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PIB

Crescimento do Brasil supera previsão de economistas pelo terceiro ano seguido

Para 2024, a expectativa do governo e setor privado é novamente de desaceleração
Agência FolhaPress

Publicado em 

31 dez 2023 às 16:00

Publicado em 31 de Dezembro de 2023 às 16:00

SÃO PAULO - O crescimento da economia brasileira deve superar pelo terceiro ano seguido as projeções dos economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central.
A performance do PIB (Produto Interno Bruto) acima do esperado pelo mercado financeiro é uma tendência vista desde 2021. Nos três anos anteriores (2018-2020), havia ocorrido o contrário: as projeções se mostraram mais otimistas que o desempenho da economia brasileira.
Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 (em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 3,9%)
Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre de 2020 (em relação a igual período de 2019, o PIB caiu 3,9%) Crédito: José Carlos Daves/Agência F8/Folhapress
Em 2023, a inflação também se mostrou mais comportada que o esperado, o que permitiu uma queda dos juros maior que a projetada.
A inflação projetada estava em 5,42% no início de janeiro. Nos 12 meses encerrados em novembro, ficou em 4,68%.
A previsão era de uma taxa básica (Selic) a 12,25% no final de 2023, mas os juros terminaram em 11,75%.
A maior diferença, no entanto, está na projeção para o PIB, que passou de 0,80% para 2,92% ao longo do ano.
Em 2023, o consumo e o setor de serviços mostraram recuperação, puxados pela retomada do mercado de trabalho e pelas transferências de programas sociais. A agricultura também surpreendeu os analistas e ajudou a puxar o crescimento do ano além do estimado.
Os erros de projeção não são uma exclusividade do setor privado. O Banco Central esperava um PIB de 1% e um IPCA de 5%. A instituição não faz projeção de câmbio e juros.
Para 2024, a expectativa é novamente de desaceleração da economia brasileira, acompanhada por inflação em queda e juros mais baixos. Esse cenário poderá ser mais ou menos benigno a depender, principalmente, de dois fatores: a continuidade do processo global de desinflação — e a consequente flexibilização da política de juros nos EUA — e os rumos da política fiscal no Brasil.
O presidente do Federal Reserve, o banco central do país, Jerome Powell, deu mais sinais de que o aperto da política monetária chegou ao fim e que a discussão agora se voltará para quando a taxa poderá ser reduzida no ano que vem.
No Brasil, o desafio será o cumprimento da meta de zerar o déficit nas contas públicas.
Para 2024, os analistas projetam um crescimento do PIB de 1,52%, além de queda da inflação para 3,91% e dos juros para 9% ao ano  — com um câmbio de R$ 5,00 no final do ano. O Ministério da Fazenda trabalha com um PIB de 2,2%.
O BC espera um crescimento de 1,7% e uma inflação de 3,5% — a meta é de 3%, com intervalo de tolerância para até 4,5%.
"O ano de 2024 deve apresentar um cenário mais construtivo. Nos países desenvolvidos, esperamos crescimento moderado, sem recessão, desaceleração da inflação e início do ciclo de corte dos juros, enquanto para a China vemos uma estabilização na dinâmica econômica", diz o banco Santander em seu relatório sobre perspectivas para o próximo ano.
"No Brasil, a conjuntura deverá seguir numa direção favorável, também com crescimento moderado, inflação recuando e continuidade da trajetória de queda da taxa Selic. É importante monitorar a evolução da política fiscal."
Para a gestora Rio Bravo, outro ponto de atenção para o ano que vem será a dinâmica do mercado de trabalho, que, em 2023, se manteve aquecido. "Esperamos que, para o ano que vem, a desaceleração esperada se concretize, com a taxa de desemprego no Brasil se aproximando da neutra que está próxima de 9,5%."

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