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Eleições 2020

Primeiro turno foi bom para Casagrande. O 2° pode complicar para ele…

O domingo passado (15) rendeu um saldo político positivo para o governador, mas o 2° turno, no dia 29, poderá ser para ele ou de abrir o champanhe ou de fechar a cara

Publicado em 21 de Novembro de 2020 às 01:51

Públicado em 

21 nov 2020 às 01:51
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Casagrande se equilibra entre adversários  e aliados
Casagrande se equilibra entre adversários e aliados Crédito: Amarildo
Os resultados do 1º turno foram bons para Renato Casagrande (PSB). O partido do governador foi o que mais elegeu prefeitos no Estado (13 ao todo). A grande maioria dos municípios capixabas elegeu aliados governistas (ainda que não do PSB). Mais importante: nenhum bolsonarista convicto foi eleito em uma cidade de maior porte. Já o 2º turno inspira algumas preocupações ao governador. No 1º turno, o jogo para Casagrande veio quase perfeito. No 2º, ele tem que tomar muito cuidado e, para conseguir bater, precisa descartar ou trocar algumas cartas que não fecham a sua sequência, isto é, a sua canastra de aliados nas prefeituras das maiores cidades nos próximos anos.
No cômputo geral, o domingo passado (15) pode até ter trazido um saldo positivo para Casagrande, mas o 2º turno, no próximo dia 29, poderá ser ou de abrir o champanhe ou de fechar a cara. Isso porque, nas joias da coroa (as maiores e mais importantes cidades do Estado), candidatos que não são exatamente alinhados ao projeto político de Casagrande não só passaram de fase, como passaram bem (em 1º lugar) ou de maneira surpreendente. Acompanhe a nossa análise, cidade por cidade:

VITÓRIA

A maior preocupação para o Palácio Anchieta recai sobre Lorenzo Pazolini (Republicanos), favorito a vencer em Vitória, a cidade politicamente mais importante, por ter atingido a maior votação no 1º turno. Opositor do governo Casagrande na Assembleia Legislativa, Pazolini deixou para trás Gandini (Cidadania), aliado de primeira hora do Palácio Anchieta, e foi o único a superar a marca de 30% dos votos válidos. Se vencer, traz com ele o grupo de Erick Musso, Amaro Neto, Roberto Carneiro, Sérgio Meneguelli, entre outros, que tem projeto próprio de poder e crescimento político no Estado. Uma ameaça política dobrando a esquina eleitoral, em 2022.
Por tudo isso, eventual virada de João Coser (PT) sobre Pazolini será uma dádiva para Casagrande. Além de nutrir excelente relação com ele, o petista representa zero ameaça político-eleitoral para o governador.

SERRA

Na Serra, um alento para Casagrande é o grande favoritismo com que seu grande aliado, Sergio Vidigal (PDT), entrou neste 2º turno, por conta da ampla vantagem de votos estabelecida sobre o 2º colocado, Fábio (Rede), o candidato de Audifax Barcelos.
Mas, se Fábio lograr uma histórica virada sobre o pedetista, isso pode trazer problemas e preocupações adicionais para Casagrande nos próximos dois anos. Uma vitória do pupilo de Audifax, contra todas as probabilidades, fortalecerá ainda mais, politicamente, o já bem avaliado prefeito da Serra, cujas aspirações de disputar o governo do Estado contra Casagrande em 2022 não são segredo para ninguém.

VILA VELHA

Em Vila Velha, parece muito evidente que, para Casagrande e seu governo, convém muito mais a reeleição de Max Filho (PSDB), não só porque o PSB está na coligação de Max e está indicando voto nele, como também porque o próprio prefeito não se cansa de reforçar em sua propaganda a excelente relação administrativa e política mantida por ele atualmente com o governo Casagrande.
Além disso, pensando no xadrez político de 2022, um Max reeleito (até por eventuais acordos firmados com Casagrande) pode ficar "atado" ao cargo de prefeito. Já livre e sem mandato, dificilmente algo o impedirá de se lançar, finalmente, ao governo do Estado em 2022. Ele não terá mais nada a perder.
No entanto, Max passou raspando para o 2º turno. E, com 36% dos votos válidos, o grande vencedor do primeiro tempo da disputa (quiçá o resultado mais surpreendente de toda a Grande Vitória) foi o vereador Arnaldinho Borgo (Podemos), que vem a ser uma grande incógnita. Que posicionamento Arnaldinho adotará em relação ao governo Casagrande? Qual seu grau de simpatia em face do governo Bolsonaro? São perguntas ainda não devidamente respondidas.
Um ponto que pode inspirar um pouco de tranquilidade a Casagrande é que o grande fiador dessa até agora exitosa candidatura de Arnaldinho em Vila Velha chama-se Gilson Daniel. O prefeito de Viana e presidente estadual do Podemos está no primeiro círculo de aliados mais estratégicos para Casagrande na geopolítica estadual neste momento. Muito leal ao governador, pode tratar de domar qualquer eventual arroubo do próximo jovem prefeito, caso Arnaldinho realmente chegue lá.
E é o próprio Gilson quem garante: “Ele não está nessa de direita e esquerda. É progressista e está alinhado ao centro e com o movimento do Podemos nacional. O relacionamento dele com o governador é muito bom e já estivemos algumas vezes com o Renato [Casagrande]. Seremos aliados do Renato”.

CARIACICA

Quanto a Cariacica, situação mais tranquila para Casagrande. É claro que o ideal para ele teria sido um 2º turno entre seus dois maiores aliados nessa disputa: Sandro Locutor (PROS) e Euclério Sampaio (DEM). O primeiro não passou. Euclério, sim. E a ida do deputado governista para o 2º turno, inclusive com apoio declarado de alguns secretários de Estado (Tyago Hoffmann e Davi Diniz) e ajuda velada de outros (Alexandre Ramalho), é uma notícia reconfortante para todos no Palácio Anchieta.
Quanto a Célia Tavares (PT), a 2ª colocada, se não chega a ser uma grande aliada de Casagrande, tampouco é adversária. Ao contrário, Casagrande se dá muito bem com o ex-prefeito Helder Salomão (PT), patrono da candidatura de sua ex-secretária de Educação em Cariacica, assim como o PSB, historicamente, se relaciona muito bem com o PT no campo que vai do centro até a extrema-esquerda.
Eventual vitória de Célia não há de significar atritos para o governo. Além disso, é óbvio que a passagem da petista para o 2º turno foi mil vezes melhor para o governo e o governador do que teria sido, por exemplo, eventual "classificação" do Subtenente Assis (PTB), representante da ferrenha e manatista oposição de direita a Casagrande. Diga-se de passagem, essa hipótese não ficou tão distante, pois Assis chegou em 3º lugar, a apenas 4.203 votos de Célia. Nesse aspecto, o êxito parcial do PT em Cariacica pode ser considerado até um alívio para o governador.
Alguns comentam que Helder pode até se animar a concorrer ao Palácio Anchieta em 2022, mesmo contra Casagrande, e que, em caso de vitória de Célia, o deputado sairia muito fortalecido desse processo (na mesma lógica que aplicamos acima a Audifax Barcelos). Pode ser. Porém, do ponto de vista de Casagrande, mais vale uma Célia na mão do que um Assis, com um Assumção e um Manato em cada asa, voando de encontro às vidraças do Palácio Anchieta.

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Além dos muitos municípios pequenos conquistados, o resultado geral do 1º turno foi bom para o governo nas principais cidades polos do interior. Se não chegou a ser o ideal, também poderia ter sido bem pior. A vitória mais maiúscula (tanto para o partido como para o governo) foi a reeleição com votação esmagadora de Victor Coelho, do PSB, na cidade mais importante da região Sul: Cachoeiro de Itapemirim.

COLATINA

Em Colatina, numa perspectiva realista, a candidata apoiada pelo PSB, Maricélis (Cidadania), tinha mesmo poucas chances de ganhar. Chegou num honroso 3º lugar. Entre os dois que disputaram cabeça a cabeça, foi muito melhor para Casagrande a vitória do ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSC) do que teria sido uma virada de última hora, que quase se concretizou, por parte de Luciano Merlo (Patriota), candidato bolsonarista e muito ligado ao ex-deputado Carlos Manato (sem partido), adversário de Casagrande no cenário estadual.
Balestrassi foi prefeito pelo PSB por dois mandatos, de 2001 a 2008. Depois disso, aproximou-se de Paulo Hartung e fez parte do último governo do rival de Casagrande, o que o levou a se distanciar e reter certa mágoa do ex-correligionário. Mas relatos seguros dão conta de que, durante a própria campanha, por iniciativa de Casagrande, os dois voltaram a se falar com regularidade, fecharam feridas e estão em franca reconciliação. Um indicativo disso foi a declaração dada por Balestrassi, logo após a confirmação da vitória, de que manterá boa relação com o governador.

LINHARES

Quanto a Guerino Zanon (MDB), reeleito com folga em Linhares, paira um asterisco sobre ele, colocado pelos “habitantes” do Palácio Anchieta. Isso porque, muito bem avaliado, indo para o 5º mandato (um recorde entre prefeitos em atividade no Estado) e com reservas de capital político, o prefeito do MDB (sigla de Hartung até o fim de 2018) começa a ser cotado para concorrer, pelo grupo hartunguista, quiçá com o apoio do ex-governador, ao cargo de Casagrande em 2022, contra o atual ocupante da cadeira.
De todo modo, segundo relatos da própria assessoria de Zanon, após ligeiros estremecimentos no início de 2019 (por causa da suspensão de convênios do governo com municípios), a relação entre prefeito e governador melhorou muito de alguns meses para cá.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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