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Eleições 2020

PTB pode trocar Gandini por Assumção na disputa a prefeito de Vitória

Com guinada do partido à direita e determinação ditada por Roberto Jefferson, presidente petebista em Vitória já se aproxima do deputado do Patriota e cogita apoiá-lo. Assumção diz que seu vice será militar filiado ao PTB

Publicado em 29 de Agosto de 2020 às 06:00

Públicado em 

29 ago 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Fabrício Gandini e Capitão Assumção
Fabrício Gandini e Capitão Assumção Crédito: Tati Beling e Lissa de Paula (Ales) / Montagem de Vitor Vogas
Com a resolução de Roberto Jefferson (ele mesmo!), presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), de vetar coligações com siglas de centro-esquerda em cidades com mais de 200 mil eleitores, o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) corre o sério risco de perder o apoio do partido, até então considerado certíssimo para ele na eleição a prefeito de Vitória. E o PTB, de uma hora para a outra, pode cair nos braços de outro pré-candidato ao cargo: o também deputado estadual Capitão Assumção (Patriota).
Gandini chegou a ajudar o PTB de Vitória a construir sua chapa de vereadores para a eleição de novembro. Agora, o próprio presidente municipal do PTB, Anderson Goggi, admite que o partido reavalia essa aliança e que, respeitando a determinação vertical de Jefferson, pode dar uma guinada e apoiar um candidato de direita à prefeitura da Capital.
Uma possibilidade, confirmada por Goggi, é o PTB trocar Gandini por Capitão Assumção, deputado e pré-candidato de perfil ultra-bolsonarista (como Jefferson, agora, diz também ter se tornado). Após o anúncio do presidente nacional do partido, Assumção e Goggi já tiveram uma primeira conversa de aproximação.
Em diálogo com a coluna, Assumção confirmou a conversa com Goggi e a aproximação política com o PTB, que pode evoluir para uma aliança eleitoral em Vitória. Indo além e esbanjando confiança, o capitão da reserva da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) antecipa que, no que depender dele, o vice em sua chapa será do PTB:
“O vice é do PTB! Tem tudo para ser um militar da ativa, também da PMES”, revela Assumção, sem adiantar o nome do quadro.
Desse modo, por uma dessas reviravoltas que só a política é capaz de gerar, o PTB agora, em Vitória, encontra-se entre dois pré-candidatos completamente diferentes entre si (pela história, pelo estilo, pelas posições e pelo partido), que nada têm em comum a não ser o fato de serem deputados estaduais e de agora pleitearem o cargo de prefeito de Vitória: Gandini e Assumção.

O QUE DIZ O PTB EM VITÓRIA

De fato, como admite Anderson Goggi, a predisposição do PTB em Vitória, até semana passada (quando Jefferson baixou seu “decreto-lei partidário”), era a de apoiar a candidatura de Gandini à sucessão de Luciano Rezende (Cidadania). Havia, segundo ele, um “namoro muito forte” com o deputado e ex-vereador de Vitória, até porque Gandini se empenhou, pessoalmente, na construção da chapa de candidatos a vereador do PTB.
“Na verdade”, diz Goggi, “até que as convenções aconteçam, muita coisa pode mudar, conforme estamos observando aí. Mas tinha, sim, um namoro muito forte com a eleição do deputado Gandini. Tinha uma conversa muito boa, até porque ele ajudou na construção. Não é justo uma pessoa ajudar em uma construção e posteriormente você lhe dar as costas.”
O dirigente admite também uma espécie de “dívida de gratidão” com o pré-candidato do Cidadania (ex-PPS): “É óbvio que o Gandini ajudou muito na construção da nossa chapa de vereadores. Não posso negar isso. O Gandini foi de fato vital nessa construção da nossa chapa proporcional. E esse era um dos motivos pelos quais tínhamos uma aproximação. Estávamos querendo fortalecer a base. E, como não tínhamos estrutura para tentar voos maiores, focamos novamente em eleger dois vereadores em chapa puro-sangue, como fizemos em 2016.”
Agora, porém, o quadro é outro. Com a mudança radical de conjuntura ditada por Roberto Jefferson, o dirigente municipal admite que, mesmo mantendo diálogo com Gandini, a tendência maior do PTB agora é a de não fechar mais aliança formal com ele na eleição majoritária, mesmo que, para não o prejudicar ainda mais, o partido libere os candidatos a vereador que queiram apoiá-lo de maneira avulsa:
“Vamos continuar conversando com a direção nacional e aqui no Estado. Tem uma tendência de não irmos mais com o Gandini? Sim. Não vou falar que não tem. Mas vamos continuar falando com Gandini também. E chego até a pensar na possibilidade de até liberar os candidatos a vereador do partido em Vitória para caminhar com quem eles quiserem na eleição a prefeito, se não estiverem à vontade em caminhar com outro candidato [que não Gandini].”
Em todo caso, obediente à hierarquia partidária, a direção do PTB em Vitória acatará a determinação de Jefferson, garante Goggi: “É óbvio que vamos acatar uma decisão nacional. Não estamos aqui para ir de encontro às decisões que o partido toma na Executiva nacional.”
Na prática, isso significa procurar, como deseja Jefferson, um candidato de direita, ou até de extrema-direita (como cita Goggi), alinhado ao bolsonarismo, para apoiar à Prefeitura de Vitória. Nesse ínterim, ganha força a aproximação e um início de namoro eleitoral com outro pretendente: Capitão Assumção.
“Devido a essa nova orientação da direção nacional, por ele ter uma linha de trabalho na extremidade da direita, então ele nos procurou, para podermos iniciar um diálogo. Estamos conversando, estreitando relação. Passa a ser uma das possibilidades.”
Para a próxima segunda-feira (31), Goggi marcou reunião com os pré-candidatos a vereador pelo PTB em Vitória, para dar ciência a eles sobre a nova conjuntura, radicalmente díspar daquela de uma semana atrás. “Precisamos oficializar e explicar a eles o que está acontecendo, porque tem coisas que fogem a nós aqui”, afirma, enquanto parece buscar, ele próprio, compreender e adaptar-se ao novo cenário:
“Estamos avaliando várias situações. É tudo muito novo para nós. No início das construções [das chapas do partido no município], não havia orientação nenhuma da direção nacional. E essa orientação nós recebemos agora em vídeo. Isso tudo foi de sábado para cá. Então, estamos avaliando a determinação nacional. Estamos aqui para ouvir e, é lógico, acatar as determinações nacionais, mas cada região e cada lugar tem a sua particularidade. Então estamos construindo. O próprio Assumção se sentou com a gente e conversou.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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