Conhecido por seu engajamento em causas sociais e pelos posicionamentos fortes expressados em artigos, entrevistas e até em missas, o padre Kelder Brandão realizou uma homilia com profundo viés político no culto celebrado por ele na manhã deste domingo (8), na paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé (bairro de baixa renda na região da Grande Maruípe, em Vitória).
Kelder afirmou que “os tempos do crime organizado no Estado não podem voltar”. E, sem citar nome algum, pediu aos fiéis para terem “muito cuidado com candidatos que se apresentam como nova política, mas que carregam o passado junto com eles, inclusive recebendo apoio de inimigos públicos da Igreja e da sociedade”. Também alertou para candidatos que, segundo ele, se apresentam como novo, mas “escondem o que há de pior na política”:
“Nós já vivemos no Estado tempos de desmandos e opressão com o crime organizado. Pra quem não se lembra, eram tempos em que determinados políticos se achavam acima do bem e do mal e passavam por cima da lei para benefícios próprios. Esse tempo não pode voltar”, disse aos fiéis o padre, que também é vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória. E prosseguiu:
“Às vezes um candidato se apresenta como novo, mas esconde atrás da cara de novo o que existe de mais velho e pior na política brasileira. Então vamos pesquisar sobre o perfil do candidato, quem o apoia, quais as consequências de sua eleição? Isso é muito importante. É preciso ter muito cuidado com candidatos que se apresentam como nova política, mas que carregam o passado junto com ele, inclusive, recebendo apoio de inimigos públicos da Igreja e da sociedade”.
Como se vê, a escalada de tensão na campanha a prefeito de Vitória chegou até à Igreja Católica. E justamente em um bairro situado no coração da ilha, aos pés de morros como o do São Benedito, o da Penha e o do Bonfim.
EM VITÓRIA, DEBATES DESFALCADOS
Na Capital, a propósito, algumas entidades têm promovido debates virtuais entre os candidatos a prefeito. Mas, em alguns dos últimos, os candidatos Gandini (Cidadania) e Pazolini (Patriota), que vêm protagonizando uma briga à parte, não compareceram, avisando à organização em cima da hora. Na certa estão evitando o confronto direto, neste momento crítico da campanha. Mas avisar com antecedência não custa.
MENEGUELLI DEFENDE PAZOLINI
Enquanto isso, o prefeito pop star de Colatina, Sérgio Meneguelli, gravou um vídeo de um minuto defendendo Pazolini de acusações por parte da campanha de Gandini. Ele e Pazolini são do mesmo partido, o Republicanos.
GANDINI DÁ ATESTADO
Já a campanha de Gandini exibe até o atestado médico liberando-o para sair da quarentena, após ter sido infectado pelo novo coronavírus. Conforme se lê, o candidato está liberado para "seus afazeres laborais". Mas, no caso concreto, são "afazeres eleitorais" mesmo. Neste domingo, ele já foi para o trio elétrico.
"CAMPANHA SUJA"
Ainda em Vitória, a propaganda eleitoral do engenheiro Halpher Luiggi (PL) está lembrando um pouco o rock “Bichos Escrotos”, do grupo Titãs, ou o antológico desfile da escola de samba Beija-Flor, “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia”, dirigido por Joãozinho Trinta em 1989. Após ter aparecido num lixão no primeiro programa, o candidato já destacou um amontoado de lixo em frente a uma unidade de saúde e ratazanas em close, andando perto de um local onde estavam deitados moradores em situação de rua.
A GAFE DE LELO
Apoiador de Pazolini em Vitória, o ex-deputado federal Lelo Coimbra (MDB) disparou para seus contatos pelo Whatsapp, no início da tarde deste domingo, uma mensagem pedindo voto para o candidato do Republicanos. Mas a mensagem foi acompanhada por um vídeo bem negativo e depreciativo sobre Pazolini, certamente produzido e distribuído por adversários. Lelo logo percebeu a gafe, apagou o vídeo e substitui-o por uma foto da campanha do próprio Pazolini.
O MDB compõe a coligação do delegado em Vitória. Na prática, Lelo segue dirigindo a legenda no Espírito Santo, enquanto a Executiva Estadual permanece tecnicamente sob o comando de uma comissão interventora designada pela Executiva Nacional.
PISCA-PISCA
A campanha eleitoral em Vitória foi ficando tão tensa que até um “piscar de olhos” virou uma “pequena polêmica”. Nas redes sociais – e até em um dos programas de rádio de João Coser (PT) –, Gandini tem sido gozado por adversários por, frequentemente, ficar muito tempo sem piscar quando está discursando ou dizendo textos em sua propaganda de TV. Meio que incorporando a brincadeira, a campanha do deputado estadual produziu uma vinheta em que ele aparece piscando demoradamente, num "efeito visual".
É mais ou menos a lógica da torcida do Flamengo: chamados de “mulambos” ou “favelados” por rivais, os torcedores rubro-negros passaram a gritar “Festa na favela!” quando o time vence. Gandini é flamenguista, a propósito.