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Criptomoeda

Entenda por que o Bitcoin fracassou como moeda

Após 14 anos de sua criação, o Bitcoin ainda não apresenta as principais funções necessárias para que possa ser considerado uma moeda

Publicado em 13 de Setembro de 2022 às 08:56

Públicado em 

13 set 2022 às 08:56
Vicente Duarte

Colunista

Vicente Duarte

vicenteduarte@banestes.com.br

O Bitcoin - BTC é uma criptomoeda criada em 2008 por Satoshi Nakamoto, com a publicação do artigo “Bitcoin: A Peer-to-Peer Eletronic Cash System”. Além da moeda digital, foi criado um novo sistema de pagamentos. Porém, para que algo possa ser considerado como moeda deve ter pelo menos as três principais funções do dinheiro, que são:
  • reserva de valor;
  • unidade de conta; 
  • meio de troca.

RESERVA DE VALOR

O escambo foi a maneira de transacionar bens e serviços nos tempos antigos. As trocas eram realizadas diretamente entre as mercadorias, sem que houvesse a participação de alguma moeda no processo.
Ao longo dos séculos, algumas mercadorias se destacaram como intermediárias nas transações comerciais, exercendo a função de moeda. As mercadorias escolhidas como moeda apresentavam algumas características importantes, uma delas era não ser perecível, para que se pudesse preservar o seu valor ao longo do tempo.
No comércio atual as transações ocorrem em duas etapas. Na primeira ocorre a venda de bens ou serviços por dinheiro. Na segunda etapa ocorre a troca do dinheiro por outros bens ou serviços. Essa quebra em duas etapas, que podem ocorrer em momentos diferentes no tempo, permitiu acelerar o acúmulo de riqueza na forma de moeda.
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Criptomoeda Bitcoin Crédito: Pexels
Portanto, para que a função de reserva de valor aconteça, é fundamental que exista estabilidade em relação aos preços da moeda. Mas o BTC apresenta um problema para funcionar como reserva de valor: a volatilidade da moeda digital compromete essa função devido às grandes variações que ocorrem em sua cotação.

UNIDADE DE CONTA

Ser unidade de conta ou denominador comum monetário é representar um padrão de medida e ser uma referência para as trocas. Essa função possibilita que sejam expressos em unidades monetárias os valores dos bens e serviços produzidos. Como exemplo, no Brasil todos os produtos e serviços têm seus valores expressos em Reais (R$).
Porém, a alta volatilidade de seus preços é um problema para que a criptomoeda funcione como unidade de conta. A variação do valor da moeda digital dificulta a fixação de preços em BTC. Uma mercadoria ou serviço com seu valor fixado em Bitcoins pode se tornar muito barato ou muito caro, dependendo da cotação.

MEIO DE TROCA

Toda moeda deve servir como meio de troca para transacionar bens e serviços com facilidade. Para que seja considerada como meio de troca, ela deve ser aceita como forma de pagamento para intermediar a aquisição de diferentes bens e serviços.
Diferente de várias moedas nacionais oficiais de diversos países, que têm amparo na força da lei e não podem ser recusadas em qualquer tipo de negociação, o BTC é aceito somente por quem tem interesse em utilizá-lo. Também por conta da alta volatilidade, a aceitação da moeda digital por parte dos comerciantes ainda é muito pequena. Porém, existe uma tendência de aumento na aceitação.
O Bitcoin possui várias outras atribuições positivas para exercer a função de moeda: escassez, durabilidade, portabilidade, divisibilidade, fácil de armazenar, fungível e dificuldade de falsificação.
Porém, podemos concluir que enquanto a questão da volatilidade não for resolvida o BTC não poderá efetivamente exercer a função de moeda, e os sistemas tradicionais de pagamentos permanecerão dominantes.
O preço de uma moeda é definido pela relação entre sua oferta e demanda. Como a emissão de novos Bitcoins segue uma regra fixa, as pressões por parte da demanda têm impacto direto em sua cotação. Portanto, solucionar a volatilidade não é simples, pois, seria necessário alterar a regra de emissão da moeda digital para ajustar a oferta à demanda.
Aos leitores interessados em considerar o Bitcoin como uma alternativa de investimento, a dica é aguardar a minha próxima coluna.

Vicente Duarte

Graduado em Economia pela Ufes, com MBA em Gestao Financeira e Controladoria pela FGV e MBA em Digital Business pela USP. Atua ha 15 anos no mercado financeiro e atualmente e diretor do Banestes.

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