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Guerra de narrativas

Morto ou vivo? O mistério que envolve o "Sicário" do caso Master

Enquanto a Polícia Federal chegou a confirmar a morte encefálica de Luiz Phillipi Mourão, a defesa do investigado contesta a informação e afirma que ele segue vivo, embora em estado gravíssimo

Publicado em 06 de Março de 2026 às 10:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

06 mar 2026 às 10:58
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, é chamado de Sicário de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, é chamado de Sicário de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Crédito: Acervo pessoal / Reprodução
O caso envolvendo Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pelas investigações da Operação Compliance Zero como o "Sicário" (operador de inteligência e intimidação) de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou contornos dramáticos e confusos nos últimos três dias. A pergunta que domina os bastidores da segurança pública é uma só: afinal, ele morreu ou não?

A versão da Polícia Federal

Na última quarta-feira (4), a Polícia Federal em Minas Gerais informou que Mourão teria atentado contra a própria vida dentro de uma cela na Superintendência Regional da corporação, em Belo Horizonte (a forma que ele teria tentado se matar não será revelada nesta matéria).
A PF detalhou que policiais do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) realizaram manobras de reanimação por cerca de 30 minutos até a chegada do Samu, que o encaminhou ao Hospital João XXIII. Horas depois, informações atribuídas à corporação e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, indicaram que o investigado não havia resistido e teve a morte encefálica confirmada.
Para reforçar a transparência do ocorrido, a PF comunicou ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que toda a ação dentro da cela e o atendimento médico foram filmados por câmeras de segurança, "sem pontos cegos".

Por que Sicário?

O termo sicário tem origem no latim sicarius, que significa "homem da adaga". Refira-se ao grupo de judeus que usava esse tipo de arma para matar os romanos. Com o passar do tempo, começou a  ser atribuída a assassinos de aluguel. No caso Master, o codinome sicário foi aplicado para identificar o suposto líder de uma estrutura de vigilância e intimidação a pessoas que poderiam atrapalhar os supostos esquemas do banco. Segundo o dicionário Michaelis, a palavra é um adjetivo para quem  "tem sede de sangue; cruel e sanguinário".

A contestação da defesa

Na contramão do que foi divulgado inicialmente pela polícia, o advogado de Mourão, Robson Lucas, veio a público na quinta-feira (5) para contestar o óbito. Segundo a defesa, embora o estado de saúde seja classificado como gravíssimo, Luiz Phillipi continua vivo e sob monitoramento no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital João XXIII.
O advogado foi enfático ao afirmar que, até o momento, não foram preenchidos os requisitos clínicos para a abertura do protocolo de morte cerebral. "De acordo com o boletim médico, não houve alteração de ontem para hoje (de quarta para quinta). Ele permanece em monitoramento", declarou a defesa, que aguarda novas atualizações médicas.
Na noite de quinta, a Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que o estado de saúde era gravíssimo, mas estável.

O impasse médico-legal

A confusão reside na diferença técnica entre "estado gravíssimo" e "morte encefálica":

► Morte encefálica: é a interrupção irreversível de todas as funções cerebrais. Juridicamente e clinicamente, equivale à morte do indivíduo.

►Estado gravíssimo com sinais de morte cerebral: é quando o paciente apresenta danos neurológicos severos, mas o protocolo formal de testes (que exige critérios rígidos e repetição de exames) ainda não foi concluído ou confirmado.

O que dizem a defesa e os órgãos de saúde: Sicário está em estado gravíssimo, internado no CTI, mas em quadro estável, sem indicação de abertura de protocolo para investigar morte encefálica, de acordo com informações divulgadas até quinta-feira (5) à noite.  

Quem é Luiz Phillipi Mourão?

Luiz Phillipi Mourão é uma peça-chave na investigação contra o dono do Banco Master. Ele é suspeito de liderar uma espécie de "milícia pessoal" ou estrutura de inteligência paralela batizada de "A Turma". Segundo a PF, ele seria responsável por monitorar adversários, acessar dados sigilosos (inclusive de órgãos como Ministério Público, FBI e Interpol) e coordenar ameaças contra jornalistas e funcionários que contrariassem os interesses de Daniel Vorcaro.
Enquanto o hospital não emite um laudo definitivo ou a defesa confirma o encerramento das funções vitais, o "Sicário" permanece legalmente vivo, mantendo em suspenso um dos depoimentos mais aguardados da Operação Compliance Zero.
Sua ficha nas investigações da Operação Compliance Zero revela um perfil de alta periculosidade tecnológica e estratégica, segundo as autoridades:
  • Invasão de sistemas internacionais: Mourão é acusado de utilizar credenciais de terceiros para acessar indevidamente bases de dados sigilosas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais de elite, como o FBI e a Interpol. O objetivo era monitorar adversários comerciais, ex-funcionários e autoridades.
  • Logística de intimidação: as mensagens interceptadas mostram que ele mantinha relação direta com Vorcaro. Em um dos diálogos, o banqueiro ordena que ele "moa" uma ex-funcionária, ao que Mourão responde perguntando objetivamente o que deveria ser feito após levantar o endereço dela.
  • Plano contra a imprensa: um dos pontos mais graves de seu histórico recente é a suspeita de que ele coordenaria a simulação de um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em mensagens, Vorcaro teria dito querer "quebrar todos os dentes" do colunista, e Mourão prontamente respondeu: "Vou olhar isso".
  • Operador financeiro da "Turma": a estrutura liderada por ele custava cerca de R$ 1 milhão por mês. Mourão era o responsável por cobrar esses valores e distribuí-los entre os membros do grupo, que contava inclusive com o apoio de um policial federal aposentado para facilitar o acesso a informações privilegiadas.
Com informações da Folhapress, Estadão Conteúdo, g1 e BBC.

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