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Golpe financeiro

Entenda o esquema usado pelo Master em fundos da Reag

A suspeita é que os fundos tinham como donos indivíduos que operavam como laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Agência FolhaPress

Publicado em 

15 jan 2026 às 15:31

Publicado em 15 de Janeiro de 2026 às 15:31

SÃO PAULO - A Polícia Federal identificou um roteiro sofisticado de fraude financeira, baseado no uso combinado de crédito bancário, fundos de investimento e operações com ativos de baixa ou zero liquidez para inflar o patrimônio do Banco Master, disfarçar a origem do dinheiro e pulverizar recursos até chegar a laranjas.
O esquema começaria com empréstimos feitos pelo Master a empresas. Essas companhias aplicavam em fundos da Reag, instituição financeira que tinha até recentemente como presidente e sócio-fundador João Carlos Mansur, um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero e que teve a liquidação decretada pelo Banco Central.
A Reag também é suspeita de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Na ocasião, a Reag negou conexão com o grupo do crime organizado.
O BC (Banco Central) identificou uma lista de seis fundos da Reag que teriam atuado no esquema. A suspeita é que os fundos tinham como donos indivíduos que operavam como laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
A defesa de Mansur disse que não teve acesso à investigação, mas que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Edifício-Sede do Banco Central em Brasília
Edifício-Sede do Banco Central em Brasília Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

ENTENDA O CAMINHO DO DINHEIRO

1º EMPRÉSTIMO
O Master concedia empréstimos a empresas formalmente independentes do banco. No papel, os tomadores não tinham vínculo direto com a instituição financeira, mas, segundo os investigadores, seus controladores faziam parte do mesmo esquema de fraudes.
2º DINHEIRO DIRECIONADO A FUNDOS
Após receber o crédito, a empresa tomadora aplicava os recursos em fundos de investimento administrados pela Reag. Essa etapa era central para deslocar o dinheiro do balanço do banco para o mercado de capitais.
3º CONFORMIDADE APARENTE AO REGULADOR
Nos sistemas monitorados pelo Banco Central, o empréstimo aparecia como uma operação regular, em conformidade com as normas. Isso dificultava a identificação imediata de irregularidades na concessão do crédito.
4º COMPRA DE ATIVOS SEM LIQUIDEZ
O gestor do fundo que recebia os recursos provenientes do empréstimo comprava ativos com baixa liquidez e valor econômico reduzido. Essas aquisições eram feitas por preços muito acima do valor real, o que inflava artificialmente o patrimônio do fundo.
5º LUCRO PARA QUEM VENDIA O ATIVO
Do outro lado da operação, o vendedor do ativo, que tinha pouco ou quase nenhum valor de mercado, obtinha um lucro elevado ao se desfazer dele por um preço inflado. Segundo os investigadores, essa era uma forma rápida e eficiente de movimentar grandes volumes de dinheiro.
6º PULVERIZAÇÃO DOS RECURSOS ENTRE FUNDOS
Em seguida, o vendedor utilizava o dinheiro recebido para investir em outros fundos. Assim, os valores passavam por sucessivas camadas de fundos de investimento, com o objetivo de dificultar o rastreamento do destino final dos recursos.
De acordo com a investigação, o dinheiro acabava chegando a laranjas ligados a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Para os investigadores, a complexidade do caminho financeiro não tinha finalidade econômica legítima, mas servia para ocultar a origem e o beneficiário final dos recursos.

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