Partido do governador Renato Casagrande, o PSB cedeu na última hora em Colatina e decidiu apoiar para prefeita a professora Maricélis (Cidadania), candidata do deputado federal Josias da Vitória (Cidadania), na sucessão do prefeito Sérgio Meneguelli (Republicanos).
Os dois partidos já tinham sinalizado uma aliança na cidade com a formação de uma “chapa do Palácio Anchieta”, a partir de uma foto tirada pelo próprio Casagrande com Da Vitória e o secretário estadual de Agricultura, Paulo Foletto, principal líder do PSB em Colatina. O registro (acima) foi publicado por Da Vitória em suas redes sociais, na última terça-feira (22). Mas, até o último sábado (26), ainda não se sabia quem manteria a cabeça da chapa.
O PSB também tinha candidato a prefeito: o vereador Renann Bragatto, lançado por Foletto. Mas, no fim das contas, com o passo atrás do PSB, Bragatto não ficou nem como vice de Maricélis e não será candidato a nenhum cargo nesse pleito municipal. O vice de Maricélis será o empresário Leonardo Caetano, do PSL (nome de urna: Leo Produções).
Outra constatação é que, apesar de ter tentado atrair esses "partidos palacianos", Guerino Balestrassi (PSC) vem à frente de outra chapa na disputa pela prefeitura. O ex-prefeito pode até despertar também a simpatia do Palácio Anchieta, tem com ele outros partidos governistas como PP e PDT, mas não pode ser considerado o candidato do governo Casagrande na cidade do Noroeste. Quem pode mais corretamente ser apontada assim agora é Maricélis.
Segundo o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, a decisão de compor com a candidata de Da Vitória foi tomada no último sábado, no limite do prazo para os partidos solicitarem à Justiça Eleitoral o registro de seus candidatos. Ele explica por que o PSB cedeu em Colatina.
“Foi uma decisão política tomada com muita tranquilidade e de maneira coletiva. Um conjunto de situações nos levou a tomar essa decisão. Levamos em conta questões de ordem política, metodológica e científica.”
Nas “questões de ordem política”, pesaram o fato de o Cidadania ser parceiro do governo Casagrande e apoiar candidatos do PSB na disputa em outras cidades. Nas “metodológicas e científicas”, Gavini conta que pesquisas internas indicavam que Maricélis tinha maior potencial de crescimento eleitoral que Bragatto. “Naquele momento entendemos que o nome dela agregava mais a partir da saída do Serginho [Meneguelli].”
De acordo com Gavini, o fechamento em Colatina foi acompanhado de longe por Casagrande (que, repita-se, num gesto que vale mais que mil palavras, tirou a já mencionada foto com Foletto e Da Vitória):
“Ele tomou conhecimento da situação. E não teve posição contrária. Evidentemente, ele deixa por conta do partido o fechamento [das alianças]. Foi uma decisão entre os partidos lá, tomada coletivamente. E agora vamos olhar para a frente.”
Com o cuidado de separar partido de governo, o dirigente afirma que Maricélis agora é a candidata do PSB, mas não automaticamente a candidata do Palácio Anchieta.
“O governador Renato Casagrande é o governador do Estado do Espírito Santo. Ele não tem um candidato específico. Ele tem vários parceiros. Evidentemente ele acompanhou e concordou [com o acordo do PSB em Colatina]. Mas Maricélis não é a única candidata, vamos dizer, que tem o agrado dele lá”, pondera Gavini, citando, por exemplo, a boa relação do governador com Guerino Balestrassi (prefeito pelo PSB de 2001 a 2008).
Enfim, Colatina agora foi riscada da extensa lista de municípios onde o PSB terá candidato próprio a prefeito. Seja como for, o foco agora do partido, segundo Gavini, está todo voltado para a campanha.
“O importante é que a decisão está tomada e não há muito o que se falar sobre isso. Em política é assim: depois que a decisão é tomada, a gente tem que pensar no passo seguinte. E o próximo passo agora é a campanha. O que passou, passou. Não dá para ficar remoendo o que aconteceu ou o que poderia ter sido. O PSB terá sua chapa de vereadores em Colatina e nós apoiaremos a Maricélis para prefeita. Agora é seguir em frente e pensar na campanha.”
QUASE UM A CADA DOIS MUNICÍPIOS
O PSB, pelas contas de Gavini, terá 35 ou 36 candidatos a prefeito nos 78 municípios do Estado (um deles pode recuar), além de cerca de 26 vices e mais de 1 mil candidatos a vereador.
PSL MAIS “CENTRADO”
Como ressaltamos em nota publicada na manhã desta segunda-feira (28), o PSL está apoiando candidatos a prefeito que não são de direita nem pertencem a siglas de direita em algumas cidades importantes do Estado, como Vitória, Serra e Guarapari. Outra delas é Colatina, onde o partido fez o vice de Maricélis, do Cidadania (antigo Partido Popular Socialista). Enquanto isso, em Vila Velha, o candidato do PSL a prefeito, Amarildo Lovato, apresenta-se como o único candidato bolsonarista na cidade. É uma salada mista.
PARA REFLEXÃO
Mais uma vez dizemos: o fator ideológico é inflado e superestimado por alguns, mas, quando se trata de eleições locais, o que prevalece quase sempre é o puro pragmatismo político: o melhor arranjo eleitoral em cada cidade, as melhores chances de vitória, onde eu tenho ou não tenho aliados…
O VICE DE LYRA EM VIANA
Enquanto isso, o PTB (que, ao contrário do PSL, radicalizou à direita) lançou muitos militares pelo Estado, mas em Viana optou por um velho conhecido: o vice de Wylis Lyra (MDB) é o ex-prefeito Demóstenes, que já estava filiado à sigla antes da aproximação de Roberto Jefferson com Bolsonaro.