Isso não qualifica ou desqualifica a proposta, mas é preciso saber que não existe mágica. O desenrolar do programa vai pedir sacrifício de ambos os lados e nem tudo serão flores para aqueles que aderirem às propostas de renegociação.
Negocie bem e não se comprometer com um parcelamento que seja difícil de pagarCrédito: Freepik
Na primeira etapa, serão retiradas as restrições das pequenas dívidas, de até R$ 100. Quem tiver dívidas não pagas e for beneficiado pelo Desenrola Brasil passará a ter o nome limpo. No entanto, a dívida continuará existindo, pois apenas a publicidade junto aos cadastros de crédito será retirada. Cabe lembrar que nenhuma instituição financeira é obrigada a conceder crédito e, em outras palavras, obter empréstimo não é direito.
Na verdade, trata-se também de uma escolha ou uma concessão do credor, que sempre fará uma análise do devedor para tomar a decisão de emprestar ou não. E dificilmente uma instituição que deixou de receber o pagamento do empréstimo concedido fará uma nova concessão para a mesma pessoa, mesmo que ela passe a ter o nome limpo por conta do programa.
Dessa forma, será válida a ação de baixa das pequenas restrições para aqueles que aproveitarem a oportunidade para realizar novas operações, com outras instituições, cuidando para que, dentro de suas possibilidades, tenham um comportamento de bom pagador. Certamente, haverá pessoas que vão usar o nome limpo para tomar novos empréstimos e não pagar, mas isso será o efeito indesejado do programa e um grande desperdício.
Já na segunda etapa, devedores com renda de até R$ 20 mil por mês devem procurar as instituições participantes e sentar para negociar. Isso não é novidade, pois os bancos geralmente abrem alternativas para reestruturar dívidas não pagas, mas o programa tem o mérito de dar publicidade a esse tipo de negociação e buscar criar boa vontade em ambas as partes para que cheguem a um consenso.
No entanto, lembre-se que você vai precisar entrar em acordo com o banco e isso inclui eventual desconto na dívida, prazos mais dilatados de pagamento e taxa de juros baixa, que viabilize a operação. É importante negociar bem e, antes de qualquer coisa, não se comprometer com um parcelamento que seja difícil de pagar.
Não adianta renegociar e gerar outra dívida tão complicada quanto a primeira, por isso, a dica é pedir o máximo desconto e as melhores condições de pagamento, até que realmente se torne algo viável. Se tiver condições de quitar à vista, com desconto máximo, será o melhor dos mundos.
De qualquer forma, é importante dizer que, ao obter desconto da dívida (que em alguns casos pode chegar a 90%), mesmo que você pague tudo que foi acordado na renegociação e seu nome fique limpo, aquela instituição que concedeu o desconto pode não querer mais lhe conceder crédito, e isso é do jogo.
Como falamos, a concessão de crédito é uma decisão do credor, a partir da análise do devedor e da operação proposta, e ele não é obrigado a emprestar. De qualquer forma, você com nome limpo pode encontrar alternativas em outras instituições financeiras para tomar crédito novamente.
Na terceira etapa, devedores que tenham renda de até 2 salários mínimos ou sejam inscritos no CadÚnico com dívidas de até 5 mil reais terão acesso a um programa de negociação com cadastro através do Gov.br. Como esta etapa está prevista para setembro deste ano, é preciso aguardar um pouco mais para saber o que será ofertado ao devedor.
Alguns bancos estenderam a campanha de renegociação para dívidas que estão fora do programa Desenrola, de pessoas físicas ou jurídicas, portanto é importante ficar atento a eventuais oportunidades.
Para concluir, é essencial que as pessoas pensem o crédito como alternativa para a realização de sonhos e antecipação de necessidades, e não como um criador de problemas futuros. Mesmo que imprevistos possam acontecer na vida de todo o mundo, é preciso que haja responsabilidade ao tomar empréstimos e financiamentos.
No Brasil, os juros são altos e isso tem diversos motivos, mas entre eles está a alta inadimplência. Em um futuro próximo, iremos evoluir de forma que o histórico de crédito tenha ainda mais peso na facilidade de obtenção de empréstimos e financiamentos, inclusive com forte influência na taxa de juros concedida, como já ocorre em países mais desenvolvidos. Portanto, cuide do seu CPF e do seu histórico, e procure se comprometer sempre dentro das suas reais possibilidades.
Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.