O dólar e a cotação internacional do barril do petróleo estão em queda desde outubro e, com isso, o preço da gasolina nas refinarias também vem sendo reduzido quase diariamente pela Petrobras. Esse cenário, no entanto, não tem sido sentido nas bombas pelos consumidores, que seguem pagando caro e reclamando da falta de repasse dos reajustes por parte dos postos de combustíveis.
Desde esta quarta-feira (9), o preço médio da gasolina que é vendido sem tributos às distribuidoras é de R$ 1,433, menor valor desde agosto de 2017 com a correção da inflação. Na época, o consumidor conseguia abastecer pagando um preço médio de R$ 3,833 no Espírito Santo, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Hoje, porém, mesmo com o valor na refinaria tão baixo e parecido com o daquela época, o litro de gasolina no posto ainda não sai por menos de R$ 4. Nas bombas, o preço médio encontrado no Estado hoje é de R$ 4,41.
O problema, aliás, é mais do que a redução na refinaria não chegar ao consumidor. Em 2018, os preços nos postos subiram bem acima da inflação, mesmo com o menor valor do petróleo visto nos últimos meses do ano. A gasolina no Espírito Santo teve alta de 8,57% enquanto a inflação esperada para o ano, segundo o Banco Central, deve ser de 3,69%.
MOTIVOS
O problema, segundo o professor de Finanças Rafael Felipe Schiozer, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que a queda foi repassada pelas refinarias, mas não pelas distribuidoras. “A gente poderia esperar uma redução teórica, se tudo refletisse rapidamente no preço, da ordem de 5% a 10%. A culpa não é nem do dono do posto, porque é da distribuidora para o posto que essa queda não foi repassada”, disse em entrevista ao “Bom Dia Brasil”, da TV Globo.
Outro ponto é que o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que é cobrado na revenda e que é o segundo item de maior peso na composição do preço da gasolina - a alíquota no Estado é de 27% -, é calculado com base no valor da gasolina de três meses atrás. Por isso, os especialistas acreditam que o valor deve começar a cair com mais intensidade nas próximas semanas.
O economista Mário Vasconcelos destaca ainda a necessidade de recompor a margem de lucro após o período dos preços em alta, tanto por parte das distribuidoras quanto dos postos. Ele cita ainda o aumento de outros custos: “Existem outros fatores como salários de funcionários, energia elétrica, aluguel do local. Tudo isso sobe anualmente”.
Já o advogado da área de direito do consumidor Rodrigo Cristello aponta a questão do estoque. “Quando a aquisição do combustível é feita, é algo em grande escala. Então, quando o preço reduz na refinaria, eles ainda têm estoque com o valor de quando foi comprado anteriormente. Até chegar ao posto pode demorar, porque tem as distribuidoras no meio”, disse.
SEM IMEDIATISMO
De acordo com o Sindipostos-ES, a flutuação do preço do combustível na refinaria é importante, mas não é determinante e nem tem reflexo imediato. “É preciso considerar a política das distribuidoras e todos os custos envolvidos até que o produto chegue à revenda. A menor parcela da composição do preço final da gasolina está no posto“, afirma.
O sindicato também informou que o preço médio da gasolina no Espírito Santo está em queda nos últimos 90 dias, tanto no custo de aquisição junto às distribuidoras quanto nos postos, segundo o Monitor de Preço dos Combustíveis da Secretaria Estadual da Fazenda.
NOS POSTOS
Vitória
Posto Enseada, Av. Américo Buaiz: R$ 4,359
Posto Escola, Av. Saturnino Brito: R$ 4,399
Posto Iate, Av. Saturnino Brito: R$ 4,395
Posto Camburi, Av. Norte-Sul: R$ 4,359
Posto Trilha, Av. Norte-Sul: R$ 4,348
Posto do Porto, Av. Florentino Avidos: R$ 4,28
Serra
Posto Planalto, BR 101: R$ 4,299
Posto Mar Azul, Av. Brig. Eduardo Gomes: R$ 4,299
Posto Coral, Av. Norte-Sul: R$ 4,299
Vila Velha
Posto Lipcar, R. Henrique Moscoso: R$ 4,359
Posto Castelinho, Av. Jerônimo Monteiro: R$ 4,27
Posto 7, Av. Lindenberg: R$ 4,289
Posto Mais, Av. Lindenberg: R$ 4,399
Cariacica
Posto Anacleto, BR 262: R$ 4,26
Posto McLaren, BR 262: R$ 4,29
*Gasolina comum no dinheiro ou no débito