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Bastidores do poder

Projeto contra "ideologia de gênero" será votado nesta quarta na Assembleia

E mais: Instituto de Obras Públicas é extinto; Saulo Andreon muda de cargo comissionado; a polêmica em torno do programa Escola Viva; e o secretário da Fazenda de Casagrande bem na fita com o chefe e com empresários

Publicado em 15 de Outubro de 2019 às 20:58

Públicado em 

15 out 2019 às 20:58
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Presidente estadual do PSDB, Vandinho Leite tem adotado postura bastante conservadora na Assembleia Legislativa Crédito: Amarildo
A Assembleia Legislativa votará, na sessão plenária desta quarta-feira (16), a partir das 9 horas da manhã, a votação do projeto de autoria do deputado Vandinho Leite (PSDB) e de outros deputados que “proíbe a ‘ideologia de gênero’ no âmbito do sistema educacional de ensino". A votação será em regime de urgência, aprovado na segunda-feira (14). A votação deve atrair militantes para as galerias da Assembleia, tanto favoráveis como contrários à proposição.

IOPES É EXTINTO

Por unanimidade dos votos, em sessão extraordinária e votação em regime de urgência, os deputados estaduais aprovaram nesta terça-feira (15) o projeto de lei do governador Renato Casagrande (PSB) que extingue o Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo (Iopes) e transforma o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado (DER-ES) em Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado. Na prática, o primeiro órgão é incorporado ao segundo, confirmando algo que Casagrande anunciou que pretendia fazer já no período de transição (entre a eleição e a posse, no fim do ano passado).

MARETTO NO LEME

O diretor-geral do órgão continua sendo Luiz Cesar Maretto (PSB). Talvez até para simplificar a memorização, o órgão muda de nome, mas a sigla resultante é a mesma: DER-ES.

ANDREON MUDA DE CARGO

O ex-vereador de Cariacica Saulo Andreon assumirá o cargo de assessor de gestão escolar da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). Filiado ao PSB, Andreon é tratado por dirigentes como uma das alternativas do partido na eleição a prefeito de Cariacica em 2020. Ele confirma a nomeação, que deve sair a qualquer momento. Diz ter aceitado o convite feito pelo secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo. Desde 2015, Andreon é diretor da Escola Viva de São pedro, a primeira unidade do programa estadual de educação em tempo integral.

POR FALAR NISSO…

Na última quinta-feira (10), publicamos que, na véspera (9), a Sedu anunciara a decisão de manter a Escola Viva de São Pedro, após considerar fechar as portas da unidade. Informamos que a decisão foi anunciada ao público no mesmo dia em que o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), publicou artigo no “Estadão” rebatendo a coluna publicada no dia 8 pela economista Ana Carla Abrão, cheia de críticas à administração de Casagrande em várias áreas. Um dos pontos criticados pela economista foi, precisamente, o possível fechamento de “unidades do Escola Viva”.

RESPOSTA DO SECRETÁRIO

De Angelo entrou em contato com este colunista para acrescentar uma informação. Palavras do secretário de Educação: “Nós não anunciamos no dia 9 que São Pedro estaria com matrículas normais para 2020. Falamos com os alunos duas semanas antes sobre isso, como desdobramento do processo de diálogo aberto com a escola três semanas antes”.
Escola Viva São Pedro, em Vitória Crédito: Caíque Verli

ESSA TAL “ESCOLA VIVA”

Quase passou batido, mas há um detalhe curiosíssimo na redação do artigo de Tyago Hoffmann rebatendo o de Ana Carla Abrão. Ao falar do programa iniciado pelo governo Paulo Hartung, o secretário de Casagrande refere-se à “chamada Escola Viva”. Mais uma vez fica provado que o nome do programa – uma marca do governo anterior – claramente incomoda a cúpula de Casagrande. Embora não oficialmente eliminado pelo atual governo, é evitado ao máximo pelos casagrandistas.

TRIANGULAÇÃO: VESCOVI, ABRÃO, PH

Já pontuamos aqui a proximidade de Ana Carla Abrão não só com Paulo Hartung como também com a mentora do ajuste fiscal do ex-governador, a também economista Ana Paula Vescovi. Outro fato pretérito une as duas. São três vértices de um mesmo triângulo no pensamento econômico.
Ana Carla Abrão Costa publicou artigo alertando para possível "retrocesso" com o governo Casagrande Crédito: GZ

PARCERIA NO CONFAZ

Em 2015, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda (agora Ministério da Economia) que reúne os secretários estaduais da área, Abrão e Vescovi chegaram a trabalhar em parceria na elaboração de uma agenda econômica para o país apresentada ao então ministro, Nelson Barbosa, com um conjunto de medidas estratégicas focadas em dois eixos: redução de despesas dos Estados com pessoal (Abrão) e reforma previdenciária (Vescovi).

O ESTOPIM DE TUDO EM 2014

Só para recordar: a guerra de narrativas sobre a suposta irresponsabilidade fiscal por parte de Casagrande foi inaugurada no primeiro semestre de 2014 por um estudo sobre as finanças do Espírito Santo assinado por Ana paula Vescovi e outros dois economistas. Agora, a querela é reaberta por um artigo publicado por uma colega da ex-secretária de PH. Será que vai começar tudo de novo?!?

GUERRA E PAZ… EM GOIÁS

Curiosamente, na semana em que a ex-secretária da Fazenda de Goiás reacendeu o conflito entre hartunguistas e casagrandistas, o secretário de Segurança de Casagrande, Roberto Sá (sem partido), foi em missão de paz justamente a Goiás, para trocar experiências com o chefe da mesma pasta no estado do Centro-Oeste, ninguém menos que Rodney Miranda (Republicanos), um antigo aliado de Hartung. A informação foi publicada pelo colega Leonel Ximenes.

MISSÃO DUVIDOSA

Essa missão de paz dos homens da segurança pode sair pela culatra...

MARCELO, O ESCUDEIRO

Um dos detalhes mais chamativos na reinauguração dessa contenda foi a veemência com que o deputado Marcelo Santos (PDT) defendeu o governo Casagrande. É praticamente um líder informal do governo:
"Falar do governo como um todo, que está dando passo atrás, é no mínimo mentiroso. É desinformação. Basta olhar os Estados ao redor do Espírito Santo, os passos atrás que eles deram, com toda a vontade de dar passos para a frente. Diferentemente deles, o governador Renato Casagrande tem imprimido o modelo de gestão e tem sido exitoso, mesmo num curto espaço de tempo"
Marcelo Santos (PDT) - Vice-presidente da Assembleia Legislativa

JAQUELINE GOSTOU DA CADEIRA

Renato Casagrande passará cerca de uma semana, no início de novembro, em Portugal, onde participará de uma feira mundial de inovação tecnológica. Será acompanhado por uma comitiva formada por empresários e pelo presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos). Durante esse tempo, será substituído pela segunda vez no cargo pela vice-governadora, Jaqueline Moraes (PSB). Em recente evento no Palácio Anchieta, falando a uma plateia formada principalmente por empresários, ele deu uma trolada em sua vice:
“Jaqueline, quando eu falei com ela que faria uma viagem a Portugal, ela me perguntou se eu não queria ficar o restinho do ano lá [risos dele e da plateia]. Eu falei que não podia. Que eu ia avaliar o pleito dela.”
Jaqueline Moraes na cadeira mais importante do Palácio Anchieta Crédito: Ricardo Medeiros

ROGELIO BEM NA FITA

O evento em questão foi para a assinatura do projeto de lei do governo que reduz a cobrança de multas de empresários por obrigações acessórias (música para os ouvidos dos empreendedores). Casagrande aproveitou para fazer um elogio público a seu jovem secretário da Fazenda, Rogelio Pegoretti (PSB), que veio, porém, com uma piada às custas dele:
“Quando fiz o convite ao Rogelio [para ser secretário], algumas pessoas não conheciam o Rogelio ainda. Eu já o conhecia, porque ele trabalhou comigo no mandato passado. E as pessoas me perguntavam: ‘Mas não é muito novo?’ Acho que tem 34, 35 anos de idade. Parece que tem mais, mas tem essa idade [risos dele e gerais]. E Rogelio está indo muito bem na Secretaria da Fazenda porque ele também tem uma equipe extraordinária.” Em seguida, puxou palmas para secretário e equipe.

“NOSSA MÃE!”

O presidente do Sincades e vice-presidente da Fecomércio, Idalberto Moro, reconheceu a desconfiança inicial suscitada pela nomeação de Rogelio na classe empresarial: “O Rogelio, quando foi anunciado, trouxe umas dúvidas. A gente não o conhecia. Ele veio de Cachoeiro. Pensamos: nossa mãe, o que ele vai fazer?!? E, logo na primeira reunião, com muita lucidez, ele mostrou a diferença que está fazendo”, afirmou o empresário, em seu discurso no Palácio Anchieta. Não sei se o secretário ficou feliz ou triste com tanta sinceridade...

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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