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Preço amargo

Chocolate acumula inflação de quase 12% com disparada do cacau

Em Vitória a inflação do chocolate ficou abaixo dos 10%, sendo a terceira menor alta registrada entre as regiões metropolitanas do País
Agência FolhaPress

Publicado em 

15 jan 2025 às 10:22

Publicado em 15 de Janeiro de 2025 às 10:22

Cacau e chocolate
Cacau e chocolate Crédito: Pixabay
Os preços dos chocolates em barra e dos bombons no Brasil acumularam inflação de 11,99% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2024, segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
A alta é a maior desde janeiro de 2023. À época, a variação acumulada em 12 meses era de 13,61%.
O IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na média geral dos 377 produtos e serviços pesquisados, o IPCA fechou o ano de 2024 com alta de 4,83%.
A disparada das cotações do cacau, matéria-prima do chocolate, é apontada como a principal explicação para o avanço dos preços das barras e dos bombons. O custo do insumo subiu em meio a problemas climáticos.
A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) afirma que o fenômeno El Niño devastou plantações de Gana e Costa do Marfim, países da África responsáveis por 70% da produção de cacau.
Isso, diz a entidade empresarial, levou o preço da tonelada na Bolsa de Nova York para a faixa de US$ 10,5 mil atualmente (cerca de R$ 63,5 mil). No início da crise, em 2023, o cacau estava cotado em US$ 2.500 a tonelada, aponta a Abicab.
"Uma alta tão expressiva do principal insumo gera impactos na indústria. Nem todo esse aumento é repassado ao consumidor, mas é impossível absorver todos os custos", afirma a entidade.
O pesquisador Felippe Serigati, do centro de estudos FGV Agro, também aponta a questão climática como responsável pelo avanço das cotações do cacau.
Esse aumento, diz o especialista, foi potencializado pelo câmbio, já que o real se desvalorizou ante o dólar no ano passado.
"O cacau tende a ter uma produção mais volátil quando há qualquer variação climática. E, convenhamos, variação climática é o que não faltou em 2024", avalia Serigati.
Segundo ele, a demanda aquecida pelos ganhos de renda da população foi outro fator que contribuiu para deixar o chocolate mais caro no país.

VITÓRIA TEVE 3ª MENOR ALTA

Com inflação de 8,57%, Vitória foi a terceira região metropolitana do país com as menores altas, abaixo de 10%, ficando atrás apenas de Curitiba (7,02%) e Rio Branco (5,21%) que, por sua vez, teve a menor inflação dos chocolates em barra e dos bombons no ano passado.
São Luís foi a metrópole pesquisada pelo IBGE onde as barras e os bombons acumularam a maior inflação nos 12 meses de 2024: 20,63%.
Fortaleza (19,13%), Belém (19,12%) e Aracaju (15,88%) apareceram em seguida. Em São Paulo, a alta dos preços foi de 12,61%.
A coleta de dados do IPCA abrange 16 capitais ou regiões metropolitanas.

CENÁRIO PARA 2025

De acordo com Serigati, uma parte da disparada do dólar e dos reflexos sobre as cotações do cacau ainda não alcançou os preços dos chocolates nas prateleiras dos supermercados. Isso, diz o pesquisador, pode causar novas pressões em 2025.
Por outro lado, ele lembra que o início de ano costuma ser marcado por um aperto de diferentes contas no orçamento das famílias, o que poderia esfriar a demanda por chocolates e, assim, dificultar novas altas nos preços.
"Se fosse só dólar, o preço iria para cima. Mas, como não se sabe o quanto o mercado consumidor consegue absorver de repasse, porque o primeiro trimestre é um período de contas mais apertadas, fica um ponto de interrogação", aponta Serigati.
A Abicab afirma que as fabricantes de chocolates dispõem de reservas de cacau. "As indústrias associadas à Abicab acompanham as oscilações de mercado e estão atentas a possíveis soluções que supram essa demanda crescente do produto", diz a entidade.
Se de um lado a alta dos preços afeta o bolso do consumidor, de outro anima produtores no país. Em dezembro, reportagem da Folha mostrou que o sul da Bahia vive euforia e projeta investimentos com a explosão das cotações do cacau.
O estado foi o principal produtor da amêndoa em 2023, período mais recente com dados disponíveis da PAM (Pesquisa Agrícola Municipal), do IBGE. A Bahia ultrapassou o Pará na ocasião.

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