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Descontos irregulares

AGU pede ao STF que ressarcimento de fraudes no INSS fique fora de regra fiscal

Ação também quer suspensão de ações judiciais responsabilizando INSS e a União pelas fraudes em aposentadorias e benefícios
Agência FolhaPress

Publicado em 

12 jun 2025 às 19:48

Publicado em 12 de Junho de 2025 às 19:48

BRASÍLIA - A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou com uma ação nesta quinta-feira (12) no STF (Supremo Tribunal Federal) para que o ressarcimento dos descontos fraudulentos feitos em benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) fique fora da meta fiscal deste ano.
A peça afirma que, diante da imprevisibilidade da situação, "bem como do elevado interesse social em garantir a célere restituição dos valores indevidamente desviados das contas dos segurados do INSS, é possível a abertura de crédito extraordinário para o custeio das reparações necessárias".
Com o crédito, os valores ficam de fora dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal e da meta de superávit primário de 2025 e 2026.
A AGU aponta que decisão semelhante foi tomada no caso das enchentes no Rio Grande do Sul, no ano passado.
INSS, Previdência, aposentados
Ressarcimento dos descontos fraudulentos feitos em benefícios pagos pelo INSS pode ficar fora da meta fiscal deste ano Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A AGU também quer uma medida cautelar suspendendo todas as ações em instâncias inferiores buscando responsabilizar a União e o INSS pelas fraudes.
No mérito, o governo pede que as decisões já tomadas nesse sentido sejam declaradas inconstitucionais.
"O objetivo é evitar um contexto de litigância de massa que poderia prejudicar a segurança orçamentária da União e, no limite, pôr em risco a própria sustentabilidade das políticas de pagamento de benefícios previdenciários", explicou a AGU.
Segundo o órgão, "decisões nas demais instâncias judiciais têm apresentado interpretações conflitantes sobre os requisitos, fundamentos e extensão da responsabilidade da União e do INSS por atos fraudulentos de terceiros".
Em alguns casos, continuou, as decisões têm obrigado o pagamento em dobro do valor a ser ressarcido pelos descontos ilegais
A insegurança jurídica gerada pelo surgimento de diversas ações sobre o tema "constitui solo fértil para a litigância de massa, muitas vezes predatória, com prejuízos para a integridade financeira da União e para as próprias vítimas das fraudes", apontou a AGU.
A ação da AGU também quer a suspensão da prescrição de pedidos de indenização de todas as vítimas de desconto indevido. "O objetivo é proteger os segurados e possibilitar que eles aguardem a restituição dos valores pela via administrativa, sem a necessidade de ingresso com ações no Judiciário", explicou.
A Operação Sem Desconto da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) apura um esquema de descontos fraudulentos em benefícios pagos pelo INSS.
Associações e sindicatos usariam documentos falsos para registrar no INSS adesões inexistentes. Após a operação, o governo federal se comprometeu a ressarcir os segurados lesados, mas ainda não há definição de como isso será feito.
A AGU entrou com uma ação reparatória para bloquear os bens de entidades investigadas pela PF. Os valores seriam utilizados para os ressarcimentos.

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