O abre e fecha de empresas mostra acirrada disputa de mercado no Espírito Santo. Dados da Junta Comercial do Estado atestam a abertura formal de 14.476 empresas no território capixaba em 2019 - recorde nos últimos sete ano. Perde apenas para 14.482 em 2011 (diferença de seis empresas), em contextos econômicos diferentes.
O emprego com carteira assinada cresceu no Espírito Santo, no ano passado. Foram geradas 19,5 mil vagas. Se o número de desempregados não tivesse diminuído, provavelmente o total de novos empreendimentos teria sido maior, como opção de renda para muitos trabalhadores. Por outro lado, o aumento do número de pessoas trabalhando incentiva a abertura de negócios.
O recorde de novas empresas em 2019 veio junto com uma triste contrapartida: os registros oficiais mostram a extinção de 8.713 negócios ao longo do ano. Pior, ainda: imagina-se que o total de naufrágios tenha sido maior, porque quase diariamente muitos empreendimentos encerram suas atividades sem dar baixa nos órgãos de governo. A alegação frequente é excesso de burocracia e "perda de tempo". Não são poucos os que dizem que dar baixa numa empresa é mais difícil do que abrir uma nova.
Das 14.476 firmas que nasceram no território capixaba em 2019, cerca de 14 mil são micro e pequenas. Maioria tendendo à totalidade. Das 8.713 que sucumbiam, 8.550 são micro e pequenas. E nesse universo que está a efervescência da guerra pelo mercado, em vários segmentos. Essa percepção se confirma pelo fato de no Espírito Santo existirem atualmente 242 mil negócios classificados como MEIs (Microempreendedores Individuais), segundo dados da Receita Federal.
Registre-se que 2019 foi um ano de importantes conquistas para os pequenos negócios. Os benefícios começaram em abril, com a criação da Empresa Simples de Crédito (ESC). É uma figura jurídica que permite pessoas físicas abrirem uma empresa para emprestar dinheiro para pequenos negócios, com juros baixos e menos burocracia.
Outro avanço foi a regulamentação do Selo Arte, que garante comercialização em todo o país de produtos alimentícios de origem animal produzidos artesanalmente. Além disso, a Lei da Liberdade Econômica (que desburocratiza a abertura e gestão de negócios) tem infundido mais confiança em quem quer empreender.