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Oriente Médio

Bolsas despencam pelo mundo após Irã anunciar bloqueio do estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária iraniana ameaça incendiar navios que tentarem atravessar o corredor. Conflito na região é fruto de ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel
Agência FolhaPress

Publicado em 

03 mar 2026 às 20:51

Publicado em 03 de Março de 2026 às 20:51

SÃO PAULO - O acirramento das tensões no Oriente Médio e o temor de uma interrupção no fluxo global de petróleo impactam as Bolsas em todo o mundo nesta terça-feira (3). Segundo analistas, a preocupação de que o conflito entre EUA e Israel contra o Irã tem aumentado a busca por ativos de segurança e gerado uma maior aversão ao risco.
O movimento tem como foco o anúncio, feito pelo Irã na segunda-feira (2), do fechamento do estreito de Ormuz, importante rota para o escoamento do petróleo mundial. A Guarda Revolucionária do país ameaçou incendiar navios que tentassem atravessá-lo.
O episódio abalou o otimismo dos mercados globais, com as Bolsas asiáticas acumulando perdas de até 7% e o índice de referência europeu, o Euro STOXX 600, registrando uma das maiores quedas em um ano. No Brasil, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário, tomba mais de 4%.
Na China, os principais índices registraram os piores desempenhos em semanas ou meses.
Estreito de Ormuz, entre o Irã, Omã e Arábia Saudita, é controlada pela guarda iraniana e está ao alcance de armamentos, como drones camicazes, minas aquáticas e mísseis
Estreito de Ormuz, entre o Irã, Omã e Arábia Saudita, é controlada pela guarda iraniana e está ao alcance de armamentos, como drones camicazes, minas aquáticas e mísseis Crédito: Marine Traffic/Reprodução
O índice CSI300, que reúne as principais companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, e o índice SSEC, de Xangai, desvalorizou 1,43%. Foi o pior resultado de ambos desde 2 de fevereiro.
O índice ChiNext Composite, que reúne startups, caiu 2,57%. O índice STAR50 de Xangai, focado no setor de tecnologia, caiu 5,21%, registrando a pior sessão desde 10 de outubro.
Os mercados de outros países asiáticos também fecharam em queda: Tóquio (-3,1%), Seul (-7,24%), Hong Kong (-1,12%) e Taiwan (-2,2%).
"As pessoas estão reduzindo o risco", disse Peter Schaffrik, estrategista macro global da RBC Capital Markets. "O mercado parece estar mentalmente fazendo a transição de uma guerra curta para uma guerra longa".
Na Europa, as principais Bolsas caíram mais de 3% nesta terça. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em baixa de 3,64%, no maior recuo desde abril do ano passado.
Na época, a Bolsa europeia registrou quedas diárias de mais de 4% em função do anúncio das tarifas comerciais de Donald Trump.
O movimento de queda também foi observado nas Bolsas de Frankfurt (-3,59%), Londres (-2,75%), Paris (-3,46%), Madri (-4,57%) e Milão (-3,92%).
"É venda por pânico", disse Emmanuel Cau, chefe de estratégia de ações europeias do Barclays. "O mercado estava complacente quanto à escala desta guerra [antes do fim de semana]."
As Bolsas dos EUA também tiveram quedas acentuadas. A Bolsa Nasdaq caiu 1,02%, enquanto o Dow Jones desvalorizou 0,83% e o S&P 500 recuou 0,94%.
No Brasil, o dólar fechou em forte disparada de 1,87%, cotado a R$ 5,261, enquanto o Ibovespa tombou 3,45%, a 182.775 pontos. A moeda também se valoriza no exterior, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa frente a outros seis pares fortes, subindo 0,42%.
As tensões também impactam o mercado de commodities, com o petróleo registrando alta de 9% na máxima do dia. Na máxima do dia, o petróleo chegou a ser negociado a US$ 85,10 por volta das 8h, atingindo o maior valor desde 19 de julho de 2024, quando o barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 85,35. Os preços do gás na Europa dispararam 36%.
Segundo Bruno Cordeiro, especialista de energia da StoneX, caso os conflitos se mantenham na região, a expectativa é de novas altas. "Os preços do petróleo seguirão avançando, com os consumidores buscando outros fornecedores capazes de suprir parte da sua demanda, encontrando esses no Leste Europeu (Rússia) e América Latina", afirma.

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