Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Economia
  • Privatização dos Correios deve seguir regra de universalização dos serviços
Projeto de lei

Privatização dos Correios deve seguir regra de universalização dos serviços

Governo deu mais um passo para vender os Correios com a entrega do projeto de lei que trata da desestatização ao ministro das Comunicações. Ele afirmou pelas redes sociais que já avalia o texto com líderes no Congresso

Publicado em 13 de Julho de 2021 às 15:36

Agência FolhaPress

Publicado em 

13 jul 2021 às 15:36
Agência dos Correios
Agência dos Correios Crédito: Divulgação
O governo federal deu mais um passo para privatizar os Correios com a entrega, na última quinta-feira (8), do projeto de lei que trata da desestatização ao ministro Fábio Faria, das Comunicações. Ele afirmou pelas redes sociais que já avalia o texto com líderes no Congresso.
O projeto quebra o monopólio dos Correios para a entrega de cartas, telegramas e malotes, que ainda respondem por grande parte da receita da estatal -antes da pandemia, superava 40%.
Mesmo que o plano da equipe de Paulo Guedes, ministro da Economia, seja vender 100% da empresa, regras para universalização -a garantia de que correspondências cheguem a todo Brasil - devem constar na lei que irá regimentar o processo.
Estudo da consultoria Accenture para o BNDES constatou que 10 de 11 países analisados têm leis claras para a universalização (a exceção são os Estados Unidos). A maioria também prevê aspectos da universalização em lei.
O estudo se baseou nos melhores sistemas postais, segundo a União Postal Universal, e priorizou países com dimensões, experiências de desestatização e outros fatores considerados relevantes para o projeto no Brasil.
De modo geral, é possível dividi-los entre os que têm mercado liberalizado e os que mantêm monopólio do Estado para correspondências regulares, caso do Brasil hoje.
Entram no primeiro grupo Alemanha, Áustria, Reino Unido, Portugal e Bélgica, e, no segundo, Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália. A Argentina, cuja empresa postal privada decretou falência no início deste mês, não entrou na análise.
Com exceção do Canadá, todos os países têm previsão em lei para uma agência reguladora designada a assegurar o cumprimento do serviço universal. No projeto brasileiro, a caberia à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) essa vigilância.
Normas técnicas para o desempenho do operador responsável pela universalização também aparecem em todas as jurisdições, menos nos EUA, onde essa obrigação é do USPS, o serviço postal público. A lei americana não é muito clara em relação ao nível de serviço, preços e punições ao USPS, segundo o estudo do BNDES.
Entre os modelos privatizados, o da Alemanha é considerado o mais bem-sucedido entre especialistas. No país europeu, o operador universal é privado, mas com participação estatal, que supervisiona o serviço. A privatização foi gradual, com início em 1989.
Mesmo que o país tenha decidido que não era necessário ter reserva de mercado, a estatal Deutsche Bundespost, hoje a potência logística DHL (privada), recebeu subsídios até meados dos anos 2000.
Em Portugal, o preço das tarifas foi limitado pelo governo, caso considerado mau gerido e de baixa atração a investidores.
Na Argentina, o serviço postal foi privatizado em 1997 em uma concessão de três décadas para uma empresa da família do ex-presidente Mauricio Macri, que não pagou ao Estado. A empresa foi reestatizada em 2004 e teve a falência decretada na semana passada para que a dívida seja paga ao governo.
Já os Estados Unidos decidiram não tirar o monopólio do USPS. As competidoras privadas podem ofertar os serviços básicos, mas somente com preço superior ao da estatal. Elas ganham ao ofertar mais rapidez e confiabilidade. A estatal americana tem cerca de 20% do mercado de entregas.
Ainda não está claro como o governo pretende lidar com a universalização. Uma das maiores críticas da ala contrária à privatização é a falta de interesse de grupos privados em áreas remotas e com baixo retorno financeiro.
Diogo Mac Cord, secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, afirmou na semana passada que esse argumento é uma "lenda urbana" porque, segundo ele, os Correios deixaram de operar em várias cidades.
O projeto de lei para a privatização diz que a União fica obrigada a manter o serviço postal universal e com modicidade de preços. Considera nesse grupo cartas, impressos, objetos postais com dimensões e pesos definidos pelo órgão regulador e telegramas.
Para Eduardo Gaban, sócio de Nishioka & Gaban Advogados, essas definições ainda não são suficientemente claras e representam um "cheque em branco para o governo da vez".
"Seja o governo, seja o setor privado, tendem a abusar do poder se não houver uma delimitação clara sobre a reserva legal", diz.
Gaban defende a privatização para tornar o serviço postal mais eficiente nos próximos anos e estimular o mercado adjacente de entregas de encomendas. Segundo ele, os Correios "não provaram até hoje que é preciso monopólio para universalizar".
Para a ala crítica à privatização, a estatal brasileira, com 98 mil funcionários, consegue segurar seu caixa e gerou lucro durante a pandemia, mesmo que grande parte de sua receita não seja feita de encomendas, área de atividade das transportadoras.
Marcos César Alves Silva, administrador postal e integrante do conselho de administração dos Correios de 2013 a 2018, afirma que o prejuízo de 2013 a 2016 não foi por roubo ou má gestão. Ele atribui a queda a ações do Ministério da Economia no período, como congelamento de tarifas, retirada de dividendos do caixa da empresa e uma mudança contábil exigida no relatório financeiro.
"Os Correios são o grande troféu ideológico do governo, que só fala mal da empresa, o que tende a baixar seu preço. Não precisamos do Tesouro. É quase criminoso fazer isso", diz.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Carreta cai em ribanceira em Cariacica
Carreta cai em ribanceira e complica trânsito no Contorno em Cariacica
Segundo a prefeitura, foram feitos testes visuais e também o teste de medida padrão de 20 litros em todos os bicos de abastecimento
Posto de combustíveis de Cachoeiro é autuado pelo Procon por irregularidade em bomba
Manami Ocean Living
Mercado imobiliário de luxo bate recordes e impulsiona crescimento do alto padrão no Espírito Santo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados