A água é o nosso recurso natural mais precioso e um dos mais negligenciados pelo homem. Foi depois da falta que ficamos mais atentos para os cuidados que é preciso ter com ela e com as áreas que a cerca. Não basta cuidar da água sem ficar atento à vegetação das margens, entre outros fatores.
Este mês é comemorado o Dia Mundial da Água, no dia 22. Em 2018, a Organização das Nações Unidas traz como tema “A natureza pela água” e levanta a discussão para soluções dos problemas hídricos que se baseiam na natureza. Trata-se de estimular uma gestão mais consciente de recursos naturais como vegetação, solo e mangues, entre outros.
Atuar para recuperar essas áreas é fundamental para garantir água para as próximas gerações. Se bem cuidadas, a vegetação das margens de rios e lagos garante um solo úmido e mais resistente em caso de inundações. Sem contar que áreas verdes garantem a redução da poluição e da temperatura em seu entorno.
Essa série de soluções baseadas na natureza dá origem ao que é chamado de “infraestrutura verde”. Trata-se de sistema naturais que oferecem os mesmos benefícios de sistemas criados pelo ser humano, mas com a vantagem de causarem impactos muito menores.
A falta de vegetação à beira de rios e lagos traz consequências diversas. Uma das mais graves é a erosão do solo que, além de assorear rios, empobrece o solo e prejudica comunidades ribeirinhas. Atualmente, a erosão do solo desloca entre 25 e 40 bilhões de toneladas de camadas vegetais. O resultado disso? Lavouras menos produtivas e águas poluídas pelos rejeitos do solo, contendo compostos como nitrogênio e fósforo.
Toda essa preocupação com a água é um fenômeno recente, mas deveria ser constante. O Brasil e o mundo enfrentam problemas de abastecimento há muito tempo. No Espírito Santo, algumas cidades da Região Norte sofreram com racionamento de água até o ano passado.
E as perspectivas não são animadoras. Ainda segundo a ONU, mais de 80% das águas residuais – o que inclui o esgoto doméstico – são lançados no meio ambiente sem qualquer tipo de tratamento. Até 2050, a população mundial deve aumentar em 2 bilhões de indivíduos e a demanda por água cresce 30%. Por isso, é um assunto tão urgente.
A solução para essa questão não vem de um local apenas. Governos têm sua parcela de responsabilidade, em várias esferas, e a população precisa fazer a sua parte também. Uma das alternativas é ensinar economia de água nas escolas. Crianças costumam levar as informações que aprendem na escola para a rotina doméstica.
O fato é que os cuidados com a água deveriam fazer parte de uma rotina. E, se não fazem, precisam passar a fazer parte, para diminuir os impactos da ação do homem sobre esse bem tão precioso e fundamental para a vida.
*O autor é diretor de uma empresa especializada na recuperação de áreas degradadas, entre outros serviços