Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Economia
  • Decisão de extinguir barragens em MG vai afetar a economia do ES
Após tragédias

Decisão de extinguir barragens em MG vai afetar a economia do ES

Vale anunciou que vai extinguir 10 barragens em MG e reduzir produção de minério, o que deve afetar a economia capixaba; mineradora responde por cerca de 13% do PIB do ES

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 22:52

Siumara Gonçalves

Publicado em 

29 jan 2019 às 22:52
O diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, durante entrevista coletiva sobre rompimento de barragem em Brumadinho Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil
A decisão anunciada pelo presidente da Vale, Fabio Schvartsman, de extinguir dez barragens em Minas Gerais e, com isso, reduzir a produção de minério de ferro, deve afetar a economia do Espírito Santo. Isso porque a mineradora, que responde por cerca de 13% do PIB capixaba, pode ter as operações reduzidas no Complexo de Tubarão.
Diante desse cenário e do fato de que a Vale, oficialmente, não deixou claro quais serão esses impactos, o Gazeta Online procurou fontes ligadas à mineradora, especialistas em mercado e consultou relatórios de produção para ter noção da dimensão dos reflexos no Estado. Apesar de não dar para prever o tamanho do impacto, já que a empresa deve fazer rearranjos de operação, as fontes acreditam que pelo fato do minério que chega ao Estado vir de Minas Gerais, que será o único a ter minas com a produção paralisada, a produção de pelotas e a exportação de minério a partir de Tubarão devem sofrer queda.
Isso porque os sistemas de produção da Vale em Minas, que são o Sudeste (que compreende os complexos de Itabira, Minas Centrais e Mariana) e o Sul (que abrange os complexos de Paraopeba, Vargem Grande e Minas Itabirito), têm quase todo o escoamento feito pela Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) e pelo Porto de Tubarão.
Para se ter uma ideia, em 2017, ano do dado consolidado mais recente disponibilizado pela empresa, esses dois sistemas produziram 198,42 milhões de toneladas de minério, cerca 54% de toda a produção da Vale no ano. Com a estimativa de queda anual de 40 milhões de toneladas na produção em função das paralisações, cerca de 20% da produção em Minas devem cair.
“Se esses mesmos 20% serão sentidos aqui não dá para prever, mas uma parte certamente. E isso com certeza afetaria desde a movimentação de trens que passam pela ferrovia até a saída de navios pelo Estado. E qualquer mudança para o Espírito Santo será significativa diante do peso da Vale na economia local, na geração de empregos, pagamento de impostos e na movimentação de toda uma cadeia de fornecedores ligadas a essas atividades”, disse um especialista de mercado, que preferiu não se identificar. A Vale hoje emprega quase 11 mil pessoas no Estado, entre próprios e terceirizados.
PELOTIZADORAS
Para além do escoamento e exportações do minério in natura através do Estado, o temor maior abrange a possibilidade da queda de produção nas oito usinas de pelotização do sistema Sudeste, em Tubarão. Em 2017, essas pelotizadoras produziram 30,8 milhões de toneladas de pelotas de minério, cerca de 75% de toda a produção de pelotas da Vale. Já as paralisações na produção de minério em Minas devem fazer com que 11 milhões de toneladas de pelotas deixem de ser produzidas ao ano pela empresa.
“Se a produção de pelotas no Estado for afetada, o impacto será ainda maior e vai refletir em uma grande queda de faturamento da empresa no Estado”, disse um analista. Já uma fonte ligada à companhia diz que ainda é cedo fazer qualquer estimativa: “É preciso se considerar que algumas minas ainda têm estoque, que os sistemas Sul e Sudeste têm 15 pontos de carregamento. Então, pode ser que gere um impacto mínimo para as operações no Espírito Santo e, se tiver, creio que seja mais relacionado ao minério in natura”.
COMUNICADO
Em fato relevante a investidores, divulgado após as 22h desta terça-feira (29), a Vale disse que terão a produção paralisada as unidades de: Abóboras, Vargem Grande, Capitão do Mato e Tamanduá, no complexo Vargem Grande, e as operações de Jangada, Fábrica, Segredo, João Pereira e Alto Bandeira, no complexo Paraopeba, o que inclui a parada das pelotizadoras de Fábrica e Vargem Grande, do sistema Sul. As unidades serão retomadas à medida que forem concluídos os descomissionamentos. Embora não haja desligamento de usinas em Tubarão, a empresa não explicou possíveis impactos no Estado.
NÚMEROS
13% do PIB do ES
As operações da Vale representam cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba.
R$ 60,9 milhões
É quanto a Vale pagou ao Estado e municípios do ES em tributos em 2018.
10.949 pessoas
É o total de empregados da Vale no Estado, entre próprios e terceirizados.
R$ 9 bilhões
Foi o lucro operacional da Vale nos três primeiros trimestres de 2018 no ES.
366,5 milhões
É o total, em toneladas, de minério de ferro produzido no Brasil pela Vale no ano.
30,8 milhões
É o número de toneladas de pelotas de minério que são produzidas anualmente por 8 pelotizadoras do Sistema Sudeste que ficam no Espírito Santo.
354 empresas
Foi o número de empresas capixabas com quem a Vale fez negócios no terceiro trimestre de 2018.
R$ 1,5 bilhão
Foi o valor gasto pela mineradora em compras com empresas capixaba nos três primeiros trimestres de 2018.
11 milhões
É o total de toneladas de pelotas de minério que deixarão de ser produzidas em Minas Gerais.
40 milhões
É o montante de minério de ferro, em toneladas, que devem deixar de ser produzidos.
EMPRESA SE TORNA ALVO DE AÇÃO COLETIVA EM NOVA YORK
Casa atingida pela enxurrada de lama após o rompimento da barragem Crédito: ANTNIO CÕCERO
A Vale, o presidente da empresa, Fábio Schvartsman, e o diretor financeiro, Luciano Siani, são alvo de uma ação coletiva iniciada na noite desta terça-feira (29) numa corte distrital de Nova York, nos Estados Unidos.
O processo acusa a mineradora brasileira de mentir para os investidores sobre seu comprometimento em garantir a segurança de seus trabalhadores, diante do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais.
A ação é de autoria da Rosen Law, uma das maiores bancas de advocacia dos EUA. A empresa tem recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York e, por isso, pode ser alvo de ações nos Estados Unidos.
Neste tipo de ação, os escritórios convidam os investidores a aderirem ao processo. Depois, a Justiça determina a unificação desses processos e apenas uma ação coletiva vai adiante.
A ação acusa a Vale e dois de seus executivos por decisões equivocadas e omissões que causaram perdas significativas aos investidores da companhia. Um outro escritório, que também acionou a Vale, afirma que a empresa “falhou em avaliar o risco e o potencial de danos de um rompimento na barragem do Feijão”. Por isso, considera que as declarações da empresa foram “falsas ou enganadoras”.
Ações coletivas de investidores podem resultar em perdas bilionárias para empresas. Em 2018, a Petrobras pagou US$ 2,95 bilhões para encerrar uma ação coletiva de investidores que acusavam a empresa de prejuízos pelo escândalo na Operação Lava Jato. (Agência O Globo)
 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Balanços - Hospital São José - 23/04/2026
Editais e Avisos - 23/04/2026
Cartórios - 23/04/2026

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados