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Dinheiro

Entenda a deflação recorde no mês de julho

O Brasil registrou deflação (queda de preços) de 0,68% em julho. A taxa é a menor já registrada pelo índice oficial de inflação do país, o IPCA, desde o início da série histórica, em janeiro de 1980. A queda vem após uma sequência de altas dos preços

Publicado em 10 de Agosto de 2022 às 11:05

Públicado em 

10 ago 2022 às 11:05
Pedro Lang

Colunista

Pedro Lang

pedro.lang@valorinvestimentos.com.br

A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 0,13%, bem abaixo do 0,69% de junho, trouxe a deflação (queda inflacionária) no mês de julho. A deflação ocorre basicamente a partir das quedas de preços de combustíveis e energia elétrica, após as recentes medidas do governo para segurar os valores dos itens. Este foi o motivo de boa parte da desaceleração do IPCA.
Os preços de combustíveis tiveram queda de 4,88%, com destaque para os recuos de 5,01% da gasolina e de 8,16% no etanol. Já o preço da energia elétrica teve retração de 4,61%. Com a redução de tributos sobre combustíveis e a conta de luz, a desaceleração reforça a expectativa de IPCA negativo no mês de julho.

Deflação = queda de preços

O Brasil registrou deflação (queda de preços) de 0,68% em julho, informou nesta terça-feira (9) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado foi puxado pela redução dos combustíveis, especialmente da gasolina e do etanol, e da energia elétrica.

A taxa é a menor já registrada pelo índice oficial de inflação do país, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desde o início da série histórica, em janeiro de 1980. 

A queda vem após uma sequência de altas dos preços.

A queda de julho é a primeira desde maio de 2020. À época, a baixa havia sido de 0,38%, em um contexto de restrições a atividades econômicas com a chegada da pandemia.

No entanto, o alívio está concentrado nos preços de combustíveis e energia elétrica, ou seja, os alimentos voltaram a ficar mais caros, com destaque para o leite e seus derivados, e os serviços.
Ilustração sobre a mudança de
Ilustração sobre a mudança de "inflação" para "deflação" Crédito: Fokusiert / Getty Images/iStockphoto
A inflação apresenta um cenário mais suave do que há dois meses. Melhorou de forma progressiva, mas pode ser uma melhora transitória, às custas de uma piora à frente.
A piora pode vir, por exemplo, da alta na taxa de câmbio. Isso quer dizer que o dólar mais elevado virá com a alta dos juros nos Estados Unidos, que ocorrerá na reunião do FED (Federal Reserve) nesta semana.
Para fazer um contraponto: os alívios com os combustíveis e a conta de luz são contrabalançados pelos preços dos alimentos.
Temos como exemplo o grupo Alimentação e Bebidas que subiu 1,16%, ou seja, foi o principal impacto de alta em julho. Os principais vilões foram o leite e seus derivados. O leite longa vida ficou 22,27% mais caro, acumulando alta de 57,42% no ano. Entre os derivados, ficaram mais caros em julho o requeijão (4,74%), a manteiga (4,25%) e o queijo (3,22%). Outros destaques de alta foram as frutas (4,03%), o feijão carioca (4,25%) e o pão francês (1,47%).
Temos um quadro bastante desafiador para esse ritmo de arrefecimento da inflação, a contar com o movimento de alta do câmbio que adiciona pressão. O alento trazido pela diminuição do índice alimenta a esperança de diminuição na taxa básica de juros da economia brasileira no ano de 2023. O mercado já tem como cenário base a queda na taxa Selic para 11% no final de 2023 e um crescimento de 2% na economia esse ano.
Com desemprego diminuindo, inflação arrefecendo e PIB voltando a crescer, esperamos que o pior tenha ficado para trás.

Pedro Lang

Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Começou a carreira operando ações na antiga corretora do Banestes e desde 2016 é chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos, onde se tornou sócio em 2018. É um dos responsáveis pelo comitê de alocação de ativos. CFA® Program participant, CFA Institute.

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