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Vitor Vogas

Pesquisa Quaest: a gangorra de Ricardo e Pazolini na disputa a governador do ES

Novo levantamento eleitoral para a Rede Gazeta contém um pacote de boas notícias para o atual governador, que cresce em várias frentes, enquanto Pazolini estaciona. Hartung alcança bons resultados e se prova competitivo. Coluna interpreta os dados

Publicado em 16 de Julho de 2026 às 17:38

Públicado em 

16 jul 2026 às 17:38
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini são pré-candidatos ao Governo do Estado
Ricardo Ferraço e Lorenzo Pazolini são pré-candidatos ao Governo do Estado Arte AG

A segunda pesquisa eleitoral da série da Quaest para a Rede Gazeta sobre o cenário eleitoral do Espírito Santo reúne um pacote de boas notícias para Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato à reeleição.

Os resultados do atual governador melhoraram em quase todas as frentes desde a primeira pesquisa da série, publicada em abril – portanto, desde que ele assumiu o lugar de Renato Casagrande (PSB) no Palácio Anchieta e passou a ter nas mãos a máquina pública estadual. Não pode ser mera coincidência.


Ricardo chega ao umbral do período oficial de campanha consolidado como um candidato competitivo, o que não quer dizer, de modo algum, que possa ser considerado favorito, muito menos que há de ter vida fácil durante a campanha, numa disputa aberta e imprevisível. Mas chega em viés de alta.


O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), segue firme no encalço do governador, como seu principal desafiante. Em um dos quatro cenários de 1º turno testados, os dois estão tecnicamente empatados. Mas, ao longo dos últimos dois meses e meio, Pazolini praticamente estagnou, enquanto Ricardo cresceu matematicamente em todos os cenários simulados de intenção de voto. Eis o ponto central e a melhor notícia fornecida pela Quaest ao emedebista.


Na simulação de confronto direto entre Ricardo e Pazolini no 2º turno, havia, em abril, empate técnico. Ricardo tinha 32% das intenções estimuladas de voto, contra 31% de Pazolini. Agora, o governador chega a 43% das intenções, ante 30% do ex-prefeito.

Em menos de três meses, no mano a mano, Ricardo melhorou o próprio desempenho em 11 pontos percentuais, enquanto Pazolini caiu um (dentro da margem de erro da sondagem, que é de 3,0 pontos para mais ou para menos). A vantagem de Ricardo subiu 12 pontos percentuais, chegando agora a 13.

Logicamente esta é só uma hipótese, mas parece muito provável que tal crescimento se explique pelo “efeito gangorra” que beneficiou Ricardo nos últimos 105 dias (desde que ele recebeu de Casagrande a faixa), em desfavor de Pazolini.

Imagine Ricardo e Pazolini brincando de gangorra dentro de uma vitrine. O público os vê da calçada.

Basicamente, por força da legislação eleitoral, um deles precisou “descer”, enquanto o outro conseguiu “subir” aos olhos do público.


Para poder ser candidato a governador, Pazolini foi obrigado a renunciar à segunda maior vitrine política do Espírito Santo: o cargo de prefeito de Vitória. Enquanto isso, também por imposição legal, Casagrande precisou renunciar para poder concorrer ao Senado. Assim, Ricardo pôde ascender ao cargo de governador, passando a ocupar nada menos que a maior vitrine política do Estado.

Sem cargo nem mandato eletivo, Pazolini não sumiu de cena. Desde que passou o bastão para Cris Samorini (PP) em Vitória, tem se dedicado a uma intensa agenda de compromissos de pré-campanha, na Região Metropolitana e pelo interior. Nada que se compare, porém, à projeção naturalmente proporcionada pela agenda oficial que ele mantinha como prefeito da Capital.


Por sua vez, nesses últimos três meses e meio – hiato entre sua posse e o início do período de convenções –, Ricardo desfrutou dias de superexposição.


Aproveitando ao máximo o controle da máquina estadual e a agenda de governador, lançou-se em verdadeira maratona de eventos, entregas e anúncios, não raro visitando mais de um município por dia e levando alguns colaboradores a brincar, à boca pequena, que passaram do “pique do Casão” para o “pique do Ricardão”.


Integrantes do governo atestam que um governador workaholic deu lugar a outro “ainda pior” e que Ricardo já entrou acelerando ainda mais que seu antecessor. Pudera. Ele sabia não ter tempo a perder. Precisava mesmo tirar o máximo proveito dessa “vantagem” propiciada a ele pela legislação eleitoral. Eram os poucos meses de “frente” de que ele dispunha.

Com a campanha oficialmente deflagrada, daqui a precisamente um mês, as regras deixarão o jogo muito mais equilibrado. Se conseguir mesmo atrair para sua coligação o PL – e, sobretudo, se ainda mantiver o PSD –, Pazolini terá possivelmente um tempo de propaganda tão grande quanto o de Ricardo. A luta se dará em condições mais iguais.  

Os números positivos para Ricardo

Para o 1º turno, a Quaest simulou quatro cenários estimulados. Em todos eles, Ricardo cresce matematicamente (de 4,0 a 6,0 pontos, dependendo da simulação). Por sua vez, Pazolini cresce precisamente 1,0 ponto percentual nos quatro. Como dito acima, estacionou.


Naquele que consideramos o principal cenário testado – porque mais factível neste momento –, Ricardo amplia sua vantagem sobre Pazolini de oito para 12 pontos.


Trata-se do cenário que exclui da cédula o nome do senador Magno Malta (PL) e o do ex-governador Paulo Hartung (PSD). A disputa, assim, fica restrita a Ricardo, a Pazolini e ao deputado federal Helder Salomão (PT).


Nesse quadro, em abril, Ricardo era apontado por 32% dos entrevistados. Pazolini tinha a preferência de 24%, e Helder, a de 9%.


Agora, Ricardo atinge 37% das menções, contra 25% de Pazolini e 11% de Helder.


Matematicamente, a vantagem do governador sobre o ex-prefeito ampliou-se de 8,0 para 12,0 pontos.

Potencial de votos

Há ainda um dado muito importante (talvez o mais importante de todos) no tópico “conhecimento, potencial de voto e rejeição para governador”.

Tanto em abril como agora, a Quaest perguntou aos entrevistados se eles conhecem e votariam em Ricardo (potencial de voto), se não o conhecem (desconhecimento) ou se o conhecem e não votariam nele (rejeição).


De uma sondagem para a outra, a rejeição de Ricardo permanece rigorosamente a mesma: 31%.  


Já o percentual de eleitores que não conhecem Ricardo, no mesmo período, caiu de 32% para 24%, enquanto o de eleitores que o conhecem e votariam nele subiu de 37% para 45%.

Portanto, o “conheço e votaria” subiu 8 pontos percentuais, e esses 8 pontos migraram diretamente da categoria “não conheço”.


A primeira conclusão, evidente, é que Ricardo se tornou mais conhecido pelo eleitorado capixaba desde que virou governador.


Adicionalmente, podemos inferir que, durante esse período, quem passou a conhecer Ricardo passou a dizer que votaria nele. Isso, é claro, numa simplificação extrema, já que a Quaest obviamente não entrevistou os mesmos eleitores.

As boas notícias para Pazolini

A má notícia para Pazolini é que ele vê seu principal concorrente crescer, enquanto ele mesmo não avançou.

Já a primeira boa notícia para ele pode ser a mesma, porém vista por outro prisma. Se o ex-prefeito quiser considerar o copo meio cheio, essa sua “estagnação” pode ser lida como “consolidação”. Ora, se é verdade que ele não cresceu um milímetro, também é certo que não decresceu.


Mesmo com todo esse tempo na planície, o pré-candidato do Republicanos chega à antessala das eleições em posição mais que competitiva. Viu, é certo, seu rival acelerar, mas longe de se desgarrar e sair do seu campo de visão. Ricardo continua a seu alcance, a vantagem é reversível e Pazolini segue firme, bem posicionado, em seu retrovisor.


A segunda boa notícia para o ex-prefeito é que, entre todos os potenciais competidores, ele segue sendo o que atrai a menor rejeição do eleitorado capixaba. Esta até caiu um pouco, dentro da margem de erro, de 23% para 21%.

Além disso, o eleitorado capixaba mostra ainda ter um alto grau de desconhecimento em relação a Pazolini. Nada menos que 45% dos 804 entrevistados disseram não conhecer o ex-prefeito (que dirá sua pré-candidatura...).

Potencialmente, isso lhe proporciona um considerável espaço para crescimento no decorrer da campanha eleitoral – com a vitrine eletrônica da propaganda de rádio e TV, a campanha nas redes sociais e, como dito, condições mais niveladas.  

E Paulo Hartung? Olho nele... 

Comendo pelas beiradas, o ex-governador Paulo Hartung, como Ricardo, encontra um combo de boas notícias para si mesmo na pesquisa.

Assim como na rodada de abril, a pesquisa da Quaest prova que o recall político do ex-governador está preservado.

No único dos quatro cenários em que Hartung teve o nome incluído, ele desponta na liderança, com os mesmos 19% que alcançou em abril, tecnicamente empatado com Ricardo Ferraço (21%) e com Pazolini (19%). Na mesma simulação, Magno Malta é apontado por 12%. Helder, por 8%.

Já no quesito “potencial de voto”, Paulo Hartung é quem obtém o melhor resultado. O índice de eleitores que o conhecem e votariam nele já era alto em abril: 43%. Agora, subiu ainda mais, chegando a 49%.

São números certamente animadores para o ex-governador, caso ele decida reavaliar a própria rota nesse pleito. Em se tratando de Paulo Hartung, não é possível duvidar de surpresas... Necessário, porém, ressaltar que o próprio Hartung, em entrevistas – inclusive a este colunista –, já afirmou e reafirmou seu apoio a Pazolini para governador.

Além disso, o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, já anunciou apoio a Pazolini, e o PSD tem o pré-compromisso de se coligar com o Republicanos no Espírito Santo... pelo menos, até segunda ordem. 

O torneio ainda é outro... 

Aqui acabamos de ler e interpretar a pesquisa Quaest com o devido destaque aos principais cenários estimulados... mas verdade seja dita: o levantamento revela, antes de tudo, que o eleitor em geral ainda está longe, bem longe, de parar para prestar atenção ao processo eleitoral.

Na intenção de voto espontânea, em abril, 86% dos entrevistados se diziam indecisos. Agora, ainda são 76%. Arredondando, sem ter acesso a uma lista, só um em cada quatro eleitores capixabas já escolheram seu candidato a governador.

Esperemos que acabe a Copa do Mundo, a conferir se as atenções se voltarão para o campeonato político estadual. 


Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07211/2026.

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Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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