Em entrevista ao podcast Papo de Colunista nesta quarta-feira (9), o prefeito eleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), fez manifestações de profundo respeito pelo ex-governador Paulo Hartung (sem partido), mas garantiu que o seu caminho é de plena autonomia em relação a ele: “O nosso trabalho é autônomo”. Em outras palavras, Pazolini assegura que ele e o grupo que chega com ele à prefeitura não são politicamente subordinados a Paulo Hartung, apesar dos aliados em comum em sua campanha eleitoral em Vitória e, agora, em sua equipe de transição. E não são poucos aliados em comum.
São muitos os sinais que levam grande parte do mercado político a especular que o ex-governador possa ter sido, à distância, um discreto apoiador e incentivador da exitosa campanha de Pazolini na Capital.
No fim do ano passado, o deputado estadual esteve em um endereço pessoal da família de Hartung, em Vitória, conversando pessoalmente com ele. Na oportunidade, Pazolini contou à coluna que Hartung o convidou para conversar com ele sobre a conjuntura política.
Na eleição municipal, o delegado e deputado do Republicanos contou com o apoio eleitoral de aliados históricos de Hartung, como César Colnago (PSDB) e Lelo Coimbra (MDB), que foram vice-governadores dele. O coordenador de sua campanha e presidente estadual de seu partido, Roberto Carneiro, foi secretário de Esportes e chefe da Casa Civil no último governo de Hartung (2015/2018) e agora faz parte da equipe de transição de Pazolini.
O coordenador do plano de governo de Pazolini, agora também integrante de sua equipe de transição, foi Marcelo de Oliveira, secretário estadual de Desenvolvimento Urbano no último ano da última administração de Hartung (2018). A assessora de imprensa da campanha foi a jornalista Valéria Morgado, que também assessorou Hartung em sua campanha de retorno ao Palácio Anchieta em 2014, além de ter trabalhado na Superintendência de Comunicação do Estado durante o último governo.
Também na equipe de transição de Pazolini, há outros três antigos colaboradores de Hartung: a economista Andrezza Rosalém foi diretora-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves e secretária estadual de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social no último governo; o empresário e professor Aridelmo Teixeira (Novo) ajudou Hartung a estruturar o programa Escola Viva e por pouco não se tornou seu secretário de Educação. O advogado Henrique Herkenhoff foi secretário estadual de Segurança Pública em parte do primeiro governo de Casagrande (2011/2014), mas esteve mais próximo de Hartung na campanha de 2014.
Há, ainda, algumas curiosidades: após disputar sem sucesso o cargo de vice-prefeito no município de São José do Calçado, José Carlos da Fonseca Neto (PSD) apoiou voluntariamente Pazolini no 2º turno em Vitória, participando de atos de rua e fazendo posts em suas redes sociais. Ele é filho do diplomata José Carlos da Fonseca Junior (PSD), que foi chefe da Casa Civil e principal articulador político no último governo de Hartung e, atualmente, trabalha com o ex-governador na Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).
No último sábado, a equipe de transição de Pazolini assistiu a uma palestra do professor e economista Bruno Funchal, hoje secretário do Tesouro Nacional, mas secretário estadual da Fazenda durante parte do último governo de Hartung.
AS MANIFESTAÇÕES DE PAZOLINI
Por esse conjunto de fatores, perguntamos a Pazolini, de modo bem objetivo: ainda que informalmente, o ex-governador o apoiou e colaborou na sua campanha? É um conselheiro político? Se não é, como explicar tantas coincidências?
Pazolini reiterou sua autonomia política e ressaltou que está buscando se cercar dos melhores quadros disponíveis nas respectivas áreas, independentemente de já terem colaborado com governos passados:
“Eu tenho muito respeito pelo governador Paulo Hartung e pelo legado que ele deixou no Espírito Santo, pela reconstrução das instituições. Mas, efetivamente, nós caminhamos num caminho de autonomia. O que nós fizemos? Juntamos e estamos tentando agrupar e convidar pessoas que tenham uma boa construção de ética, de retidão e de técnica no Espírito Santo, independentemente de qualquer histórico partidário ou de ter servido ao governo A, B, C ou D. Um exemplo: o doutor Henrique [Herkenhoff] foi secretário do governo de Renato Casagrande. Então, assim, não há nenhuma dificuldade de construção. Temos outras pessoas que nos auxiliam e nos dão ideias que também já estiveram no primeiro, no segundo escalão... Isso para nós é independente.”
O prefeito eleito ainda reiterou o seu compromisso em unir a cidade de Vitória:
“O que eu disse e mantenho aqui é que o meu trabalho como gestor da prefeitura é unir esta cidade e ouvir as pessoas que queiram contribuir. E é o que eu tenho feito, diuturnamente, desde o dia do resultado da eleição [29 de novembro]. Procurei no mercado e procurei nos setores pessoas que quisessem colaborar, que tenham um legado positivo obviamente e que tenham uma história de vida de competência, de firmeza, uma história limpa de ética, retidão e honestidade. E que tenham expertise em suas respectivas áreas. Esse é o nosso caminho. Respeito muito o governador pelo seu trabalho de reconstrução. Ninguém exerce tantos mandatos à toa. Ele tem o reconhecimento popular. Nunca perdeu uma eleição [em oito disputas]. Mas o nosso trabalho é um trabalho autônomo. É de construção coletiva da cidade.”