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Perspectivas

De onde veio e para onde caminha a economia capixaba?

O ES que há 100 anos era sinônimo de economia pouco dinâmica pode se colocar ao lado de outras regiões do mundo onde a sustentabilidade social, ambiental e econômica vai além do discurso vazio e enganoso de governos e empresas

Publicado em 30 de Janeiro de 2020 às 04:00

Públicado em 

30 jan 2020 às 04:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

BR 262 no Espírito Santo Crédito: Divulgação
Guardadas as devidas proporções e consideradas todas as diferenças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas, vale pensar sobre as possibilidades da economia capixaba neste início de terceira década do século XXI,  do que foi mudado desde os anos 20 do século passado. Em 100 anos, a formação socioeconômica do Espírito Santo superou a separação geográfica Sul-Norte, com a construção da ponte sobre o Rio Doce em Colatina, em 1928, e a de Linhares, em 1954.
Passou a ter possibilidade efetiva de tornar-se porta ao mar para uma vasta hinterlândia com a criação da Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, e a transferência para sua gestão da Estrada de Ferro Vitória-Minas. Em 1945, foi dado o passo inicial para a criação do que hoje é a Universidade Federal do Espírito Santo, primeira iniciativa referente ao ensino superior no Estado.
Os primeiros trechos da BR 101 foram inaugurados na década de 1960, quebrando o isolamento rodoviário do Estado com o Nordeste brasileiro. Ainda naquela década, a BR 262 toma corpo e passa a constituir uma alternativa de ligação do Espírito Santo com Estados a Oeste de seus limites.
Sua industrialização retardatária foi resposta à crise do café nos anos 1960 e ganhou em escala e dimensão internacional com o Porto de Tubarão inaugurado em 1966. Desses dois movimentos – apoio à diversificação produtiva com fomento a partir de iniciativas políticas do governo estadual e localização de grandes projetos no Estado a partir da União, principalmente com a operacionalização do II Plano de Desenvolvimento –, resultaram uma economia fortemente concentrada e dependente.
Concentrada em pouco mais do que 1/3 da faixa litorânea e dependente da exportação de produtos de baixo valor agregado e baseados em recursos naturais não renováveis.
O modelo de crescimento adotado nos últimos 100 anos foi e ainda é socialmente excludente e pouco sustentável ambiental e economicamente. A parcela da população no nível de pobreza ou abaixo dela é incompatível com uma economia cujo PIB cresce a taxas superiores à média nacional há mais de 30 anos.
A quase total ausência de políticas sociais efetivas onde moram os mais pobres, principalmente negros, demonstram descaso do poder público em níveis estadual e municipal para com a eticamente necessária inclusão social.
A degradação do solo, da água e do ar, e o descuido para com a biodiversidade em todo o território capixaba, são um desastre anunciado há mais de 70 anos em trabalhos pioneiros de Augusto Ruschi e em outros que ganharam corpo através de estudos e pesquisas na Ufes e no Ifes nas últimas décadas.
Virar o jogo da exclusão social e da insustentabilidade ambiental é tarefa complexa. Complexidade que pode ser enfrentada a partir de ativos sociais, econômicos, científicos e tecnológicos hoje existentes no Espírito Santo. Ativos que capacitam o Estado a se colocar na fronteira do que hoje se pensa e faz no mundo em direção de uma economia centrada na vida de humanos e demais seres viventes.
Economia biocentrada nos termos propostos por estudiosos de diversos campos do saber e que tem no Papa Francisco e em jovens como Greta Thunberg liderança e ativismo político necessários para se contrapor às crises social, ambiental e climática cada vez mais presentes na vida da maioria. Crises que ganham cada vez mais corpo, velocidade e intensidade Brasil adentro e mundo afora.
O mesmo Espírito Santo que há 100 anos era sinônimo de economia pouco dinâmica e integrada pode se colocar ao lado de outras regiões do mundo onde a sustentabilidade social, ambiental e econômica vai além do discurso vazio e da propaganda enganosa de governos e empresas. Sustentabilidade que vale mais, muito mais, do que interesses imediatistas das finanças mundializadas.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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