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Entrevista: Alberto Gavini

Presidente estadual do PSB diz que prioridade segue sendo reeleição de Casagrande

Apesar de direção nacional do PSB cogitar lançar Casagrande à Presidência, Alberto Gavini afirma que preocupações do partido no Estado se mantêm, nesta ordem: governar e reeleger o governador em 2022

Publicado em 05 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Da esquerda para a direita: Carlos Siqueira, Renato Casagrande e Alberto Gavini
Da esquerda para a direita: Carlos Siqueira, Renato Casagrande e Alberto Gavini Crédito: Amarildo
Presidente estadual do PSB, Alberto Gavini afirma que, apesar da vontade da direção nacional do partido de apresentar (ou testar) o nome de Renato Casagrande como pré-candidato à Presidência da República, a prioridade do PSB no Estado continua sendo, nesta ordem, governar bem o Espírito Santo e reeleger o governador em 2022.
“A nossa preocupação primeira, e aí digo pelo governador e pelo PSB do Espírito Santo, é cuidar do Estado. A segunda é a nossa reeleição, para podermos continuar esse projeto importante que temos no Espírito Santo.”
Gavini admite que Casagrande não era o primeiro nome da direção nacional do PSB como possível candidato da sigla à Presidência, mas que o governador foi se qualificando ao longo das discussões internas, não só pela avaliação do seu governo, mas por sua história e seus relacionamentos dentro do partido. O momento do anúncio, no entanto, pegou à direção estadual de surpresa, conforme deixa escapar o dirigente.
“Essa iniciativa não foi do Renato. Foi do PSB nacional e do presidente nacional, Carlos Siqueira. Ele vem avaliando, vem avaliando e, não sei por quê, resolveu agora colocar isso em pauta. Talvez porque ele achou que, estrategicamente, seria importante.”
Gavini também indica que é natural, como parte da estratégia, que o PSB apresente agora um nome para se fortalecer no processo de articulações que podem levar à formação de uma frente de centro-esquerda para a próxima eleição presidencial (o que não significa necessariamente que o partido terá mesmo um candidato próprio). Ele cita uma máxima do próprio Casagrande:
“Você falou certo: haverá uma frente dos partidos para propor ao povo outro projeto que não seja Bolsonaro, logicamente. Só que, neste momento, os partidos devem se colocar. É como o governador fala: quem está na arquibancada não joga o jogo.”
O presidente estadual do PSB também admite que essa especulação em torno de Casagrande agora poderá ser usada contra ele mesmo por adversários políticos, que reputarão cada gesto dele como eleitoreiro. “Você sabe que isso poderá ocorrer. Mas vamos tratar isso de uma forma muito cautelosa e muito articulada.”
Confira abaixo a entrevista completa de Alberto Gavini:

O PSB nacional quer mesmo lançar Casagrande à Presidência da República?

Essa discussão é feita em nível nacional. E o Carlos Siqueira, que é o presidente nacional do PSB, nos comunicou. A gente entende que o governador Renato Casagrande hoje é um nome qualificado. Dentro do PSB, talvez o nome mais qualificado neste momento, que é um ano de articulações, para se colocar num projeto desses. E o PSB nacional também entende assim. Mas evidentemente isso ainda é uma proposta inicial e uma conversa inicial. E ela só terá rebatimentos finais, muito provavelmente, no congresso nacional do PSB, que será em novembro deste ano. Agora, a conversa do PSB nacional com o governador é no sentido de saber se ele se sente com disposição para esse desafio. É uma conversa inicial para amadurecer esse pensamento. Nós nos sentimos honrados com essa indicação, com essa possibilidade que o PSB nacional coloca em pauta. Ele é um nome que está sendo cogitado. Todos os partidos de esquerda e de centro-esquerda vão se mobilizar para uma única candidatura provavelmente, ou indo juntos desde o 1º turno ou indo separados no 1º turno e se juntando no 2º. O importante é que a gente tem que juntar energia para acabar de vez com essa situação vive com um presidente irresponsável todos os dias na área social, econômica, ambiental e por aí vai.

Pois é. Essa possível candidatura não vai contra esse objetivo estratégico traçado pelo PSB e já defendido inclusive pelo governador em entrevistas recentes de formar e participar de uma frente ampla e unificada de forças de centro-esquerda? Já tem outros nomes dentro dessa frente em construção. Não é meio que contraditório lançar um nome do próprio PSB neste momento? Ou vocês vão lançar vários nomes para convergir lá na frente?

Exatamente. Não é ruim não, porque observe bem: você falou certo, haverá uma frente dos partidos para propor ao povo outro projeto que não seja Bolsonaro, logicamente. Só que, neste momento, os partidos devem se colocar. É como o governador fala: quem está na arquibancada não joga o jogo. Então a ideia é que a gente vá para o jogo para a gente poder sentir, mais à frente, quem fica mais qualificado e tem a maior pegada para a gente poder se juntar e ter um projeto mais consistente. Mas nós aqui do PSB do Estado do Espírito Santo e o próprio governador estamos muito preocupados com o Estado do Espírito Santo. Essa questão do debate nacional tem muito tempo para se fazer. O governador não vai gastar energia com esse debate agora. Mesmo que o PSB o tenha lançado, o tenha cogitado, a nossa preocupação neste momento é com a pandemia.

Com essa proposta em avaliação, mesmo que de modo muito incipiente, o fato é que agora o nome do governador entra na boca do povo, inclusive em nível nacional, como possível candidato à Presidência da República. Isso não o atrapalha como governador e não atrapalha o governo dele?

Não, não, não…

Pergunto isso porque, por exemplo, ele tem feito críticas pertinentes ao governo federal, principalmente na gestão da pandemia. Na medida em que surge o nome dele, mesmo que como uma possibilidade, não vão passar a associar as duas coisas daqui para a frente e encarar todas essas críticas dele como tentativa de projeção eleitoral?

Isso poderá acontecer, sim. Poderá. Mas o mérito não é esse. Até porque o governador tem uma articulação muito forte com alguns ministros do governo Bolsonaro. Ministros que prestam, né? Alguns poucos bons ministros do governo, com quem a gente tem contato e relacionamento e com quem o Espírito Santo faz essa parceria. Então, isso poderá acontecer, mas não é essa a nossa preocupação. A nossa preocupação é cuidar do Espírito Santo. E para isso, hoje, o Estado está equalizado, equilibrado. Quem dera outros Estados vivessem a nossa realidade!

Mas essa hipótese de pré-candidatura não poderá ser usada inclusive pela oposição interna a ele, em âmbito estadual?

Você sabe que poderá. Mas vamos tratar isso de uma forma muito cautelosa e muito articulada. E estou dizendo para você: a nossa preocupação hoje é cuidar do Espírito Santo e a nossa preocupação é com a reeleição dele.

Esse, para você, continua sendo o projeto prioritário?

A nossa preocupação primeira, e aí digo pelo governador e pelo PSB do Espírito Santo, é cuidar do Estado. A segunda é a nossa reeleição, para podermos continuar esse projeto importante que temos no Espírito Santo.

Ou seja, para o PSB do Espírito Santo, a reeleição de Casagrande continua sendo a prioridade?

Sim. Agora, a discussão do projeto nacional, esta vai se dar com o tempo. Até porque nós temos uma data para [uma candidatura à Presidência] poder ser celebrada ou oficializada. E está muito longe. Tem muita água para rolar. Ele não vai se desgastar agora com isso.

E é claro: se ele assume isso assim, tão antes da hora, aí sim ele dá argumentos e munição para a oposição usar contra ele, não é?Exemplo de pergunta?

Essa iniciativa não foi dele. Foi do PSB nacional e do presidente Carlos Siqueira. Ele vem avaliando, vem avaliando e, não sei por quê, resolveu agora colocar isso em pauta. Talvez porque ele achou que, estrategicamente, seria importante.

E quando foi que os dois tiveram essa conversa?

Isso é uma conversa que já vem há algum tempo. Discussão de nomes nacionais. Tínhamos muita esperança que o nosso companheiro de São Paulo [Márcio França] ganhasse a eleição [ao governo de São Paulo, em 2018], mas ele acabou não se constituindo. E Renato sempre foi um nome colocado em pauta porque o nosso governador é um cara muito fácil e muito tranquilo, então todo mundo no PSB gosta do governador. É um cara competente, é um cara trabalhador, tudo isso que você sabe. Você pode apontar alguns defeitos políticos, mas Renato é um homem trabalhador. Tem relacionamento com segmentos, tem relacionamento com parlamentares do PSB, já conduziu a Fundação João Mangabeira, é o atual secretário-geral do partido no país. Então é um cara muito bem articulado. E foi por isso que o nome dele acabou…
"Num primeiro momento não era o nome dele. Mas depois, com o tempo, com o mandato dele de governador, com tudo o que ele vem fazendo… Então ele foi se qualificando para que pudesse ser lembrado. Ele se sente honrado com a lembrança e nós também, o conjunto dos parceiros. Mas isso não é uma prioridade neste momento. A prioridade, volto a dizer, é cuidar do Espírito Santo. Depois vamos tratar desse tema."
Alberto Gavini - Presidente estadual do PSB-ES

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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