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Agravamento de danos decorrentes de chuvas requer controle de ações humanas
Mortes, desabrigo, isolamento da população, destruição de habitações, pontes e estradas e grandes prejuízos sócio-econômicos e ambientais ocorreram após tempestades, na semana passada, principalmente nos municípios de Iconha, Alfredo Chaves, Vargem Alta e Rio Novo do Sul. Nas últimas décadas, inundações e desmoronamentos causaram graves danos e perdas de vidas em dezenas de municípios capixabas.
Certamente, esses desastres estão principalmente relacionados com a ocorrência de chuvas intensas ou com longa duração. Contudo, colocar toda a culpa nas chuvas, como tem sido recorrente por parte de muitas autoridades e técnicos, não condiz com a realidade.
Diversos fatores relacionados com atividades humanas contribuem para que impactos relacionados com chuvas ocorram ou se agravem nos diferentes municípios capixabas. A ocupação de áreas inundáveis ou apresentando riscos de desmoronamento é um dos fatores mais importantes. Muitas cidades foram fundadas à beira de rios e córregos e habitações ocupam margens e, em muitos casos, leitos dos cursos de água, reduzindo os espaços para passagem das enchentes e, consequentemente, aumentando as velocidades e os níveis de água das inundações. Muitas encostas instáveis e apresentando altas declividades foram indevidamente ocupadas.
Fator agravante para enchentes está relacionado com o assoreamento de leitos de rios e canais devido à erosão de terra e ao descarte inadequado de resíduos sólidos. Impermeabilização do solo em áreas urbanas reduziu a infiltração da água, aumentando enxurradas. Sistemas de drenagem urbana ou de estrada mal projetados ou construídos podem gerar ou agravar inundações. Caso não sejam priorizadas ações visando ao controle de atividades humanas que ampliam os danos causados pelas chuvas, a tendência é o aumento dos prejuízos e das perdas de vidas decorrentes de chuvas no Espírito Santo.
É importante ressaltar que essas ações não são restritas a medidas estruturais, na forma de obras de engenharia. Em muitas situações medidas não-estruturais, na forma de legislação, delimitação de áreas inundáveis, mapeamento de encostas e fiscalização, por exemplo, são mais efetivas. A elaboração e a implementação efetiva de Planos de Drenagem Urbana e Zoneamentos de Uso e Ocupação do Solo bem fundamentados tecnicamente podem contribuir para desaceleração e redução do aumento dos graves impactos originados por chuvas nos municípios capixabas.