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Protagonismo

Revolução silenciosa: ES desponta como próximo polo de inovação do Brasil

Infraestrutura robusta, fundos de investimento e startups em crescimento colocam o Estado entre os ecossistemas mais promissores do país
Vicente Duarte

Publicado em 

02 dez 2025 às 08:17

Publicado em 02 de Dezembro de 2025 às 11:17

Recentemente, Espírito Santo tem se destacado nos âmbitos nacional e internacional como um dos ecossistemas de inovação mais promissores do Brasil. Embora historicamente associado à exploração de petróleo, pedras ornamentais e logística portuária, a região está passando por uma transformação econômica acelerada e significativa. Essa mudança é respaldada por dados e reconhecimentos que indicam um novo posicionamento: o Estado está se firmando como um polo relevante de startups no Brasil.
Um dos indicadores mais claros dessa evolução é a inclusão de Vitória entre os dez principais hubs emergentes de tecnologia na América Latina, segundo a LAVCA (Associação para Investimento de Capital Privado na América Latina). Durante o período analisado (2022 a 2024), empresas capixabas reportaram 12 rodadas de investimento em capital de risco, um desempenho superior ao de outras capitais. Esse reconhecimento internacional fortalece uma tendência que já se manifesta no cenário nacional.
Tecnologia, inovação, investimento, indústria, inteligência artificial
Investimentos em tecnologia demonstram confiança no potencial capixaba Crédito: Shutterstock
O Global Startup Ecosystem Index 2023, uma análise global que monitora mais de mil ecossistemas ao redor do mundo, revela que Vitória ocupa a 774ª posição global e a 20ª no Brasil, enquanto Vila Velha se posiciona entre os 900 maiores ecossistemas, avançando 91 posições em apenas um ano. A ascensão rápida dessas duas cidades demonstra o fortalecimento do ambiente empreendedor capixaba e confirma um progresso contínuo.
Além da evolução em termos de reputação, o Estado apresenta métricas consistentes de crescimento de startups. O relatório “Mapeamento Inovação Capixaba”, conduzido pela concessionária de energia EDP e pela Sling Hub, identificou 134 startups ativas no Espírito Santo em 2023. Embora esse número represente cerca de 0,73% das 18.161 startups do país, destaca-se a velocidade da evolução. O levantamento revela que as rodadas de investimento quadruplicaram em 2023, com um aumento superior a 80% no volume aportado em comparação ao ano anterior, alcançando aproximadamente US$ 8,3 milhões. O aumento das transações é um sinal de maturidade: mais negócios estão sendo validados e mais investidores estão ativamente pesquisando o que está sendo desenvolvido no Estado.
A infraestrutura do ecossistema também está em expansão. O mesmo mapeamento indica a existência de 108 ambientes de inovação distribuídos em 16 municípios, incluindo incubadoras, aceleradoras, hubs corporativos e laboratórios de pesquisa. Essa infraestrutura descentralizada facilita a criação de startups em diversas áreas e garante uma ampla capilaridade para iniciativas tecnológicas.
Entre os participantes mais relevantes, o hub Findeslab, mantido pela Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes), destacou-se nacionalmente ao ser reconhecido pelo ranking 100 Open Startups 2024 como um dos três principais ecossistemas do Brasil na categoria Sistema S, entidades públicas e patronais. O Base27, por sua vez, consolidou-se como o maior hub de inovação corporativa do Estado, reunindo diversas empresas e fortalecendo conexões estratégicas entre startups, indústrias de grande porte e investidores.
O avanço capixaba também é fomentado por políticas públicas eficientes. O Espírito Santo é mencionado em relatórios oficiais como o único Estado brasileiro a possuir um Fundo Soberano, financiado por receitas do petróleo, com parte dos recursos sendo direcionados à diversificação econômica e inovação. O segmento voltado para startups, o Funses1, já investiu em 25 empresas e almeja atingir 50 startups nos próximos anos. As iniciativas do fundo complementam a atuação do Bandes, que liberou mais de R$ 200 milhões em 2024 para programas de pesquisa, transferência de tecnologia e apoio a empreendimentos inovadores, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
Programas estruturantes, como o Seed-ES, Centelha, Tecnova II e o Programa Sementes, visam ampliar a capacitação de empreendedores e a criação de novas soluções tecnológicas. Essa combinação de mecanismos financeiros, capacitação e infraestrutura fortalece as bases do ecossistema e evidencia uma estratégia de Estado voltada para a inovação.
O setor privado também desempenha um papel fundamental. Firmas de investimento estabelecidas no Espírito Santo estão ampliando suas operações em empresas de tecnologia e demonstram confiança no potencial de crescimento do mercado local. Esse movimento de capital privado qualificado cria um ciclo virtuoso de investimento, aceleração e retenção de talentos.
Conjuntamente, esses fatores ajudam a explicar o protagonismo do Espírito Santo como um ecossistema em rápida evolução. Com uma governança bem articulada, investimentos estruturados e um ambiente cada vez mais propício ao empreendedorismo, a região está superando a fase inicial de experimentação e consolidando uma trajetória de crescimento.
O que se configura não é um crescimento explosivo, mas uma transformação contínua, consistente e estratégica — uma verdadeira revolução silenciosa que coloca o Espírito Santo entre os principais destinos brasileiros para startups e inovação.
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