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Curtas Políticas

Pazolini "leu entrevista" de Coser e "seguiu conselho" do adversário

E mais:  os grandes vencedores das eleições municipais no ES sem terem disputado nenhum cargo; Cidadania ganhou, mas perdeu; os vudus de José Carlos Gratz; e o que muda com a troca na Câmara de Vidigal por Neucimar

Publicado em 12 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

12 dez 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Pazolini
Pazolini "leu" Coser Crédito: Amarildo
A coluna deste sábado (11) traz algumas considerações finais sobre as eleições municipais no Espírito Santo. A primeira delas: o prefeito eleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pelo visto leu a entrevista concedida à coluna pelo ex-prefeito João Coser (PT), adversário derrotado por ele no 2º turno, publicada aqui no dia 13 de junho. Não só “leu a entrevista” como fez, no auge da campanha, exatamente o que o petista aconselhou. Na ocasião, questionado por mim sobre a possível influência que teria o presidente Jair Bolsonaro nas disputas municipais, Coser manifestou a seguinte opinião:
“Acho que colar uma candidatura na imagem do Bolsonaro é um desserviço à sociedade e à própria candidatura, porque não tem da parte dele gestos que você possa defender com dignidade. Em vez de comida, ele dá armas. Em vez de proteção ambiental, dá desmatamento. Em vez de vacina, dá cloroquina. Só defende o Bolsonaro quem é radicalmente de extrema-direita, e então é cego, ou quem não tem formação e não parou para pensar no que realmente significam as medidas do governo dele. É um negócio maluco! Ainda tem defensores. Trinta por cento não é pouco num projeto. Mas, nos outros 70%, há matizes de centro, de centro-esquerda e centro-direita. E aí os eleitores vão optar por um projeto local. O debate se dará em torno das questões locais e do que fazer para melhorar a vida das pessoas na cidade de Vitória. Não acredito que será uma campanha nacionalizada. Se ele estivesse bombando, muita gente ia colar nele como quando ele era candidato e estava fazendo sucesso, como fizeram os governadores do Rio, de Minas e de São Paulo [em 2018]. Mas, de lá para cá, no governo, ele só fez bobagem. Se você perguntar hoje, não acredito que algum candidato vai querer Bolsonaro no seu palanque não.”
João Coser perdeu a eleição (e o PT, de resto, foi muito mal), mas é preciso reconhecer: nessa previsão, ele acertou em cheio. Não só no Espírito Santo como no Brasil inteiro, os resultados colhidos por candidatos “que colaram na imagem do Bolsonaro” foram péssimos. Em Vitória, no início de novembro, na reta final do 1º turno, pesquisa Ibope/Rede Gazeta mostrou Bolsonaro avaliado como ruim ou péssimo para mais da metade dos entrevistados na cidade de Vitória.
E o que é mais importante: “seguindo o conselho” de Coser, Pazolini não deixou Bolsonaro “subir” de jeito nenhum em seu palanque. Evitou que a eleição em Vitória fosse “nacionalizada”. Não permitiu que a polarização ideológica substituísse “o debate em torno das questões locais”. E se esquivou como pôde das estratégias adversárias de associá-lo ao bolsonarismo e a aliados do presidente, como Damares Alves e Magno Malta.
Deu certo.

OS VENCEDORES INDIRETOS

Sem terem disputado nenhum cargo eletivo, três políticos capixabas podem ser considerados os grandes vencedores das eleições municipais no Espírito Santo.
Presidente estadual do Podemos e da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), o ainda prefeito de Viana, Gilson Daniel, conseguiu eleger com folga o seu afilhado político, Wanderson Bueno (Podemos), em sua cidade; foi o patrono e grande fiador da exitosa candidatura do vereador Arnaldinho Borgo (Podemos) em Vila Velha; e ainda foi um dos principais apoiadores da bem-sucedida campanha do deputado estadual Euclério Sampaio (DEM) a prefeito de Cariacica. Pode pedir música no Fantástico.
Também filiado ao Podemos, o deputado estadual Marcelo Santos viu o triunfo de muitos candidatos a prefeito apoiados por ele pelo interior do Estado e, notadamente, em sua cidade, Cariacica, com Euclério. Quebrou, assim, a sua fama de pé-frio, após ter perdido três eleições seguidas a prefeito da cidade.
O deputado federal Josias da Vitória – que nutre planos de concorrer ao Senado em 2022 – foi o principal responsável pela expansão do número de prefeituras no Espírito Santo comandadas por seu partido, o Cidadania, onde ingressou em 2018. Em novembro, o partido elegeu os prefeitos de nove municípios capixabas (todos do interior). A maioria deles, com o apoio direto de Da Vitória.
O deputado, assim, salvou-se dentro do Cidadania, cujo presidente estadual, Fabrício Gandini, apoiado pelo prefeito de Vitória, Luciano Rezende, não chegou ao 2º turno na disputa na Capital. Em Cariacica, o prefeito Juninho, também do partido, termina o segundo mandato mal avaliado – tanto que, ao menos oficialmente, não declarou apoio a nenhum candidato à própria sucessão.

CIDADANIA CRESCE… MAS DIMINUI

A propósito do Cidadania (antigo PPS), o partido, em 2012, só fez dois prefeitos no Espírito Santo. Na eleição municipal seguinte, em 2016, o resultado repetiu-se. Agora, salta para nove. Mas é preciso matizar esse aparente “crescimento” da agremiação no Estado, pois os números podem ser enganosos.
Tanto em 2012 como em 2016, as duas únicas prefeituras conquistadas pelo Cidadania foram, justamente, duas das mais cobiçadas: Cariacica e Vitória. Hoje, só à frente dessas duas cidades, o partido governa 750 mil munícipes no Espírito Santo. A partir de janeiro, com suas nove novas prefeituras (Águia Branca, Aracruz, Conceição do Castelo, Dores do Rio Preto, Governador Lindenberg, Jaguaré, Piúma, Pinheiros e Venda Nova do Imigrante), passará a governar uma população total de cerca de 250 mil habitantes.
Assim, mesmo quase quintuplicando o número de prefeituras em solo capixaba, o partido governará três vezes menos pessoas. É isso.

SAI OPOSITOR; ENTRA BOLSONARISTA

A partir de janeiro, o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT), prefeito eleito da Serra, dará seu lugar na Câmara Federal a seu 1º suplente, Neucimar Fraga (PSD). Tendo em vista o perfil da representação, essa está longe de ser uma troca de seis por meia-dúzia. Basicamente, o governo Bolsonaro ganha um aliado no Congresso. Não que Vidigal fosse de fazer pessoalmente uma oposição ferrenha, mas seu partido, o PDT, está na oposição ao governo federal.
Por sua vez, Neucimar é um apoiador convicto do governo Bolsonaro e seu partido, o PSD, expoente do Centrão, ingressou neste ano na base e no 1º escalão do governo, com direito ao comando do Ministério das Comunicações, recriado pelo presidente especialmente para agradar e abrigar o partido de Gilberto Kassab. O ministro é o deputado federal licenciado Fábio Faria, genro do apresentador de TV e empresário Silvio Santos.

OS VUDUS DE GRATZ

É bom sempre deixar claro: o ex-deputado José Carlos Gratz jamais me disse que apoiava Pazolini em Vitória, tampouco Arnaldinho Borgo em Vila Velha. Mas, em sua entrevista publicada por mim no dia 31 de outubro, ainda no 1º turno, deixou muito claro que fazia campanha contra o PT (João Coser) em Vitória e, principalmente, contra o prefeito Max Filho (PSDB) em Vila Velha.
Os vuduzinhos de Gratz funcionaram.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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