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Fim da produção

Plataformas de petróleo no ES viram sucata e oportunidade de negócios

Petrobras iniciou processo para desmontar algumas estruturas de produção de óleo no mar por fim da vida útil. Atividade deve movimentar um mercado milionário no Estado

Publicado em 20 de Setembro de 2019 às 10:44

Geraldo Campos Jr

Publicado em 

20 set 2019 às 10:44
As plataformas fixas do campo de Cação 01, 02 e 03 estão instaladas no litoral de São Mateus Crédito: Edson Chagas/Arquivo A Gazeta
Um mercado milionário do setor de petróleo e gás começa a chegar ao Espírito Santo prometendo volumosos investimentos para os próximos anos. Trata-se do desmonte de algumas plataformas antigas - a maioria da Petrobras - que começam a ser retiradas do mar e transformadas em sucata. 
O chamado descomissionamento, ou seja, o processo de desativação de uma plataforma, - que no primeiro momento pode até soar como algo ruim -, é na verdade um poço de oportunidades para profissionais e empresas quase tão bom como a construção e instalação de uma plataforma.
No país, a estimativa é que esse primeiro ciclo de desmonte movimente R$ 50 bilhões de 2020 a 2040, pelas projeções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). E esse movimento está começando no Brasil por unidades nos mares capixabas. 
A Petrobras licitou recentemente um projeto piloto para descomissionar três plataformas fixas instaladas no campo de Cação, na Bacia do Espírito Santo, localizada no litoral de São Mateus. Os 13 poços conectados às estruturas já foram abandonados e o processo deve se iniciar em março de 2020.
CUSTO DE MAIS DE R$ 120 MILHÕES 
O contrato para desmonte das plataformas de Cação demandará de cerca de US$ 30 milhões pela Petrobras em recursos, o que dá aproximadamente cerca de R$ 120 milhões. A empresa vencedora da licitação, a norte-americana EPIC Applied Technologies, vai desmontar e retirar todas as estruturas, como passarelas, guindastes e módulos, além de desconectar os dutos dos poços. 
De acordo com o consultor da área de óleo e gás Ricardo Amador Serro, esse processo vai demandar profissionais qualificados, serviços e produtos, movimentado a cadeia produtiva do setor. "É uma oportunidade boa, porque sempre é necessário equipamento e mão de obra para isso. E também é algo que vai demandar muito as empresas do setor de serviços. Embora seja um tipo de atividade específica, que não é qualquer empresa que faz, quem fizer certamente terá a necessidade de produtos e serviços para isso."
A atividade, porém, encontra resistências. Conforme noticiou a colunista Beatriz Seixas, um grupo de pescadores do Litoral Norte capixaba tem solicitado que a Petrobras desista do processo de desmontar as plataformas de Cação e que as estruturas seja afundadas, mantendo assim o recife artificial desenvolvido ao longo das últimas décadas. 
Serro explica que o desmonte é necessário porque a vida útil de uma instalação do tipo é de 25 anos. Segundo a ANP, no Brasil, há 66 nessa condição. Outras 23 estão se aproximando dessa idade e, em breve, também devem ser desmobilizadas. Há, portanto, 89 unidades candidatas ao desmonte.
"Os campos de petróleo são finitos e, ao final da vida útil deles, é preciso fazer essa desmobilização de equipamentos. Logo, nada mais natural que isso estar em alta levando em conta que muitos campos iniciaram a produção na década de 1970", ressalta o consultor.
O analista pontua ainda que quando uma petroleira faz um projeto para produção já é levado em consideração o volume de petróleo projetado para um determinado tempo. "Então as plataformas e equipamentos já são projetados para durar a vida útil e comercial do campo", diz Ricardo Amador Serro.
RISCOS
Um dos fatores que faz com que essa atividade seja cara é que ela é cercada de riscos ao meio ambiente, inclusive de contaminação do mar com material radioativo, e também à segurança dos trabalhadores.
Um exemplo de como um desmonte pode dar errado aconteceu em 23 de agosto, quando 1,2 mil litros de óleo vazaram do navio-plataforma Cidade do Rio de Janeiro, na Bacia de Campos. O vazamento aconteceu durante o descomissionamento – termo técnico para o trabalho de retirada das unidades de óleo e gás dos locais onde estavam instaladas.
E o destino desse material desmontado? Ricardo Serro explica que a maior parte acaba mesmo virando sucata. "São equipamentos com muitos anos de uso, na maioria das vezes fica mais caro reaproveitar. Além disso, ao longo do tempo, essas estruturas geram uma incrustação radioativa, que demanda cuidados especiais com essas partes, tendo que estocar em locais específicos por causa da radioatividade."
A Petrobras informou que no caso das plataformas de Cação, a destinação das estruturas dos conveses e jaquetas é de responsabilidade da empresa contratada.
MAIS PROJETOS
De acordo com dados da ANP, além das três plataformas fixas de Cação, no Espírito Santo, outras cinco FPSOs (unidade flutuante que produz, armazena e transfere óleo e gás) estão com o descomissionamento aprovado e prestes a serem desmontadas no país, nos campos de Roncador, Marlim Sul, Espadarte, Tartaruga Verde e Piranema. Há ainda outras cinco plataformas com proposta de desmonte sob análise da ANP.
“É uma oportunidade de negócios, de geração de empregos, de atividades de engenharia, não só para os profissionais estabelecidos e maduros, como para estudantes, engenheiros e planejadores que vêm das universidades. Então, é uma oportunidade que a gente não pode deixar passar”, afirmou o superintendente de Segurança da Operação e Meio Ambiente da ANP, Raphael Moura.
PLATAFORMA DO SUL DO ES NA FILA
FPSO Capixaba, fundeada no campo de Cachalote e Baleia Branca Crédito: Valter Monteiro/Agência Petrobras
Para além desses projetos já em andamento, a agência prevê que outras nove plataformas da Petrobras em todo país entrem em processo de desmonte nos próximos anos. Uma delas é a FPSO Capixaba, instalada nos campos de Cachalote e Baleia Branca na região conhecida como Parque das Baleias, Litoral Sul do Estado.
O navio-plataforma, que já operou anteriormente no campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, é arrendado pela Petrobras junto a uma empresa privada e, segundo o consultor Ricardo Amador Serro, esse contrato está perto do fim.
"O FPSO Capixaba primeiro operou em Golfinho e, como a vida útil do campo foi menor que a prevista, o navio foi realocado para Cachalote e Baleia Franca, na Bacia de Campos. Esses navios têm contrato de afretamento e o dele está chegando ao final e vai quase casar com o final da vida produtiva dos poços", comenta.
A expectativa é que mesmo que a FPSO deixe operar, não haja uma perda na produção de petróleo do Espírito Santo, diz o analista. "A ideia é que alguns desses poços migrem quando houver o descomissionamento para a P-58 e os com melhores condições de produzir devem ser ligados ao novo projeto, que é o Integrado Parque das Baleias". O novo navio-plataforma tem previsão de entrar em operação em 2022 no novo campo de Jubarte, também no Parque das Baleias.
Serro destaca que o processo de descomissionamento da FPSO Capixaba será bem diferente das plataformas de Cação, que são estruturas fixas e não um navio.
"Lá a estrutura em si não será desmontada, mas sim descomissionar os poços e as linhas, uma atividade que deve ser feita pela própria equipe do navio inclusive. Depois ela pode até ir para outro campo com características semelhantes, passando por reformas em um estaleiro, mas o mais provável ele não seja aproveitado, até pelo tempo de uso dele", afirma Serro.
A Petrobras informou que "outras demandas de possíveis descomissionamentos estão em fase inicial de avaliação de alternativas" e que "os projetos só são executados após aprovação dos planos pelos órgãos reguladores, como ANP, Ibama e Marinha do Brasil".

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