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Eleições 2020

PP de Marcus Vicente pode apoiar Sérgio Sá para prefeito de Vitória

Integrante do bloco liderado por Casagrande, Progressistas pode reforçar a coligação do vice-prefeito na Capital, se candidatura de Luiz Paulo não vingar. Em Viana, Cariacica e Serra, não abre mão de lançar candidato. Veja os planos do partido pelo ES

Publicado em 09 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

09 jul 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Marcus Vicente, presidente regional do PP, está propenso a levar o partido para a coligação do vice-prefeito Sérgio Sá
Marcus Vicente, presidente regional do PP, está propenso a levar o partido para a coligação do vice-prefeito Sérgio Sá Crédito: Amarildo
Comandado no Espírito Santo pelo ex-deputado federal Marcus Vicente, o Progressistas (PP) já traçou as suas estratégias e prioridades para as eleições municipais de novembro no Espírito Santo. Hoje, segundo Vicente, o partido prioriza a eleição a prefeito de Viana, com o vereador Cabo Max, em Cariacica, com o médico Helcio Couto, e na Serra, com a dentista Luciana Malini. Já na sucessão de Luciano Rezende, em Vitória, o partido pode fazer um movimento ousado: apoiar o atual vice-prefeito, Sérgio Sá, pré-candidato a prefeito pelo PSB, partido do governador Renato Casagrande.
Na Capital, a decisão irrevogável da direção do PP, declarada por Vicente desde 2019 e reafirmada agora por ele à coluna, é não reeditar a aliança de 2016 com o partido de Luciano, o Cidadania (ex-PPS). Isso significa não apoiar o candidato de Luciano à sucessão, o deputado estadual Fabrício Gandini (também do Cidadania). Tomada essa decisão, o PP enxerga hoje dois caminhos, de acordo com seu presidente regional.
O primeiro é apoiar eventual candidatura do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), mas apenas se o nome do tucano figurar mesmo nas urnas, o que hoje soa muito improvável. Para conseguir viabilizar a própria candidatura, o tucano precisaria superar dois óbices: um de ordem legal e outro de ordem político-partidária. Condenado em segundo grau numa ação judicial, Luiz Paulo tenta reverter a decisão no STJ, mas hoje, à luz da Lei da Ficha Limpa, estaria inelegível, correndo alto risco de ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.
Além disso, Luiz Paulo não controla atualmente o PSDB estadual, presidido pelo deputado estadual Vandinho Leite, que, ao contrário do ex-prefeito, faz oposição ao governo Casagrande. Para ser candidato, o ex-prefeito precisaria ter o nome referendado em convenção da Executiva Municipal do PSDB, agora postergada para setembro. Em Vitória, a Executiva é presidida pela vereadora Neuzinha de Oliveira, que também se declara pré-candidata.
Assim, de acordo com Marcus Vicente, o PP já tem um plano B na Capital (que pode prontamente virar o plano A): engrossar a coligação majoritária que será liderada pelo vice-prefeito Sérgio Sá (PSB). Faz sentido, até porque o PP foi um dos primeiros partidos a aderir à candidatura de Casagrande em 2018 e hoje é um dos principais partidos da base do governo do socialista no Espírito Santo.
Os progressistas estão alojados em muitos cargos na máquina estadual. O próprio Marcus Vicente é, desde o início do governo, o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano. O presidente do PP em Vitória, Marcos Delmaestro (que conduz pessoalmente as articulações da sigla na Capital), é o subsecretário da Casa Civil. Em suma, o PP está integradíssimo ao movimento político mais amplo liderado no Estado pelo governador (portanto, pelo PSB de Sérgio Sá). Por esse prisma, o apoio dos progressistas a Sá soa até natural.
No momento, há um crescente movimento de partidos que orbitam o governo Casagrande para fortalecer a pré-candidatura do vice-prefeito. Diferentemente do que seria, por exemplo, uma candidatura de Sergio Majeski (PSB), o xará Sérgio Sá larga pequeno, com baixo recall político. Mas pode compensar isso, pelo menos parcialmente, com uma coligação forte que lhe dê a musculatura política que hoje falta a ele pessoalmente. Na prática, Sá precisa agregar partidos fortes. O Palácio Anchieta trabalha para isso. E é nesse mesmo movimento que se encontra o PP de Marcus Vicente.

VIANA E CARIACICA

Em Viana e Cariacica, o PP não abre mão das candidaturas de Cabo Max e de Helcio Couto, respectivamente. Quer governar uma cidade da Grande Vitória e em Viana, principalmente, acredita ter plenas condições de chegar à prefeitura. O PP sonha com o apoio do Palácio Anchieta a seu candidato na cidade, até como “compensação” pela lealdade a Casagrande desde que ele estava na planície.

DIFICULDADES PARA CABO MAX

Mas esse apoio explícito do governador ao candidato do PP soa pouco provável por dois motivos. O prefeito de Viana, Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, também é aliado forte do governador e deve lançar um candidato próprio, que represente sua gestão na cidade, à qual Cabo Max faz oposição local. Casagrande não deve entrar nessa dividida, mantendo a neutralidade na cidade.

PERFIL DE DIREITA

Além dessa questão pragmática, o que pode dificultar esse apoio esperado pelo PP é o perfil político do próprio Cabo Max, mais alinhado com a direita bolsonarista que se opõe ao governo Casagrande (embora o vereador, pessoalmente, seja parceiro).

VILA VELHA: CARRETA

Já em Vila Velha, o PP está com outro Max. Em dezembro de 2019, o partido filiou o vice-prefeito, Jorge Carreta (ex-Avante), e espera repetir com Max Filho (PSDB) a vitoriosa parceria da dupla em 2016, rumo à reeleição.

SERRA: LUCIANA MALINI

Na sucessão de Audifax Barcelos (Rede), o PP tem a pré-candidatura da dentista Luciana Malini. Mulher do ex-vereador e ex-deputado estadual Jamir Malini, ela já foi secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres na atual gestão de Audifax e na anterior. Vicente diz que o partido manterá a candidatura, apostando na renovação política e na representatividade feminina. Mas, na avaliação do colunista, é possível que o PP acabe compondo na Serra com outro candidato, devido às chances limitadas de vitória.
Isso por causa da polarização dos últimos 12 anos entre Audifax e Sérgio Vidigal (PDT), além da provável candidatura do deputado federal Amaro Neto (Republicanos), campeão de votos para a Assembleia Legislativa em 2014 e para a Câmara dos Deputados em 2018.

OUTROS MUNICÍPIOS

Em todo o Espírito Santo, de acordo com Marcus Vicente, o PP pretende lançar candidato próprio a prefeito em 33 dos 78 municípios, além de 25 candidatos a vice-prefeito. Assim, quer estar em chapa majoritária em 58 cidades. Também planeja lançar chapa de vereadores em 66 municípios. O partido tem capilaridade.

O SUCESSOR DE VICENTE JÁ FOI UNGIDO

Com procuração dada por Vicente, o presidente do PP em Vitória, Marcos Delmaestro, conhecido no meio político como Marquinhos, já é quem fala em nome do partido para além das divisas da Capital. Vicente já o ungiu como sucessor e está preparando o pupilo para assumir em breve a presidência regional do partido.

COMO NA FEDERAÇÃO DE FUTEBOL

O ex-deputado segue a mesma estratégia que adotou para passar o bastão na presidência da Federação de Futebol do Espírito Santo: após presidir a entidade por muitos anos, foi dando cada vez mais protagonismo ao seu escolhido para sucedê-lo, Gustavo Vieira, até que Vieira assumiu oficialmente o cargo.

QUEM É O PP???

Atualmente um dos mais fortes representantes do Centrão no Congresso e recém-integrado ao governo Bolsonaro, o PP é um partido de direita. Curiosamente, apoiou os governos Lula Dilma, do PT, e comprometeu-se bastante no esquema do petrolão (Paulo Roberto Costa era da “cota” do partido na Petrobras).

DESCENDENTE DA ARENA

Na genealogia dos partidos brasileiros, o PP descende em linha reta da Arena, sigla que representava o governo durante a ditadura militar e dava sustentação ao regime. Com o fim do bipartidarismo implantado pela ditadura, o Partido Democrático Social (PDS) foi o sucessor direto da Arena. Em 1993, mudou de nome para PPR, que virou PPB em 1995, depois Partido Progressista (PP) em 2003 e, desde 2017, apenas Progressistas.

O DESARRANJO COM LUCIANO

Até hoje não superado, o desentendimento de Marcus Vicente com Luciano Rezende deita raízes na coligação formada em torno de Casagrande na eleição estadual de 2018. Como reportamos aqui na época, tem a ver com a escolha da vice na chapa majoritária. Uma das pernas da coligação com candidatos a deputado federal reunia o PP, o Cidadania e outros partidos. Vicente, que tentava a reeleição nessa chapa, considerava essencial a presença de Lenise Loureiro (Cidadania), candidata de Luciano, na mesma.

VICENTE PÔS O PÉ NA PORTA

Lenise acabou sendo mesmo candidata a deputada federal (com votação modesta). Mas por um triz não se tornou candidata a vice-governadora ao lado de Casagrande, indicada pelo partido do prefeito de Vitória. Na última hora, Vicente colocou o pé na porta e não aceitou esse arranjo entre Luciano e Casagrande.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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