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Baixaria e desrespeito

Sessões virtuais da Assembleia estão de dar vergonha ao cidadão

Sala virtual dos deputados tem sido palco para ofensas, grosserias e debate de baixo nível perpassado por uma guerra ideológica sem sentido que pousou no ES. Nesta segunda-feira (15), Assumção chegou ao cúmulo de chamar Enivaldo para briga física

Publicado em 16 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

16 jun 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos
Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos Crédito: Lissa de Paula/Assembleia Legislativa
Pequeno em termos territoriais e populacionais, o Espírito Santo é um Estado grande, por sua história, sua cultura e seu potencial econômico. Precisa ser respeitado. A Assembleia Legislativa do Espírito Santo também é grande. Por lá já passaram ícones da política capixaba, como Dirceu Cardoso (que dá nome ao plenário), Gerson Camata, Elcio Alvares, Mário Gurgel, Adalberto Simão Nader, Setembrino Pelissari, Hélio Gualberto, Moacir Dalla e Lúcio Merçon, além do atual governador, Renato Casagrande, e dos ex-governadores Max Mauro, José Ignácio Ferreira e Paulo Hartung.
Deputados estaduais precisam ser respeitados, mas também precisam se dar ao respeito. E, acima de tudo, devem respeitar os cidadãos que representam e o “templo sagrado” do Parlamento. Ultimamente, isso não tem ocorrido. Não mesmo. Ainda que na arena virtual, por causa da pandemia, o plenário tem sido profanado por deputados que por vezes parecem se esquecer de onde estão e das regras básicas de decoro (e até de civilidade) que deveriam observar. O desrespeito a essas regras constitui desrespeito ao cidadão e ao próprio Parlamento.
Nas últimas sessões, a sala virtual em que se dão as sessões da Assembleia tem se convertido em palco (ou ringue) para um desfile de baixarias. A palavra é forte, mas não há outra para definir a situação. A falta de respeito (e, não raro, de educação mesmo) no tratamento a adversários políticos tem virado deprimente rotina. E, aos poucos, vem se normatizando um decadente festival que inclui grosserias, ataques entre deputados, agressões e insultos dirigidos por parlamentares a adversários políticos presentes e, muitas vezes, externos.
Talvez por estarem falando das próprias casas, alguns parecem agora se sentir ainda mais à vontade para usar a palavra como se estivessem em uma discussão (ou briga) de bar. De novo: isso não dignifica o Parlamento.
Nesse aspecto, o deputado Capitão Assumção (Patriota) não é o único representante dessa prática, mas tem se destacado e se superado ultimamente. Sua participação nas sessões tem sido uma escalada de violência verbal. Na política (a boa política), até para criticar adversários, é preciso manter a compostura e o respeito, sempre, até para se poder exigir dos oponentes tratamento recíproco. O ex-PSL, no entanto, tem se esmerado em agredir adversários (principalmente os acomodados no governo Casagrande, ao qual faz oposição) e em disparar insultos como uma metralhadora verbal, como se chamar alguém, por exemplo, de “vagabundo”, “carrapato” ou “sanguinário” fosse a coisa mais normal do mundo.
Esses foram só três dos termos empregados nesta segunda-feira (15) por Assumção, em referência ao secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB) – do qual ele legitimamente discorda, mas a quem não pode atacar na honra, gratuitamente, dessa maneira. Esse tipo de manifestação foge ao terreno da luta política democrática e salutar. Descamba para a calúnia, o dano moral, a ofensa à dignidade da pessoa. Em uma palavra, voltando ao início deste texto: descamba para a baixaria.

ENIVALDO X ASSUMÇÃO: O FAR(NOR)OESTE CABOCLO

Quando Assumção encontra pela frente um “oponente á altura”, disposto a duelar com ele no mesmo nível e com as mesmas armas, o resultado é ainda pior. Foi o que se viu na sessão desta segunda-feira. Esse oponente existe. Atende por Enivaldo dos Anjos (PSD). Na missão de defender o governo Casagrande com afinco, o ex-líder bate de frente constantemente com Assumção, e esse choque muitas vezes tem acabado em “barraco” protagonizado pelos dois.
Nesta segunda, os dois chegaram ao fundo do poço (ou não), com um desafiando o outro para resolver as diferenças na base da briga física (isso mesmo: trocando uns sopapos), ou “no pau”, no dizer de Assumção. “Estou te esperando no meu gabinete!”, disse o capitão da reserva para Enivaldo. “E eu estou te esperando na minha rua!”, devolveu a Assumção o “coronel” (como colegas denominam espirituosamente Enivaldo).
Por um momento, pareceu até que Assumção ia sacar uma arma de fogo do coldre para disparar contra a webcam ou que os dois iam marcar um duelo em Água Doce do Norte (território neutro entre Barra de São Francisco e Ecoporanga) para consumarem o faroeste (ou far-Noroeste) caboclo. Foi o mais próximo possível que alguém pode chegar de “chegar às vias de fato”, em uma sessão virtual. Uma contenda política, no Parlamento capixaba, quase resolvida no pior estilo colegial “te pego na saída”, como se fossem dois adolescentes brigões.
Esse tipo de comportamento não pode ser compreendido como mero debate acalorado, algo próprio do Parlamento, corriqueiro (e, até certo ponto, aguardado) durante as sessões. Não. “Debate acalorado” não se aplica aqui, até porque o debate foi esquecido.

CONCLUSÃO: ALGO TEM QUE MUDAR

Elegância a gente nem cobra mais, há muito tempo. Mas falas como as dirigidas por um deputado a um secretário de Estado nesta segunda extrapolam as raias do respeito e os limites do decoro parlamentar. Direito à liberdade de expressão e imunidade parlamentar não podem servir de invólucro para abrigar, impunemente, ofensa à dignidade alheia. São manifestações que apequenam o Parlamento e os próprios deputados, em seu conjunto.
O mesmo vale para brigas de bar como a protagonizada nesta segunda por dois representantes do povo capixaba. Isso não pode ser tratado com naturalidade, admitido como algo normal, como se fosse “assim mesmo”… A partir do momento que enxergamos “normalidade” em tais posturas, estamos aceitando que a baixaria “faz parte” da rotina parlamentar e que nosso Parlamento não pode ser melhor que isso. Tem que ser...
Alguns deputados dirão: se só poucos estão agindo assim, por que essa crítica generalizante? É que, mediante a omissão geral em face de tais atitudes – seja ela cúmplice, seja acovardada –, todos os 30 deputados vão sendo arrastados para a mesma vala comum. Na medida em que os demais permitem que esse comportamento se torne regra, a regra passará a valer para os 30: todos se sentirão no direito de agir assim, impunemente, xingando, ofendendo e chamando para a briga adversários.
E a Casa assim, sob o barulho excessivo de uns e o silêncio conivente de outros, caminha para uma esculhambação de fazer vergonha ao cidadão capixaba. E aos vultos citados na abertura deste texto.

CENA POLÍTICA: EUCLÉRIO CUCA FRESCA

A sessão estava quente? Estava, sim, e muito! Talvez justamente por isso o deputado Euclério Sampaio (DEM), em dado momento, tenha aparecido assim diante da câmera (conforme o flagrante abaixo): chupando um picolezinho! Pela cor, devia ser de limão... Queria manter a cabeça fresca. E pelo jeito deu certo, pois ele, que também é dos mais esquentados, dessa vez ficou na dele, tranquilão...
Euclério chupa um picolezinho, de boas
Euclério chupa um picolezinho, de boas Crédito: Reprodução
Distribui esse picolé aí, deputado!

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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