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Eleições 2020

PTB é o "novo PSL" nas eleições municipais deste ano no ES

Além de lançar Assis em Cariacica e apoiar Assumção em Vitória, partido planeja lançar outros militares bolsonaristas nas eleições a prefeito de Vila Velha, Serra e Cachoeiro de Itapemirim. Segundo Assis, "PTB não faz mais parte da base de Casagrande"

Publicado em 03 de Setembro de 2020 às 17:08

Públicado em 

03 set 2020 às 17:08
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Diretor de segurança da Assembleia, Subtenente Assis; Alcemir Rodrigues e Walter Matias, assessores de Assumção; e o deputado estadual Capitão Assumção, em protesto pró-Bolsonaro em Brasília
Ex-diretor de segurança da Assembleia, Subtenente Assis; Alcemir Rodrigues e Walter Matias, assessores de Assumção; e o deputado estadual Capitão Assumção, em protesto pró-Bolsonaro em Brasília Crédito: Reprodução/Instagram
O PTB será, nas eleições municipais de 2020, o que foi o PSL nas últimas eleições gerais, em 2020: um refúgio – possivelmente, temporário – para candidatos alinhados ao presidente Jair Bolsonaro e à ideologia bolsonarista, ligados, em sua maioria, a corporações militares e/ou a igrejas evangélicas. No Espírito Santo, não será diferente: após decidir apoiar o deputado Capitão Assumção (Patriota) em Vitória e lançar o subtenente Sérgio Lopes de Assis à Prefeitura de Cariacica, o partido planeja lançar outros militares nas eleições majoritárias em Vila Velha, Serra e Cachoeiro de Itapemirim.
Para sacramentarem o apoio desse “novo PTB” – agora convertido em um “partido conservador de direita”, na definição do seu presidente nacional, Roberto Jefferson –, a dupla Assumção e Assis esteve pessoalmente em Brasília, há duas semanas, para conversar a portas fechadas com o próprio Jefferson, na sede nacional do partido. Ali foi definido o novo direcionamento eleitoral do partido no Estado.
Tanto o capitão da reserva da PMES como o subtenente dos Bombeiros do Espírito Santo disputaram as eleições passadas pelo PSL, apoiando Bolsonaro – este ao Senado, aquele à Assembleia Legislativa –, o que só reforça esse novo perfil dos candidatos do PTB nessas eleições municipais.
Em Cariacica, além de garantir a legenda no PTB, Assis poderá contar com o apoio de duas siglas pequenas também alinhadas ao que ele mesmo denomina “campo de direita”: o Patriota (novo abrigo de Assumção) e o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), sigla do vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão.
Na verdade, antes da recente reviravolta nacional envolvendo o PTB de Jefferson, o próprio Assis chegou a carimbar que iria para o PRTB – só não foi porque, como militar, tem a prerrogativa de só ingressar em alguma sigla para concorrer à eleição, na ata da convenção municipal (que pode ser realizada até o dia 16 de setembro).
Segundo o próprio Assis, a nova “direção ideológica” ditada por Jefferson ao PTB Brasil afora também implicará em mudanças na posição mantida pelo partido em face do governo Casagrande (PSB) no Espírito Santo. Até hoje, o PTB mantém no Estado uma postura bastante amistosa em relação ao governo do PSB.
O partido indicou quadros políticos para cargos comissionados, como o seu presidente em Vitória, Anderson Goggi, assessor especial da Casa Civil de janeiro de 2019 a junho deste ano. Já o presidente estadual da sigla, o deputado Adilson Espindula, integra a base do Palácio Anchieta, votando quase sempre com o governo na Assembleia Legislativa.
Mas isso, segundo Assis, vai mudar radicalmente. Aliás, segundo ele, já mudou:
"O PTB não faz mais parte da base de Casagrande. O PTB vai apoiar Bolsonaro em 2022 e Casagrande faz oposição a Bolsonaro."
Subtenente Assis (em breve no PTB) - Pré-candidato a prefeito de Cariacica
Nesse caso, perguntamos ao subtenente, o partido não deveria, por coerência, entregar imediatamente os cargos ocupados na máquina estadual? “Discutiremos isso depois da eleição. Mas certamente vai acontecer”, responde Assis.
A declaração do pré-candidato a prefeito de Cariacica difere daquela dada à coluna por Adilson Espindula. Sobre eventual mudança do PTB em face do governo Casagrande, o presidente regional da legenda adotou discurso mais moderado, escolhendo palavras mais amenas. Ao contrário de Assis, não deu nenhum indicativo de ruptura brusca e total com o governo Casagrande.
Ou seja, antes de mais nada, esse “novo PTB” terá que realizar um velho e sempre útil exercício: discutir a relação e alinhar o próprio discurso.

PETEBISTAS CONSTRANGIDOS EM VILA VELHA

Em Vila Velha, a situação de momento é delicada para o prefeito Max Filho (PSDB), que corre o risco de ver escorrer pelos seus dedos o apoio do PTB à sua reeleição – dado como certo até a intervenção federal de Jefferson. Assim como o deputado Fabrício Gandini (Cidadania) ajudou a construir a chapa de candidatos a vereador do PTB em Vitória, Max Filho foi fundamental para cimentar a chapa do PTB em Vila Velha para a eleição legislativa, enchendo-a de aliados políticos dele.
Um desses aliados, recém-filiado ao PTB para disputar uma cadeira na Câmara de Vila Velha, relata que o clima entre os petebistas na cidade é de total constrangimento com essa “nova ordem”. Após flerte com a candidatura do vereador Arnaldinho Borgo (Podemos), o presidente municipal do PTB, Toninho Magalhães (um antigo colaborador do ex-prefeito Rodney Miranda), construiu um bom entendimento com Max Filho, e o partido caminhava tranquilamente para a coligação de Max. Caminhava.

ENQUANTO ISSO, ENIVALDO CELEBRA BRIZOLA

Enquanto caciques nacionais do PTB e "neopetebistas" buscam afastar ao máximo o partido da esquerda, o deputado estadual Enivaldo dos Anjos (PSD) publicou por estes dias em suas redes sociais uma foto homenageando um dos maiores líderes da história do PTB e da história da esquerda política no Brasil: Leonel Brizola.
Enivaldo dos Anjos com Leonel Brizola
Enivaldo dos Anjos com Leonel Brizola Crédito: Assessoria de Enivaldo dos Anjos
O registro é da década de 1980, quando o jovem Enivaldo, então iniciando sua carreira política, era prefeito da cidade de Barra de São Francisco, a qual ele quer voltar a governar agora. À época, ele era filiado ao PDT de Brizola, espécie de "primo brigado do PTB" no campo político trabalhista.
O PDT foi fundado por Brizola no início dos anos 1980, com o fim do bipartidarismo instituído pela ditadura militar no país em 1965. Após o político gaúcho retornar do exílio graças à Lei da Anistia (1979), ele perdeu para Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, o direito sobre o uso da antiga sigla PTB. Fundou, então, o PDT.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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