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Bolsa e dólar em queda

IOF e temor de populismo de Bolsonaro fazem Bolsa afundar

A Bolsa de Valores brasileira afundou 2,07% nesta sexta-feira (17), fechando o pregão com 111.439 pontos. Na semana, a Bolsa acumula perda de 2,49%

Publicado em 17 de Setembro de 2021 às 19:17

Agência FolhaPress

Publicado em 

17 set 2021 às 19:17
Presidente Jair Bolsonaro em cerimônia alusiva ao início da missão humanitária no Haiti
Presidente Jair Bolsonaro Crédito: Isac Nóbrega/PR
A Bolsa de Valores brasileira afundou 2,07% nesta sexta-feira (17), fechando o pregão com 111.439 pontos. O dólar subiu 0,43% e encerrou a semana cotado a R$ 5,2890.
Na semana, a Bolsa acumula perda de 2,49%, a terceira queda semanal seguida. No ano, o recuo é de 4,39%.
A última vez que o Ibovespa havia caído ao patamar dos 111 mil pontos foi em 9 de março, um dia após a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin que anulou todas as condenações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Justiça Federal de Curitiba, devolvendo, assim, os direitos políticos a ele.
O mau humor do mercado nesta sexta é atribuído principalmente à potencial piora da economia devido ao aumento inesperado do IOF (Imposto sobre Operações de Financeiras) anunciado pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) para tentar bancar a ampliação do novo Bolsa Família.
O aumento do imposto resultará em dois efeitos: inflação e crédito mais caro para pessoas e empresas, segundo Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).
Com o crédito mais caro, o cenário econômico ganha mais um fator para potencial desaceleração da economia, de acordo com Braulio Langer, analista da Toro investimentos.
"Encarecendo o crédito, o IOF pode colaborar para desaquecer de forma moderada a economia", diz Langer. "Além disso, há um cenário de inflação que vai obrigar o Banco Central a subir a taxa básica de juros, o que pode levar os agentes econômicos a consumir menos", afirma.
Analistas também avaliam que o mercado teme novas medidas populistas do governo após a divulgação de pesquisa Datafolha mostrando vantagem de Lula sobre Bolsonaro na corrida eleitoral para 2022.
"As pesquisas feitas após as manifestações de 7 de setembro e da carta conciliatória mostram que pegou mal toda essa história, então, as informações sugerem ao mercado a maior possibilidade do governo recorrer a medidas populistas, aumentando gastos para conseguir votos", diz Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest.
Ainda sobre o IOF, Consorte afirma que o aumento do IOF não soluciona a necessidade de recursos para 2022, que só será resolvida com uma solução para o pagamento dos R$ 89 bilhões em precatórios estimados para o próximo ano.
Dados econômicos mais fracos vindos da China e a consequente queda na demanda por minério de ferro e aço também continuam contribuindo para derrubar o Ibovespa, pois afetam ações de empresas de siderurgia e mineração no Brasil com importante participação no índice.
Os papéis da Vale (VALE3) caíram 2,02% e foram os mais negociados do pregão.
A retomada da produção de petróleo no Golfo do México após a passagem do furacão Ida também está afetando o preço da commodity, o que vem resultando em baixas nas ações da Petrobras (PETR4), que caíram 4,48% nesta sexta.
O petróleo Brent, referência para o mercado, fechou em queda de 0,46%, cotado a 75,32 dólares (R$ 399,97).
Nos Estados Unidos, Dow Jones recuou 0,48%. S&P 500 e Nasdaq caíram 0,91% cada.

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