleição da Mesa está aí.

PRESENTES E PRESENTES

Esse presente aí só não pode ter sido um de grego, como o regalado por Erick a Casagrande em 27 de novembro de 2019.

LIGAÇÕES HARTUNGOSAS 1

A influência de Paulo Hartung na vitória de Pazolini em Vitória manifesta-se na presença de antigos colaboradores do ex-governador na equipe e no núcleo de campanha do candidato; na presença de aliados históricos dele, como César Colnago (PSDB) e Lelo Coimbra (MDB), apoiando a candidatura do delegado; e agora, por exemplo, na presença de Aridelmo Teixeira (Novo) na equipe de transição do prefeito eleito.

LIGAÇÕES HARTUNGOSAS 2

Entre 2015 e 2018, Erick Musso foi “adotado” politicamente por Hartung, de quem chegou a ser vice-líder na Assembleia, de 2015 a 2016, até chegar à presidência da Casa com suas bênçãos. Roberto Carneiro foi secretário estadual de Esportes e chefe da Casa Civil de Hartung em seu último governo. Amaro por pouco não assumiu a Secretaria de Esportes no começo de 2017.

MARCELO SANTOS

Embora tenha excelente trânsito com o governador Renato Casagrande, o deputado Marcelo Santos (Podemos) também é muito bem entrosado com esse grupo que hoje controla a Assembleia e agora chega à Prefeitura de Vitória.

POLICENTRISMO

Ao que tudo indica, podemos estar diante do fim do “mundo bipolar” que dominou a política capixaba nos últimos anos, dividida entre Paulo Hartung e Casagrande, para ingressarmos em um sistema policêntrico, com três ou mais polos políticos coexistindo, enquanto equilibram e medem forças.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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