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Mudança de secretários

Troca de perfil no comando da Sesp: sai um pensador, entra um operador

Além dos resultados ruins no combate à violência nos últimos meses, pesou na demissão de Roberto Sá o perfil acadêmico e estrategista, mas pouco "operacional". Com o coronel Ramalho, Casagrande busca alguém que "vá mais para as ruas"

Publicado em 06 de Abril de 2020 às 19:40

Públicado em 

06 abr 2020 às 19:40
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Alexandre Ramalho, coronel da PM e o ex-secretário de segurança Roberto Sá
Alexandre Ramalho, coronel da PM e o ex-secretário de segurança Roberto Sá Crédito: Carlos Alberto Silva/Vitor Jubini
A falta de resultados recentes, os índices crescentes de crimes violentos registrados no Estado desde agosto passado e um perfil muito técnico, de grande estrategista, mas pouco resolutivo e operacional. Esses foram os principais motivos que pesaram na decisão do governador Renato Casagrande (PSB), anunciada na tarde desta segunda-feira (6), de demitir o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, substituído pelo ex-comandante-geral da Polícia Militar Alexandre Ramalho.
A decisão foi tomada por Casagrande neste domingo (5) e foi comunicada a Sá nesta segunda-feira, bem cedo, em conversa no Palácio Anchieta. Em seguida, o secretário reuniu a sua equipe e se despediu. Foi uma decisão difícil para o governador, por ser ele um profundo admirador do conhecimento e da carreira de Roberto Sá e por gostar muito, pessoalmente, do agora ex-secretário. Mas a situação tornou-se insustentável. Já fazia algum tempo que, além de insatisfeito com os números, Casagrande estava angustiado (a palavra é essa) com o recrudescimento do índice de homicídios no Espírito Santo, desde agosto do ano passado, após um período de queda.
“Tem algum tempo que os resultados estão muito ruins, e isso vem incomodando muito o governador. Ele estava, pessoalmente, angustiado com isso”, revelou à coluna um colaborador de Casagrande.
Considerado muito bom tecnicamente e dono de um currículo invejável – incluindo passagem pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro –, o delegado da Polícia Federal caiu, acima de tudo, pelos maus resultados recentes da Secretaria de Estado de Segurança no combate aos crimes violentos.
É mais ou menos como aquele treinador muito qualificado e com excelente currículo, mas que não consegue fazer o seu time jogar bem e alcançar os “resultados positivos”. Sá começou bem no cargo, com vitórias à frente da Sesp na diminuição dos homicídios, mas, desde agosto do ano passado, seu time vinha em péssima fase.
O governador chegou à conclusão de que, por mais qualificado que seja, o ex-secretário não possui o perfil e o estilo de gestão da Segurança Pública que o Espírito Santo necessita neste momento. A troca de comando agora visa dar um choque, uma chacoalhada na Sesp e nas forças policiais (sobretudo a Polícia Militar), em busca de melhores resultados, a partir de uma mudança significativa de perfil do homem no comando.
Em 15 meses no cargo, Sá se mostrou um bom estrategista, um grande formulador e um gestor com uma visão acadêmica sobre a segurança pública. Em uma palavra, um perfil mais “intelectual”. Mas, na visão de governistas, não demonstrou ter um perfil “operacional”, de secretário que não só planeja e formula como vai à rua, motiva as tropas e executa o que planejou.
No trabalho do delegado federal fluminense – também ex-secretário estadual  de Segurança do Rio –, o governador e outros membros da alta cúpula do governo sentiram falta exatamente daquilo que se espera de alguém com passagem pelo Bope: maior presença “no campo”, maior capacidade de execução. Na visão de interlocutores do governador, a Polícia Civil até vem se fazendo bastante presente nas ruas, mas a Polícia Militar tem realizado poucas operações, e viria faltando ao secretário também capacidade de estimular as tropas.
Assim, sai Roberto Sá, com perfil mais de gabinete e de formulação estratégica, e entra em seu lugar o coronel Alexandre Ramalho, que teria justamente esse perfil mais “operacional” buscado pelo governador neste momento para conter a nova escalada de crimes violentos no Estado, sobretudo aqueles ligados à disputa por territórios entre facções do tráfico de drogas.
Mais do que apresentar o perfil mais “resolutivo” que faltaria ao antecessor, Ramalho poderia conciliar as duas pontas: a capacidade de formular as estratégias de combate ao crime com a de executá-las. Pelo menos essa é a aposta do governo Casagrande com essa troca que, principalmente pelo momento em que se dá, pegou de surpresa até aliados do Palácio Anchieta e outros operadores da segurança pública no Estado.
O governo espera que, diferentemente de Sá,  o novo secretário mostre mais "pulso firme", seja mais pró-ativo, mais enérgico, mais enfático e "mostre mais a cara". Este foi, por sinal, um último fator levado em conta na decisão: num momento em que os crimes violentos têm crescido, o secretário precisa estar constantemente comunicando-se com a imprensa e com a sociedade, a fim de explicar o cenário, as causas e as estratégias de enfrentamento à violência.
"Metade do trabalho de um secretário de Segurança é explicar o trabalho do secretário de Segurança. Não é ser midiático, querer aparecer a todo custo. É estar permanentemente explicando à sociedade o que está acontecendo", avalia um conhecedor da realidade da segurança pública no Espírito Santo.
Com personalidade bem discreta, Sá não se furtava a dar entrevistas e explicações quando requisitado, mas é um homem mais afeito à atuação nos bastidores. Pelo mesmo motivo, durante a sua passagem pela Sesp, interagiu pouco com os homens que atuam na linha de frente do policiamento ostensivo. 
Também nesse ponto, a aposta do governo é a de que o coronel Ramalho poderia preencher essa lacuna  – no que tange tanto à comunicação "para fora" como à motivação das tropas –, por sua experiência de quem já comandou o Batalhão de Missões Especiais (BME) e a própria Polícia Militar do Espírito Santo (PMES).
“Precisamos de um cara que formule e que execute. Alguém que seja bom de estratégia, como o Roberto é, mas que opere isso e coloque as forças policiais para operar”, resume um auxiliar do governador Renato Casagrande.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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