Enquanto o prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli (Republicanos), não define se disputará a reeleição, vários candidatos se apresentam na largada da corrida rumo à prefeitura da maior cidade do Noroeste capixaba, entre caras novas (como Renann Bragatto e Maricelis) e velhos conhecidos (como Guerino Balestrassi, Genivaldo Lievore e Luciano Merlo).
Na cidade, a visão geral é que, se Meneguelli for candidato, o prefeito não há de ter uma eleição nada fácil, mas, por estar na máquina, largará como favorito em uma cidade que não tem 2º turno e onde, em 2016, o próprio Meneguelli levou a melhor com apenas 30,2% dos votos válidos (menos de 20 mil). Por esse prisma, uma corrida com muitos candidatos na pista favorece o atual prefeito, que não precisará de margem muito alta para se reeleger. Isso se ele realmente for candidato.
Porém, se ele não for, todos largarão com iguais chances. Por isso a hesitação de Meneguelli e a possibilidade (real) de ele não ser candidato têm estimulado o lançamento de uma série de nomes. A um mês do registro das candidaturas, cada um procura se viabilizar na própria raia dessa corrida. Alguns, inclusive, com apoio ou apadrinhamento de figuras experientes na política local, que não disputarão esse pleito, mas com certeza o influenciarão, a exemplo de Paulo Foletto, Tadeu Marino e Josias da Vitória.
Confira abaixo, um por um, quem é quem nessa disputa em Colatina além de Sérgio Meneguelli:
GUERINO BALESTRASSI (PSC)
Prefeito de Colatina de 2001 a 2008 (pelo PSB de Renato Casagrande e Foletto), Guerino Balestrassi está filiado ao pequeno Partido Social Cristão (PSC) e pode efetivamente ser candidato de novo ao cargo – que ele mesmo não disputa desde o pleito de 2004. Secretário de Desenvolvimento Econômico de Aracruz desde janeiro de 2019, ele se desligou do cargo justamente a fim de se manter habilitado a participar desta eleição municipal.
Guerino não só tem bom trânsito como agrada a boa parte do setor empresarial de Colatina, do qual, na verdade, faz parte. Há décadas, o ex-prefeito é dono de uma empresa familiar na área de metal-mecânica na cidade, a qual, em conversa com a coluna, ele diz administrar pessoalmente hoje em dia.
“Estou em um momento bom na minha empresa. Fiz compromisso na minha empresa de ficar. Não posso me pronunciar favorável a uma candidatura neste momento”, esconde o jogo Guerino.
Mais que esconder o jogo, a avaliação de agentes políticos da cidade é que ele na verdade está esperando a decisão de outro líder local para poder tomar a sua: a do próprio prefeito. Para muitos, Guerino só entra nesse páreo se Meneguelli não buscar a reeleição. Aliás, ele estaria se articulando nos bastidores para ser precisamente o candidato apoiado pelo grupo do prefeito, em caso de desistência deste.
O partido de Meneguelli, desde março, é o Republicanos (antigo PRB), presidido na cidade pelo ex-presidente da Findes Marcos Guerra. Empresário como Guerino, Guerra tem boa relação com o ex-prefeito, e a ponte existe entre eles.
Em caso de refugada de Meneguelli, Guerino poderia preencher uma lacuna do atual prefeito, alegada por agentes dos setores político e empresarial da cidade: falta de gestão e de interlocução institucional para promover o desenvolvimento econômico de uma cidade que ficou para trás da vizinha Linhares e até de Aracruz nesse aspecto, entre os maiores municípios ao norte da Grande Vitória.
Guerra afirma, porém, que o Republicanos lançará outro quadro próprio se Maneguelli não for para a reeleição.
TADEU MARINO: ENTUSIASTA DE GUERINO
Um dos entusiastas da candidatura de Guerino é o médico Tadeu Marino (PSB), atualmente lotado na Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), comandada por ele no primeiro governo Casagrande (2011-2014).
Marino foi secretário de Saúde na administração de Guerino (que, repita-se, governou a cidade pelo PSB). Ele chegou a tentar articular o apoio do PSB ao ex-prefeito, mas esse projeto não foi à frente. O PSB está determinado a lançar candidato próprio (conforme se verá a seguir).
Se não se lançar à prefeitura, Guerino pretende apoiar o economista Sebastião Demoner (PSD). “Tenho simpatia pela candidatura dele. É mais técnico, fala a linguagem de gestão.” Demoner foi candidato a vice-prefeito pelo PTB na chapa de Alcenir Coutinho (PP), em 2016.
O economista só deve ser candidato se Guerino não for. Se o ex-prefeito entrar no páreo, deve remover a candidatura de Demoner. Mas, sem o apoio do PSB e com Meneguelli na disputa, Guerino dificilmente será candidato.
RENAN BRAGATTO, O CANDIDATO DA SIGLA DE CASAGRANDE
Concluindo o primeiro mandato na Câmara de Colatina, o vereador Renann Bragatto é a aposta do PSB para derrotar Meneguelli, tendo como principal apoiador o deputado federal licenciado e atual secretário estadual de Agricultura, Paulo Foletto, do mesmo partido. “Ele é candidato e já está em pré-campanha”, avisa Foletto.
Eleito vereador pelo PHS em 2016, Bragatto filiou-se ao PSB, pelas mãos de Foletto, em setembro de 2019. A proximidade entre os dois é tão grande que Bragatto cogitou ser candidato a deputado federal em 2018, mas retirou a candidatura para não atrapalhar o caminho de Foletto – efetivamente reeleito para a Câmara dos Deputados como o 8º candidato mais votado no Espírito Santo.
Há quem avalie que a presença de Bragatto nesse páreo pode estimular Meneguelli a entrar mesmo na disputa pela reeleição, uma vez que os dois nutrem grande rivalidade política entre si, pois o vereador exerce oposição muito crítica ao mandato do prefeito na Câmara de Colatina.
A PROFESSORA LANÇADA POR DA VITÓRIA
Josias da Vitória acaba de lançar a candidatura de uma estreante nas urnas: a professora Maricelis, filiada ao Cidadania, partido do deputado federal e um dos quatro que ele hoje controla na cidade, de perto ou a meia distância. Os demais são o PSL, o Avante e o Podemos.
Maricelis foi superintendente regional de Educação por muitos anos em Colatina. Chegou ao cargo por indicação de Foletto e depois foi mantida com o apoio de Da Vitória (sem prejuízo dos eventuais méritos e da capacidade técnica da professora).
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LUCIANO MERLO, O CANDIDATO DE MANATO
Diretor da faculdade Castelo Branco, conhecida instituição privada de ensino superior em Colatina, Luciano Merlo com certeza será candidato – desta vez, pelo Patriota, partido de direita.
Originalmente, Merlo não é um típico “bolsonarista”, mas é extremamente ligado ao ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido), seu principal parceiro e apoiador político. Nesta eleição em Colatina, é na certa o candidato mais inserido no que se pode chamar de “bolsonarismo”. Vale frisar que a cidade é muito conservadora, sobretudo sua elite social, e tem muitos adeptos do presidente da República, que alcançou notáveis 72,3% dos votos válidos ali no 2º turno contra Haddad, em 2018.
Nos últimos anos, Merlo sempre seguiu Manato partidariamente: primeiro passou pelo Solidariedade (quando o então deputado presidia o partido no Espírito Santo) e pela sigla disputou a prefeitura em 2016; depois, esteve no PSL (quando Manato dirigia o partido no Estado).
Com a mudança radical de comando no PSL estadual em março deste ano e o “expurgo” de manatistas promovido pelo novo presidente regional, o deputado Alexandre Quintino, Merlo ficou sem espaço e sem legenda garantida. Pulou, então, para o Patriota para se garantir no páreo.
GENIVALDO LIEVORE, O CANDIDATO DO PT
Vereador por muitos mandatos e ex-deputado estadual, Genivaldo Lievore será com certeza candidato pelo PT, partido presidido atualmente por ele na cidade. “Minha candidatura é irrevogável. Só se eu renunciar, mas isso não vai acontecer”, garante o petista, curado há pouco tempo da Covid-19. “Já venci um desafio. Estou pronto para vencer outro”, afirma.
Em Colatina (tal como no Brasil), o PT manteve uma longa aliança com o PSB no campo da esquerda, desfeita há poucos anos. Foi essa aliança, costurada à época por Guerino (então no PSB), que permitiu que o PT governasse a cidade de 2009 a 2016, com Leonardo Deptulski.
Agora, Genivaldo mantém diálogo com o PSB e esperança de reedição da parceria. Mas isso dificilmente se consumará, pois o PSB hoje em dia é liderado em Colatina por Foletto, um grande crítico do PT (votou a favor do impeachment de Dilma em abril de 2016).
PARA ONDE VAI O GRUPO DE PERGENTINO?
Outro influente grupo político e econômico na cidade é aquele comandado por Pergentino Vasconcelos, dono da faculdade Unesc e do Hospital Maternidade São José. Um dos filhos de Pergentino é Renzo Vasconcelos (PP), mas, até pela falta de movimentos do deputado estadual nesse sentido, analistas políticos da cidade não acreditam que ele seja candidato.
Na ausência de Renzo, muitos apostam que o grupo de Pergentino deve lançar e apoiar a candidatura de um sangue novo na política: Rogério Resende (PDT), coordenador do curso de Medicina da Unesc e médico respeitado em Colatina, especializado na atenção básica à saúde e com longa atuação em unidades de saúde do município.
Em Colatina, Renzo controla o PDT, cujo comando foi delegado a seu grupo político pelo deputado federal Sérgio Vidigal (o presidente regional da agremiação). Atualmente, o ex-deputado federal Marcelino Fraga (MDB) também estaria bem próximo a esse grupo.
NO MAIS...
Existem outras pré-candidaturas em Colatina, como se pode conferir aqui, e a coluna não se propõe esgotar os nomes. Mas esses, no momento, são considerados os possíveis candidatos mais viáveis e mais competitivos.