A pesquisa Ibope/Rede Gazeta sobre o cenário eleitoral em Colatina mostra o prefeito Sérgio Meneguelli (Republicanos) muito bem avaliado. Perto de encerrar o seu mandato único na prefeitura, ele tem 73% de aprovação por parte dos colatinenses, ante apenas 20% de desaprovação. Para 64% dos colatinenses, sua administração é boa ou ótima, contra só 7% que a avaliam como ruim ou péssima.
Antes de tudo, esses números provam que, se Meneguelli quisesse concorrer de novo, ele teria tudo para ser reeleito sem dificuldade (ainda mais tendo em vista que Colatina não tem segundo turno). Além disso, se ele tivesse vindo para a reeleição, dificilmente veríamos nessa disputa o ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSC) – que, segundo o mesmo levantamento, lidera hoje a corrida pela sucessão de Meneguelli, com 36% das intenções de voto na estimulada.
Por outro lado, ao decidir não pleitear a reeleição mesmo com altos índices de aprovação e ampla probabilidade de vitória, Meneguelli provou, acima de tudo, que é um político muito esperto. Basicamente, ele com isso "sai por cima". Soube a hora certa de parar, o que é muito raro na política: em geral, por apego ao poder, governantes já desgastados insistem em emendar mandatos, o que só faz desgastá-los ainda mais perante o eleitorado.
À parte todo o marketing e todo o mito construído em torno disso (em parte, por ele mesmo), Meneguelli pode não ser exatamente "o melhor prefeito do Brasil". Talvez não seja nem sequer o melhor do Espírito Santo. Mas, com esse seu movimento de sair de cena voluntária e temporariamente, demonstrou ser um dos políticos mais astutos em atividade no Estado.
Sim, Meneguelli soube a hora certa de parar… mas parar para poder continuar. Preserva, assim, o seu capital político-eleitoral, pois os próximos anos prometem ser extremamente difíceis para qualquer prefeito. Nessa conjuntura de pandemia e de pós-pandemia, ganhar a eleição e seguir no cargo poderia na verdade ser pior para ele do que passar dois aninhos sabáticos, sem mandato.
Com um segundo mandato muito difícil pela frente, bem mais difícil do que foi o atual, ele corria o risco de ver ruir o mito do "melhor prefeito do Brasil" (laboriosamente cultivado por ele mesmo), o que na certa prejudicaria seus planos futuros.
Agora, saindo bem avaliado e ficando livre nos próximos dois anos das cobranças e do "fardo" de ser prefeito nesse cenário tão desafiador, Meneguelli fica muito à vontade para construir sua próxima candidatura, em 2022, enquanto percorre o Brasil com seu roadshow de "melhor prefeito do Brasil", dando palestras e alimentando a sua "marca" e a sua imagem. Deixa intacta a sua popularidade e, daqui a dois anos, candidata-se, no mínimo, para deputado estadual.
Digo “deputado estadual” porque é o que ele mesmo tem dito. Conforme contou à coluna, pretende continuar presente no dia a dia de Colatina (o que um mandato em Brasília dificulta). Contudo, com o seu atual cacife, poderá vir, se quiser, candidato a deputado federal.
E mais: se Josias da Vitória (Cidadania) for candidato a senador em 2022 (como dizem que o deputado federal deseja ser), o caminho fica ainda mais aberto para Meneguelli chegar à Câmara dos Deputados, sem um concorrente local em Colatina nessa disputa daqui a dois anos.
AI, QUE MARAVILHA…
É o que deve ter pensando Meneguelli ao ver seus números na pesquisa Ibope, em tributo à memória de sua amiga, Elke Maravilha.