Errata: Na primeira versão desta coluna, publicada às 5 horas desta terça-feira (17), informei que o PT conseguiu eleger três vereadores na cidade de São Mateus. Na verdade, o partido elegeu no município apenas uma vereadora, chamada Ciety (a segunda mais votada), conforme informação corrigida às 13h45.
O sucesso em levar João Coser e Célia Tavares, suas duas maiores apostas, ao 2º turno em Vitória e Cariacica pode transmitir a sensação enganosa de que os resultados colhidos das urnas pelo PT no último domingo (16), no Espírito Santo, foram muito bons. Na verdade, embora mais chamativas, essas são basicamente as duas únicas boas notícias eleitorais para o partido nessa eleição municipal no Estado. No cômputo geral, o partido novamente foi muito mal, como já havia ocorrido em 2016, o que reforça duas certezas:
1) Particularmente no Espírito Santo, o partido dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff ainda está longe de ter se recuperado do desgaste resultante dos esquemas de corrupção desvendados pela Lava Jato, pelo impeachment de Dilma e pela recessão econômica iniciada em seu governo.
2) Para conseguir começar a se reerguer dos escombros políticos no Espírito Santo, o PT mais que nunca depende do êxito de Célia e, principalmente, de Coser no 2º turno inaugurado nesta segunda-feira (16).
Na eleição municipal passada, realizada dois meses após a cassação definitiva do mandato de Dilma pelo Senado, os resultados do PT no Espírito Santo já haviam sido pífios. O partido fez cerca de 30 vereadores no Estado inteiro e apenas um prefeito: o da pequena Barra de São Francisco, município de 45 mil habitantes. Mas, em janeiro deste ano, o prefeito Alencar Marim desfiliou-se, deixando o PT com a histórica e negativa marca de absolutamente nenhum prefeito em municípios capixabas.
Na verdade, essa marca agora pode persistir, se nem Coser nem Célia vencerem, respectivamente, em Vitória e em Cariacica. No 1º turno, o PT não fez nenhum prefeito no Espírito Santo. Em todos o Estado, a legenda só emplacou um vice-prefeito, o agricultor Efrem, no modesto município de Águia Branca.
DESEMPENHO SOFRÍVEL
Quanto à eleição para as câmaras municipais, os resultados também não foram nada animadores para os militantes partidários. No Estado inteiro (isso mesmo: inteiro), o PT conseguiu eleger apenas 11 vereadores. É um número patético para um partido desse porte.
Quando recortadas e analisadas de maneira isolada, há uma ou outra boa notícia para o partido, como a eleição de Karla Coser, filha do ex-prefeito, para a Câmara de Vitória, que assim voltará a ter uma (e só uma) representante petista após o partido ter passado em branco na atual legislatura. Já em São Mateus, o maior município do Litoral Norte do Estado, é do PT a 2ª vereadora mais votada, Ciety. Mas ela foi a única candidata que o PT elegeu na cidade, onde o partido havia elegido dois vereadores em 2016.
Quando colocadas em perspectiva, mesmo as poucas boas notícias para a sigla não compensam um saldo geral novamente muito ruim na eleição legislativa. Na verdade, de 2016 para 2020, o número de vereadores eleitos pelo PT na Grande Vitória ficou ainda menor. Na última eleição municipal, o partido já havia amargado a eleição de apenas três vereadores na região: um na Serra (Aécio Leite) e dois em Cariacica (André Lopes e Celso Andreon, sendo que o último trocou de sigla no meio da legislatura).
Agora, o partido fez só dois: além da já citada Karla Coser, reelegeu André Lopes em Cariacica.
Em Cachoeiro de Itapemirim e Colatina, municípios cujas prefeituras foram comandadas pelo PT até 2016 (respectivamente, com Carlos Casteglione e Leonardo Deptulski), o PT não elegeu nem sequer um vereador. Um desastre.
Desastroso também foi o resultado do partido na eleição para o Executivo dessas duas cidades e também de Linhares (as três maiores do interior): em Colatina, Genivaldo Lievore teve 4,61% dos votos válidos; em Cachoeiro, Joana D’Arck ficou com 2,16%; em Linhares, o Professor Antonio de Freitas não passou de 0,78%.
Não é demais lembrar que o PT não lançou candidato próprio à prefeitura nem na Serra, nem em Vila Velha, nem em Viana. Em Vila Velha, o ex-deputado estadual José Carlos Nunes (PT) concorreu como candidato a vice-prefeito de Rafael Primo, da Rede. Tiveram 2,76% dos votos válidos.
PASSOU LONGE DA META
Forçoso também é recordar que, em entrevista concedida à coluna no fim do ano passado, a presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, agora candidata a vice-prefeita de Vitória ao lado de João Coser, projetou uma meta que já naquela ocasião soava para lá de audaciosa e que agora pode-se dizer que passou longe, muito longe, de ser cumprida:
Fazer 20 prefeitos no Estado (o PT na verdade só lançou 16 candidatos a prefeito e, até agora, não elegeu nenhum). E de um a dois vereadores, em média, em cada município capixaba. Como são 78 ao todo, isso significaria eleger de 78 a 156 vereadores em todo o Espírito Santo. Mas, de novo: foi eleito apenas um time de futebol. Sem reservas.
Para se ter uma ideia do declínio acelerado e do buraco em que o PT entrou (e do qual não consegue sair) no Espírito Santo, entre 2009 e 2012, não faz nem uma década, a sigla chegou a governar, ao mesmo tempo, quatro dos sete municípios mais populosos do Estado: Vitória, Cariacica, Cachoeiro e Colatina. Hoje, as quatro cidades reúnem pouco mais de 1 milhão de habitantes, cerca de um quarto da população capixaba.
No momento, até o desfecho do 2º turno, podemos dizer que o PT terá um vice-prefeito nos próximos anos, em um município com menos de 10 mil habitantes.