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Vitor Vogas

Theodorico, a fera ferida na Assembleia Legislativa

"A palavra é independência, até pela motivação do bloco que foi realizado, sem a minha assinatura e sem a minha aquiescência. Ainda bem. Graças a Deus! (...) Tô liberado", disparou o deputado de Cachoeiro

Publicado em 06 de Fevereiro de 2019 às 11:23

Públicado em 

06 fev 2019 às 11:23
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

O ex-presidente da Assembleia Legislativa Theodorico Ferraço (DEM) gosta de citar passagens bíblicas e fábulas envolvendo animais. No momento, ele é como o protagonista da fábula do leão e do rato (ou escravo, dependendo da versão): aquela que traz o rei da selva com um espinho na pata. Theodorico é, hoje, uma fera ferida, após ter perdido espaço na Mesa Diretora e nas comissões. O início da atual legislatura completa o processo, em dois atos, de esvaziamento do poder interno de Theodorico na Assembleia. O primeiro ato se deu na eleição passada da Mesa, em 2017, com a assunção de Erick Musso (PRB) à presidência, no lugar dele.
Nesta segunda-feira (4), o plenário definiu a formação das 15 comissões permanentes da Casa. A distribuição das vagas foi comandada por Marcelo Santos (PDT), um notório adversário de Theodorico. Marcelo foi o presidente de um bloco parlamentar criado com a finalidade de organizar a partilha das comissões.
O bloco contou com a adesão de todos os deputados, menos de Theodorico. Mas não por vontade dele. “Não fui procurado”, conta o ex-presidente da Assembleia. Theodorico acabou sendo designado como membro de apenas uma comissão (de quatro possíveis): a de Cidadania e Direitos Humanos. Mas, no início da sessão desta terça-feira (5), pediu ao presidente Erick Musso a retirada do seu nome, porque o ato foi feito à sua revelia.
Quanto ao governador Renato Casagrande (PSB), de quem foi importante aliado eleitoral, Theodorico avisa: de agora em diante, terá postura independente em relação ao Executivo. “A minha postura aqui é de independência. Estarei aqui trabalhando em favor do governo, mas sem qualquer liderança na minha frente, atrás ou do lado”, informa. “A palavra é independência, até pela motivação do bloco que foi realizado, sem a minha assinatura e sem a minha aquiescência. Ainda bem. Graças a Deus! (...) Tô liberado.”
Naquele seu estilo rico em ambiguidades, o velho leão de Cachoeiro nega que Casagrande tenha frustrado suas expectativas ou quebrado algum compromisso assumido previamente com ele, mas as palavras do deputado denotam certa mágoa com o governador. Theodorico foi um dos primeiros a apoiar a candidatura de Casagrande ao governo, já no primeiro semestre de 2017, quando nem Casagrande admitia candidatura e todos esperavam que o então governador Paulo Hartung buscasse a reeleição.
“Com a saída do governador Paulo Hartung, ele (Casagrande) não precisou mais de apoio nenhum, porque ele navegou praticamente com candidatos que não chegaram nem perto dele. Então foi uma candidatura que não dependeu de mais ninguém. A partir desse momento, ele não teve mais compromisso com a classe política. Ele fez o que tinha na cabeça dele. Foi buscar secretários e dirigentes de bancos fora do Estado do Espírito Santo. Assumiu a responsabilidade. O que nós desejamos é que ele seja muito feliz”, diz Theodorico.
Se ele se sente decepcionado com Casagrande? “Nem decepcionado nem recepcionado”, responde o deputado, à queima-roupa, com raciocínio ágil e palavras cheias de duplo significado. Palavras que devem acender o alerta no Palácio Anchieta. Pelo histórico do leão, ou alguém se apressa em retirar o espinho dele e afagar-lhe a pata, ou ele pode começar a rugir contra o governo.
“Só Deus me isola”
Theodorico Ferraço também reagiu ao isolamento imposto a ele em plenário por adversários internos. “Essa gente é muito pequena para querer me isolar. Não considero ninguém aqui capaz de me isolar. Eu sou um representante do povo do Espírito Santo. Só quem pode me isolar aqui é Deus. Não tem homem aqui para fazer isso não.”
Mais bronca
Lembrando: quem dirigiu a escalação das comissões foi Marcelo Santos – com a bênção do governador, segundo Theodorico, também na bronca com Casagrande por isso. “Foi um bloco feito de comum acordo com o Palácio Anchieta.”
“Esse rapaz”
Sobre o próprio Marcelo, Theodorico não quis nem falar. “Eu não quero falar sobre esse rapaz. Quem tem que falar é o próprio governador, que deu a ele, um ex-líder do governo Paulo Hartung, o papel de continuar liderando a vontade do próprio governador.”
Do Val com Defensoria
O senador Marcos do Val (PPS) recebeu nesta terça-feira (5), em seu gabinete, o defensor público do Espírito Santo Pedro Paulo Coelho, que tomará posse como presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep).
Rigoni se articula
O deputado federal Felipe Rigoni (PSB) trabalha para ser titular da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, uma das mais importantes da Casa, ao lado da CCJ. Também quer ser titular do Conselho de Ética e da Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência, além de suplente da de Ciência e Tecnologia.
Cena política
Na sessão desta segunda-feira (4), o deputado José Esmeraldo lia a lista de componentes de uma comissão, enquanto Euclério Sampaio cochichava alguma gracinha no ouvido dele. “Tá errado p**** nenhuma”, xingou, ao microfone, o explosivo deputado. Erick Musso, pessoalmente, correu para afastar o microfone de Esmeraldo e lhe chamou a atenção. “Tem que xingar mesmo”, respondeu Esmeraldo. Daqui a pouco terão que começar a censurar a TV Ales...

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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