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Lélio Monteiro

Saiba por que Roberto Campos Neto não continuará à frente do Banco Central

O mandato fixo do atual presidente do Bacen do Brasil termina em dezembro de 2024, mas ele já sinalizou que não aceitaria ser reconduzido

Publicado em 01 de Março de 2024 às 10:56

Públicado em 

01 mar 2024 às 10:56
Lélio Monteiro

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Lélio Monteiro

lelio@pedraazulinvestimentos.com

O atual presidente do Bnco Central (Bacen), Roberto Campos Neto, assumiu o cargo em janeiro de 2019, no início do governo anterior. Dois anos depois, foi conduzido para um mandato fixo, de quatro anos, segundo a nova lei de autonomia do Banco Central.
Sendo assim, o mandato do presidente do Bacen inicia exatamente na metade do mandato do presidente da República, que tem a prerrogativa de indicar o nome para sucedê-lo, ainda sujeito ao aval do Senado.
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O trabalho de Roberto Campos Neto é bem avaliado pelo mercado, apesar de ter ocorrido em um período um tanto complicado. A pandemia, em 2020, trouxe grandes desafios, porque gerou expectativa de recessão, o que se confirmou através de uma queda generalizada no PIB mundial naquele ano. Com isso, o Bacen teve a coragem de trazer a Selic para o mínimo histórico de 2% a.a., algo nunca antes visto no país.
O que não se esperava, inicialmente, era que a inflação fosse acelerar de forma tão incontrolável — e aqui falamos de um fenômeno mundial que persiste até hoje, quatro anos após o início da pandemia. Nesse segundo momento, o Banco Central, liderado por Roberto Campos Neto, teve nova atitude corajosa, mesmo que o remédio seja amargo: subir juros.
Enquanto diversos outros países divergiam em sua política monetária, condescendendo de certa forma com a subida da inflação, por considerar que a alta dos preços era um fenômeno inevitável e de origem externa, o Bacen brasileiro foi fiel aos seus modelos, à condução técnica e ao seu mandato, que é de preservar o valor da moeda e controlar os preços. À despeito do que ocorria no resto o mundo, por aqui o Bacen subiu juros antes. E foi nessa hora que as críticas mais pesadas foram feitas ao presidente e à diretoria do Banco Central, momento em que ele se manteve sereno e firme no que precisava ser feito.
O resultado é que a nossa inflação está bem mais comportada, mesmo que lá no início do problema tenha sido um fenômeno importado da conjuntura mundial pós-pandemia. E, por isso, estamos conseguindo abaixar os juros enquanto outros países mantêm suas taxas em níveis mais altos.
É verdade que, no Brasil, ainda temos juros estratosféricos. Também é verdade que nossa economia ainda carece de muito desenvolvimento, amadurecimento e competitividade para que possamos ter uma inflação menor sem comprometer o desenvolvimento.
Mas não podemos negar que, com as ferramentas que tinha à mão, o trabalho do Banco Central liderado por Roberto Campos Neto foi de muita coragem e competência. Não seria exagerado afirmar que o atual presidente acumulou bastante credibilidade e confiança junto ao mercado, o que é algo fundamental para ajudar a ancorar as expectativas e gerar previsibilidade.
Apesar do trabalho mais vísivel do Banco Central ser a condução da política monetária e a determinação da taxa Selic, existe também todo um trabalho de estruturação, fiscalização, monitoramento e desenvolvimento do mercado, cujo exemplo mais tangível para a população em geral é a criação do PIX.
Infelizmente, tudo indica que o atual presidente não será reconduzido. O governo já deu diversos sinais em contrário, e faz parte do jogo político, já que o atual presidente do Bacen foi indicado pelo governo anterior. O próprio Roberto Campos Neto, que poderia ter mais um mandato, até 2028, já disse que não aceitaria a recondução.
É uma pena. Não só pelo bom trabalho que foi feito nos últimos anos, mas também porque a credibilidade acumulada e a confiança que a atual diretoria passa ao mercado seriam úteis em mais um mandato. Certamente, o atual governo se beneficiaria com a recondução do atual presidente, mas sabe-se que isso hoje seria muito difícil de acontecer.

Lélio Monteiro

Administrador de Empresas (UERJ), pós-graduado em Engenharia Econômica (UERJ), certificado CFP® e Ancord. 21 anos de carreira no mercado financeiro, com passagens pelo atendimento Private, Alta Renda, Gestora de Recursos, Tesouraria e Educadoria Corporativa. Desde 2018, sócio da Pedra Azul Investimentos, escritório de assessoria de investimentos sediado em Vitória-ES.

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