Mais de 80 mil pessoas vão passar pelo Sambão do Povo neste carnaval. Esse número leva em consideração a quantidade de componentes de todas as escolas — dos grupos Especial, A e B — e também a expectativa de público da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesges) para a sexta-feira (10) e o sábado (11).
Só de desfilantes, as escolas reúnem mais de 19 mil pessoas — 19.300, para ser exata. Já com relação ao público, a expectativa é de que cerca de 60 mil pessoas acompanhem os desfiles das arquibancadas, mesas de pista e camarotes na sexta e no sábado. Somando esses números, e considerando que a Liga não tem estimativa do público do domingo (12), quando desfilam as escolas do grupo B, já que a entrada nesse dia é gratuita, chegamos à previsão de mais de 80 mil foliões.
Com base em dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) de 2011, podemos fazer um comparativo com a cidade de Vitória: a quantidade de foliões equivale a duas vezes o bairro de Jardim Camburi, maior da Capital, que tem pouco mais de 39 mil habitantes. Ou equivale a 13 vezes (!) a população de Santo Antônio, um dos bairros mais próximos do sambódromo, que tem pouco menos de 6 mil moradores.
Já o número de desfilantes é bem maior do que a população da Praia do Canto, que tem cerca de 15 mil habitantes. Ou duas vezes a população do Centro de Vitória, que tem pouco mais de 9.800 moradores.
Em número de desfilantes, as maiores escolas que vão passar pelo Sambão do Povo são a Andaraí, a Boa Vista e a atual campeã, Novo Império, todas no Grupo Especial. Cada uma vai desfilar com 1.500 componentes, de acordo com as fichas de inscrição. Já a menor escola em número de componentes é a Tradição Serrana, do Grupo B, com 500 foliões.
Mas por que eu estou falando isso?
Gente nas ruas e no Sambão significa movimento, compras, economia girando e comerciantes ganhando dinheiro. Tanto que a expectativa sobre a festa cresceu muito: um giro de R$ 136 milhões neste ano, nos setores de comércio, serviços e turismo no Estado. De acordo com a Fecomércio, crescimento de 27% em relação ao ano passado. É muita coisa!
A Xuxa da avenida
Se tem toda essa gente para desfilar e assistir às nossas escolas, merecem a simpatia e o carisma da corte da folia, não é mesmo? Pois durante os ensaios técnicos, vimos uma figura — não tão discreta nem tão tímida — despontar com sua simpatia. É Duda Silva, Rainha Trans do nosso carnaval.
Como a corte abre os ensaios de cada uma das escolas, as realezas vêm à frente, sambando e sorrindo. Porém, enquanto a bateria ainda não estava tão próxima, Duda se aproximava do público e o saudava com: "Olá, boa noite! Como vocês estão? Torcem por qual escola?" E, muitas vezes, a interação dava certo, viu? As pessoas respondiam com animação e se formava um animado diálogo. Duda já pode ser coroada como a Xuxa do nosso Sambão!
Médium de heróis negros
Mais um herói negro capixaba entra para o currículo do sambista, bailarino, professor, cantor e ator (ufa!) Nill Noslin. Depois de interpretar o herói serrano Chico Prego no teatro, Nill agora encara um novo desafio, em um novo palco: dará vida a Benedito Meia Légua, aquele do ditado "Mas será o Benedito?", que nomeia o enredo da Imperatriz do Forte neste ano. Benedito é símbolo da luta negra no Vale do Cricaré e nos sertões de São Mateus e Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo.
O convite veio no dia 2 de janeiro — pra já começar o ano novo com o pé direito! — e foi feito pelos carnavalescos da Verde e Rosa, Vitor Vassale e Victor Faria. "Desde o início da elaboração do enredo, quando fomos desenvolver a logo, não queríamos dar um rosto a Benedito Meia Légua, pois não sabemos como ele era. Só que, quando a logo ficou pronta, vimos que o contorno do rosto do Benedito ficou muito parecido com o perfil do rosto do Nill. Aí resolvemos chamá-lo para participar deste momento", contou Victor.
Nill é nascido em Goiabeiras e tem uma extensa história com o carnaval, principalmente em alas coreografadas e comissões de frente, inclusive da Imperatriz do Forte. "Eu me sinto muito privilegiado por dar vida e por trazer a memória desses heróis. Nós, artistas negros, sempre nos colocamos nessa proposta de resgate da história e de trazer a nossa memória", declarou Nill, emocionado.
"Fazer personagens que contam as histórias dos meus antepassados me lembra que devemos seguir resistindo como eles, diariamente. É entender que minha arte também está a serviço da luta e da resistência do meu povo, que está sempre clamando por justiça. Esses dois personagens fortalecem meu fazer artístico."
Se é pra falar de riso...
Com um enredo sobre o humor e que, claro, vai englobar o riso e a alegria, a Boa Vista convidou a turma da ONG Residentes do Riso, um grupo de palhaços voluntários que atua dentro de hospitais, para desfilar na escola. O convite foi feito pessoalmente pelo presidente da agremiação, Emerson Xumbrega. E o grupo topou na hora! "Foi uma honra sermos convidados pela escola, que vai falar sobre alegria na avenida. Alegria é com nós mesmos! Vamos provar que palhaço também tem samba no pé", declarou Sandra Ludmar, uma das componentes do grupo.