Por que a senhora decidiu se candidatar agora a prefeita da Serra?
Sua candidatura é irreversível ou a senhora pode fazer uma composição no fim do prazo e apoiar outro candidato?
A senhora fala em transformação. Em linhas gerais, quais as suas principais bandeiras?
Sobre a segurança: a Serra está sempre no topo das estatísticas de homicídios. O que a senhora propõe para diminuir esses índices ruins?
Como a senhora avalia a atual administração do prefeito Audifax Barcelos?
A senhora foi chefe da Polícia Civil durante a primeira metade do último governo Paulo Hartung e depois exerceu outras funções no mesmo governo. Qual é a sua posição em relação ao atual governo Casagrande?
O vereador Carlos Bolsonaro, segundo filho do presidente Jair Bolsonaro, era filiado ao PSC até março. O presidente nacional do partido, Pastor Everaldo Pereira, apoiou Bolsonaro em 2018 e, dois anos antes, batizou o então deputado nas águas do Rio Jordão. E quanto à senhora? Apoia o governo Bolsonaro?
O PSC é um partido bastante conservador e ligado a pautas de igrejas evangélicas. Nacionalmente, o comando é do pastor Everaldo. No Estado, o presidente é Reginaldo Almeida. A senhora também se define como uma mulher e uma candidata conservadora? Levará para a campanha na Serra a pauta evangélica?
E um exemplo de pauta progressista que a senhora disse defender?
"Encerro um ciclo para me dedicar à candidatura"
Gracimeri Gaviorno tem 49 anos e mora atualmente no bairro Manoel Plaza. Nasceu em Colatina e cresceu na Serra, principalmente no bairro Eurico Salles. Diz ter tido uma infância difícil, “praticamente em situação de risco social”, pois os pais eram separados, sua mãe trabalhava em dois empregos e ainda fazia curso supletivo. Começou a trabalhar aos dez anos, na serralheria do padrasto. Também chegou a ser feirante artesanal e representante comercial. Cursou o ensino médio com foco no ensino técnico na antiga Escola Técnica (atual Ifes), com formação em Mecânica e em Administração.
Aos 15 anos, teve a carteira assinada e começou a trabalhar na Vale. Em seguida, realizou o seu sonho de cursar a faculdade de Direito, na Ufes. Desde então, não parou de estudar. Tem duas pós-graduações pela Ufes, em Processo Civil e em Segurança Pública, mestrado em Garantias Constitucionais pela FDV e doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Museu Social Argentino (Umsa), em Buenos Aires.
Atualmente cursa um master em Liderança e Gestão Pública, promovido e financiado pelo Centro de Lideranças Públicas (CLP), em São Paulo. Desde 2019, também participa do Renova Cidades, curso de formação de potenciais líderes políticos e candidatos, promovido pelo movimento RenovaBR. Após ter passado por algumas seleções, está avançando agora para a terceira fase do curso.
Entrou na Polícia Civil em 1994, como perita, ao ser aprovada em concurso público. Em 1999, perto dos 30 anos, passou no concurso para delegada. Desde então, comandou diversas delegacias, tanto no interior como na Grande Vitória (Santo Antônio, Defraudações, Furtos de Veículos, Homicídios, Delegacia de Proteção à Mulher da Serra, entre outras).
Em 2001, durante o governo José Ignácio, atuando na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), ajudou a estruturar a área de inteligência policial e a implantar o Disque-Denúncia 181. De 2015 a 2016, no último governo de Paulo Hartung, foi chefe da Polícia Civil do Espírito Santo. Lançou, na ocasião, o programa “Homem que é Homem”, voltado para a conscientização de agressores de mulheres.
Depois, de 2017 a abril de 2018, foi subsecretária de Integração Institucional da Sesp (inclusive durante a greve da PMES em fevereiro de 2017). De maio a dezembro de 2018, foi subsecretária estadual de Direitos Humanos, tendo coordenado o programa Ocupação Social. Em 2019, já no atual governo Casagrande, foi ouvidora-geral da Sesp.
Em abril deste ano, aposentou-se oficialmente da Polícia Civil. “Eu queria encerrar esse ciclo. Encerro minha carreira na segurança pública. E me sinto mais livre para poder construir esse projeto que a gente começa a pensar em 2019.” Hoje, dedica-se exclusivamente à construção da candidatura a prefeita da Serra.
Foi filiada por cerca de 25 anos ao PRTB, dos 18 anos de idade até a investidura no cargo de chefe da Polícia Civil, em 2015. De setembro de 2019 a janeiro deste ano, passou pelo Partido Verde (PV). Em março, filiou-se ao PSC, para disputar a eleição.