O presidente da Petrobras, Pedro Parente, demonstrou nesta quarta-feira confiança na aprovação das reformas no país. Ao ser questionado sobre o humor dos investidores em Davos e se eles demonstram preocupação, nas conversas, com o risco de mudanças de agenda política no Brasil a partir de 2019, Parente avaliou que não se pode confundir discurso de campanha com projeto efetivo de governo.
— A posse transfere imediatamente ao mandatário um grau de responsabilidade que ele não tem como candidato — afirmou.
Em seguida, citou uma máxima do futebol atribuída ao roupeiro e técnico Neném Prancha (1906-1976): “Treino é treino, jogo é jogo”. Segundo Parente, a sociedade brasileira “está evoluindo para certos consensos importantes”. “Não dá para ter 100% de garantia, mas há boa chance de inevitabilidade (das reformas)”, acrescentou, mencionando a intolerância com a inflação como exemplo.
Quanto ao julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele assegurou que não recebeu nenhum questionamento por parte de seus interlocutores no fórum. E disse sentir que há uma melhora na percepção dos investidores sobre o Brasil e sobre a Petrobras.
— Sem dúvida, há certas características que tornam a posição de outros países melhor do que a nossa: início de mandato, agenda ampla de reformas. Existem certas condições que tornam a presença de um país mais forte do que outros. Mas, quando se compara a posição do Brasil neste ano e em anos passados, a posição é outra. Há uma satisfação grande em Davos de ver a Petrobras de volta.
Após o discurso do presidente Temer, ele disse que uma eventual candidatura sua nas eleições de outubro está fora do radar. Parente foi inevitavelmente alvo de brincadeiras à saída do Congress Hall, tribuna mais importante de Davos. O executivo foi o único brasileiro citado por Temer no discurso, como o “professor Pedro Parente”, quando o presidente falava aos investidores sobre mudanças na legislação da indústria de petróleo e gás. Ele foi lembrado, em conversas no fórum depois da fala, que o ex-ministro Roberto Brant chegou a citá-lo nominalmente como um bom nome para defender a agenda do governo na campanha de 2018.
— Recuso ser candidato, não quero ir para a vida política, tenho claro que não sou a melhor pessoa para isso — disse Parente a jornalistas. Ele afirmou já ter se “desviado” de seus propósitos pessoais ao aceitar o convite para assumir a Petrobras. — Eu estava indignado com a situação — disse, justificando a mudança de rota.
Para o executivo, a citação foi apenas uma “deferência” de Temer.
— Eu estava sentado bem em frente e ele me viu — desconversou.