Quando começou a eleição para a Prefeitura de Cariacica, ninguém tinha a menor ideia do que poderia acontecer. Agora, na véspera da votação em 1º turno, a situação não mudou: ninguém se arrisca a dizer o que vai sair das urnas da cidade nesse domingo (15). Qualquer previsão é impossível.
Com recorde de 14 candidatos a prefeito, nenhum deles altamente conhecido na cidade, Cariacica tem uma das eleições mais disputadas neste século não só na cidade, mas em toda a Grande Vitória. A única certeza possível (desde o início, aliás) é que o município terá 2º turno. É o que prova a última pesquisa da série Ibope/Rede Gazeta, publicada na noite desta sexta-feira (13).
A primeira pesquisa da série, publicada em 17 de outubro, já dava a dimensão do equilíbrio, trazendo nada menos que 11 candidatos tecnicamente empatados. A desta sexta-feira não ameniza muito a incerteza: do líder, Sandro Locutor (PROS), com 18% dos votos válidos, ao 6º colocado, que é o Subtenente Assis (PTB), com 8%, há seis candidatos tecnicamente empatados, no limite da margem de erro, de cinco pontos percentuais para mais ou para menos.
Entre eles, estão: Euclério Sampaio (DEM), com 16%; Marcos Bruno (Rede) e Célia Tavares (PT), com 10% cada um; e Dr. Helcio (PP), com 9%.
A situação é tão atípica que, hoje, podemos ter não um, mas dois candidatos passando para o 2º turno em Cariacica com menos de 20% dos votos válidos, o que seria surreal em quaisquer outras circunstâncias (sem pandemia, sem tantos candidatos etc.). Mas esse é o “novo normal”.
Nesse cenário de tamanha incerteza, para além dos candidatos em si, creio ser importante sublinhar o que essa disputa representa, em termos de risco, para alguns políticos influentes que estão atuando como apoiadores de peso nesse processo.
Refiro-me, especificamente, aos deputados federais Amaro Neto (Republicanos) e Helder Salomão (PT), ao deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) e à vice-governadora Jaqueline Moraes (PSB), cada um com um candidato para chamar de seu.
Todos estão colocando à prova o seu prestígio e a sua força política. E uma derrota do respectivo candidato ou candidata será também, por tabela, uma derrota do apoiador ou apoiadora.
Destoando do próprio partido (que está com Euclério), Amaro apoia o ex-deputado estadual Sandro Locutor, seu ex-parceiro na Assembleia Legislativa. Nas últimas duas semanas, intensificou atividades de campanha ao lado de Locutor. Da primeira para a segunda pesquisa Ibope/Rede Gazeta, o candidato cresceu um pouquinho, de 14% para 18% dos votos válidos.
Após amargar três derrotas seguidas nas últimas três eleições para prefeito, o deputado estadual Marcelo Santos (Podemos), dessa vez, está apoiando Euclério Sampaio, seu aliado há muitos anos na Assembleia. Da primeira para a segunda pesquisa, Euclério caiu ligeiramente, de 18% para 16%.
Oito anos depois de não ter conseguido levar nem para o 2º turno sua então candidata, Lúcia Dornellas (PT), em 2012 (e naquele ano ele era um prefeito bem avaliado com a máquina na mão), Helder está testando novamente a sua capacidade de transferir votos, dessa vez para outra correligionária: a educadora Célia Tavares, sua secretária municipal de Educação de 2005 a 2012.
Como o ex-prefeito já declarou à coluna, ele está pessoalmente engajado na campanha da aliada. Até agora, Célia não deslanchou: do primeiro para o segundo levantamento do Ibope, passou de 9% para 10%.
Finalmente, o problema mais crítico no momento parece ser o da vice-governadora, cotada pelo PSB (pelo menos até este pleito) para ser candidata a deputada federal em 2022. Mergulhada de corpo e alma na campanha do professor Saulo Andreon, do seu partido, Jaqueline vê seu candidato estagnado: da primeira para a segunda amostragem, Saulo oscilou de 3% para 4%. Mesmo em uma eleição tão equilibrada e imprevisível, sua chegada ao 2º turno, a esta altura, seria algo milagroso.