Muito bem avaliado pelos colatinenses na pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada no último dia 23, o prefeito Sérgio Meneguelli foi entrevistado no episódio desta semana do podcast Papo de Colunista, do qual participo. Na entrevista exclusiva, ele criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por sua postura negacionista em relação à pandemia do novo coronavírus, falou sobre as atuais eleições municipais (nas quais decidiu não concorrer a novo mandato) e sobre os seus planos futuros.
Pela primeira vez, Meneguelli admite que pode ser candidato ao Senado em 2022, “se o cavalo passar arreado” (e não necessariamente a deputado estadual, como vinha afirmando): “Não tenho essa pretensão, mas por que não?” Também afirma que, daqui a dois anos, o atual presidente da Assembleia, Erick Musso, correligionário dele no Republicanos, pode ser candidato ao governo do Estado.
Conhecido hoje por todo o país e convertido praticamente em um “pop star político” muito além das divisas de Colatina, Meneguellli teve sua fama construída, no universo das redes sociais, principalmente em grupos de direita e identificados com Bolsonaro, por quem já manifestou apreço em outras ocasiões. Desde março, está filiado ao Republicanos, partido que faz parte do Centrão e da base de Bolsonaro no Congresso e que abriga no momento dois dos filhos do presidente: Flávio e Carlos.
Mas isso não impede Meneguelli de criticar frontalmente a postura mantida por Bolsonaro quanto ao novo coronavírus. Desde a chegada da pandemia ao Brasil, o presidente trabalha sistematicamente contra o isolamento social e outras recomendações de organismos de saúde pública.
"Eu reprovo a conduta de Bolsonaro no combate à Covid e falo isso publicamente."
O prefeito ressalta que não é um bolsonarista incondicional e apaixonado. Longe disso. Também critica a polarização ideológica que consome o país há alguns anos, chamada por ele de “ridícula” e de “guerrinha dessa juventude radical”.
Quanto à sua filiação ao Republicanos, afirma que poderia estar em qualquer outra sigla, que “todos os partidos são iguais” e que só se encontra filiado a uma legenda a fim de cumprir uma exigência da legislação brasileira, imposta a quem, como ele, deseja manter-se habilitado a disputar eleições.
Confira abaixo o que disse Meneguelli sobre cada tema.
JAIR BOLSONARO
“Eu não vou ficar nessa ideologia ridícula que está aí. Se você hoje critica o Lula, você é fascista e é ditador. Se você critica o Bolsonaro e não concorda com ele, você é comunista, você é isso e aquilo… Então, as ideologias estão prevalecendo às razões. Nessa política de guerrinha dessa juventude radical, que tem heróis e bandidos, eu não entro nessa. Eu não tenho amor por partido nenhum neste país. Eu vou sincero para vocês: eu estar no Republicanos hoje é a mesma coisa que eu estar em qualquer outro partido, porque todos são iguais, e eu vejo, por exemplo, que eles estão mais preocupados com o Fundo Partidário. Eu fui candidato a prefeito nas últimas eleições [em 2016], não recebi um centavo, e na época o maior Fundo Partidário era o do PMDB e o do PT. Eu fui candidato a prefeito de Colatina e não recebi nada. Então, eu não acredito em partidos, e o fato de eu ser do Republicanos não quer dizer que eu apoie o Bolsonaro ou que eu não apoie. Por exemplo, eu reprovo a conduta dele no combate à Covid e falo isso publicamente. Tem coisas que eu acho que ele pode avançar? Tem. Eu posso acreditar nele. Agora, eu não sou apaixonado.”
PARTIDOS POLÍTICOS
“Em primeiro lugar, só estou filiado a um partido porque, por lei, para ser candidato, você tem que ser filiado. Acho a política partidária muito promíscua aqui. Eu, por exemplo, se você falar ‘ah, o Flávio Bolsonaro e tal’… Eu não tenho nada a ver com ele, eu não sou republicano [filiado ao Republicanos] de convicção, eu não sou republicano por ideologia. Sou até por uma questão dos políticos aqui do Espírito Santo. Por exemplo, eu me dava muito bem com o PMDB de Colatina, mas odiava o PMDB nacional com o Renan Calheiros, Jader Barbalho, essas coisas. Não existe partido político puro neste país.”
CANDIDATURA EM 2022
"Meu projeto é ser candidato a deputado estadual. Eu já tentei ser deputado. Antes de ser prefeito, eu fui o candidato a deputado estadual mais votado em Colatina e tive o dobro do segundo colocado na cidade. Ele se elegeu e eu não. Por quê? Porque eu não tive votos fora de Colatina. Eu sempre fiquei aqui. Então eu tenho esse projeto. Agora, a única frase que eu guardo do regime militar, que me marcou, foi aquela do Armando Falcão, que disse: “O futuro a Deus pertence”. Por exemplo, hoje o meu projeto dentro da política é, daqui a dois anos, ser candidato a deputado estadual. Entre eu escolher ser candidato a deputado estadual ou a federal, te confesso que prefiro ser a estadual. Primeiro, porque vou estar mais dentro do meu Estado. Eu vi o que é ser deputado federal lá em Brasília. E sinceramente não aguento mais esse negócio de aeroporto. Eu acho muita perda de tempo. Agora, se o cavalo passar arreado, por exemplo, para o Senado… Não tenho essa pretensão, mas por que não? Política é como nuvem: muda a cada momento. Agora, o meu projeto hoje, de pé no chão, é ser candidato a deputado estadual. Até dentro do meu partido, eu já tenho concorrente de quem vai ser praticamente candidato a governador. E tem, por exemplo, o deputado federal Amaro Neto, que pretende ser candidato e está há mais tempo que eu no partido."
SUCESSÃO DE CASAGRANDE
"No governo, eu acredito que poderia ser candidato o Erick Musso. Vejo nele uma liderança jovem que cresce a cada dia. Agora, eu entrei no partido dizendo que gostaria de uma vaga garantida para ser candidato a deputado estadual em 2022."